epílogo

908 121 17
                                        

Alguns anos depois…

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Alguns anos depois…

Quinn precisa parar de comprar online. Faz duas semanas que estão chegando caixas e mais caixas, tudo porque ela decidiu, por si própria, que precisamos mudar a decoração da nossa casa. Claro que é um exagero e uma desculpa para gastar dinheiro, mas o que posso fazer? É ela quem manda, e eu apenas monto as peças novas dos móveis sem reclamar, tudo para deixá-la feliz e para fazer o meu papel como homem da casa. 

— Quinn, já terminei aqui — eu grito da garagem, avisando que a nossa nova mesa de centro em recouro e aço inox está devidamente montada.

Sem resposta. Faz quase vinte minutos que ela deu um sumiço dentro de casa, e mal posso esperar para saber qual será a nossa próxima compra — este comentário contém ironia. 

Balanço a cabeça em reprovação e começo a limpar a poeira do móvel com o maior cuidado, afinal, custou uma fortuna. 

Confesso que detesto montar todos esses móveis, mas, ao mesmo tempo, adoro a sensação de ser útil para Quinn. Gosto da forma que ela me deixa tomar conta da situação e confia em mim para resolver nossos problemas, nem que seja para colocar um quadro na parede ou desentupir a pia que ela insiste em dizer que não sabe como entupiu, mas, no fundo sabemos que ela sempre deixa cair restos de comida no ralo. 

Sinceramente? Amo a nossa rotina de casados. Já se foram seis anos, e ainda assim não me canso. Compramos uma casa em uma rua tranquila de Chicago, perto dos nossos trabalhos, com uma garagem ampla e um gramado bem-cuidado para nossos momentos de lazer. Temos um casamento saudável, apesar de não ser sempre fácil, e tentamos ser o melhor um para o outro. Às vezes brigamos, implicamos um com o outro, mas sempre buscamos meios de resolver as nossas diferenças pacificamente, e por isso vivemos em harmonia a maior parte do tempo. 

Não me arrependo de nada. Eu nunca imaginei que acabaríamos assim, casados, depois de como tudo começou, mas quando tive certeza dos meus sentimentos por Quinn, eu sabia que era com ela que eu queria passar a minha vida toda. Depois de um ano e meio de namoro, eu a pedi em casamento, e poucos meses depois nós subimos no altar e selamos nossos votos. 

Eu achei que o amor não era para mim, mas a vida tem maneiras estranhas de nos surpreender. 

Não me falta mais nada. Talvez um cachorro. 

— Quinn — chamo de novo. — Se você não aparecer em um minuto, eu vou jogar isso aqui fora. 

Normalmente essa ameaça sempre funciona, e não deu outra: Quinn aparece na porta interna da garagem, que dá para a casa, em um segundo, e abro um sorriso travesso. 

— Ah, aí está você… — meu sorriso vai sumindo à medida que eu olho para ela. — Ei, tá tudo bem?

Quinn está pálida. Tão pálida que o tom chocolate da sua pele se transformou em algo acinzentado. Seus olhos estão levemente arregalados, até mesmo amedrontados, e isso me deixa apreensivo. 

Paro o que estou fazendo imediatamente e me aproximo dela, limpando a mão no pano que antes eu limpava a mesa de centro. 

— Aconteceu alguma coisa? — insisto, franzindo o cenho. 

Chego perto o suficiente para vê-la engolir em seco. E suas mãos… estão atrás das costas. 

— Você se machucou? — tento ver atrás das suas costas, mas ela recua um pouco. Isso me deixa um pouco nervoso. — Ah, meu Deus, você arrancou o dedo? — Isso não seria surpresa, apesar de apavorante… ela sempre vive se machucando. 

— Eu não sei como te dizer… — sua voz sai fraquinha. — Talvez fosse mais fácil ter perdido um dedo — ela tenta brincar, mas seu sorriso é totalmente amarelo. 

— Nada é pior do que perder um dedo — tento amenizar o clima com um sorriso. — Mas tenho certeza que, seja lá o que for, vamos dar um jeito. Eu prometo. 

Quinn engole em seco mais uma vez, balança a cabeça como se aceitasse minhas palavras, e finalmente tira as mãos de trás das costas. Eu não entendo de primeira, mas quando ela coloca o pequeno objeto na palma da minha mão… eu paraliso. 

Diante do meu choque, ela começa a dizer em um tom de desespero:

— Eu não sei como isso aconteceu, quer dizer… é meio óbvio, né? — Uma risada desesperada lhe escapa. — O que eu quero dizer é: eu estava… estou tomando os meus remédios com responsabilidade, só que…

— … métodos contraceptivos não são cem por cento eficazes — eu completo, ainda olhando fixamente para o teste de gravidez na palma da minha mão, com dois risquinhos no painel eletrônico. 

Um caroço se instala na minha garganta, e continua crescendo, e crescendo, até se tornar difícil de respirar. Meus olhos marejam. 

Pai.

Eu serei pai

Ergo o olhar para o rosto dela, e vejo que ela está com medo. Talvez pela minha reação. Eu tive a chance de ser pai há alguns anos atrás, mas fui enganado, e isso me marcou profundamente. Antes de nos casarmos, tivemos uma conversa sobre isso, e decidimos não ter filhos até que eu me sentisse pronto. 

Mas quando seria isso, afinal? Já se passaram seis anos, e nunca mais tocamos no assunto… não era algo para o qual eu estava preparado, mas a situação bateu à porta, e agora a mulher da minha vida está esperando que eu faça alguma coisa a respeito. 

— Desculpa — pede ela, com a voz chorosa. 

— Não se desculpe.

— Eu sei que você está chateado. 

— Não! Por favor, não… — eu largo o teste e seguro o rosto dela com as minhas mãos. — Eu nunca ficaria chateado com isso, eu só estou… surpreso. Só isso. 

— Eu estou assustada — admite ela, lágrimas brotando em seus olhos.

— Não fique — eu a puxo para o meu peito, abraçando-a. Tenho certeza que ela pode ouvir o meu coração batendo fortemente. — Vamos lidar com isso. Juntos. 

— Você não está assustado? — ela funga.

— Muito — confesso, deixando um riso nervoso escapar. — Mas eu sempre quis ser pai, e tudo o que aconteceu fez esse sonho ser adiado por muito tempo… e se tiver de acontecer, fico feliz que seja com você. Eu te amo muito, e vou amar o nosso filho ou filha incondicionalmente. Vou cuidar de você dois. Eu prometo. 

Ela ergue o rosto e me olha com um sorriso emocionado. 

Quinn lança um olhar para a mesa de centro e diz:

— Acho que vamos precisar economizar nos móveis e começar a investir em berços e fraldas. 

Rimos juntos, e depois eu capturo os seus lábios em um beijo cheio de amor, para selar a promessa de que seremos ainda mais felizes nesse novo capítulo das nossas vidas. 

QUERIDO VIZINHO Onde histórias criam vida. Descubra agora