Capítulo 29

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Acordo com o barulho da chuva se chocando contra a janela do quarto, e está tão frio e tão escuro que meu único desejo é permanecer debaixo das cobertas, com o corpo de Quinn me envolvendo em uma camada de conforto agridoce

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Acordo com o barulho da chuva se chocando contra a janela do quarto, e está tão frio e tão escuro que meu único desejo é permanecer debaixo das cobertas, com o corpo de Quinn me envolvendo em uma camada de conforto agridoce. 

Olho para a mesa de cabeceira, na direção do despertador. Ainda não são 6 da manhã, mas a rotina do hospital nunca me deixa dormir o suficiente mesmo quando estou de folga. Força do hábito. 

Mas nem mesmo a rotina é capaz de me fazer levantar agora e me separar de Quinn, e quando estou prestes a fechar os olhos mais uma vez e aproveitar a sua companhia, sua voz, baixa e suave, flutua até os meus ouvidos:

— Por que acordou tão cedo?

Olho para baixo, mais especificamente para o rosto dela, mas seus olhos permanecem fechados. 

— Por que você está acordada tão cedo? — retruco com outra pergunta.

— Tenho que levantar em alguns minutos — ela me lembra. — Meu voo sai às 8.

Ah, sim. O maldito voo.

— Por que você tem que ir à Espanha? 

Um leve sorriso se desenha pelos lábios dela.

— Humm, não sei. Suponho que eu seja a cerimonialista e que preciso estar presente no casamento da minha cliente. 

— Por que essa tal cliente decidiu casar tão longe? Há várias igrejas legais em Chicago. 

Quinn abre os olhos, apesar de ainda parecer sonolenta, e me lança um olhar divertido.

— Ela não é americana, é? A família e o noivo são da Espanha. 

— Mas ela mora aqui — argumento.

— Você está mesmo preocupado com a localização do casamento de uma pessoa que você nem conhece ou é outra coisa? — insinua ela. 

— O que está sugerindo, Regina? — Faço-me de desentendido. 

Ela torce o rosto pela menção do seu apelido “carinhoso”. 

— Você prefere me insultar a ter que admitir que vai sentir saudade? 

Abro a boca, prestes a dizer uma gracinha, mas quando olho nos olhos dela, a piada se perde e eu só consigo sentir o meu peito cheio de coisas que não ouso dizer em voz alta. 

— Vou sentir saudade, Quinn. Muita. 

Há um momento de silêncio enquanto encaramos um ao outro, e vejo tantas coisas passando em suas órbitas… ou são reflexos dos meus próprios sentimentos? Difícil dizer, mas posso jurar que sinto o coração dela batendo mais rápido contra a minha pele. 

— Também sentirei saudade — declara ela, baixinho, um pouco tímida. — Mas eu estarei a uma chamada de distância, sempre que precisar. 

— E se você estiver ocupada demais com algum espanhol para me atender? — Brinco, apesar de sentir um incômodo no estômago só de pensar na possibilidade. 

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