capítulo 32

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Ann

Querido Weston… 
Droga, eu nunca escrevi uma carta antes, mas acho que prefiro começar essa aqui com a seguinte frase: 
E aí, cuzão? 
Aposto que você deve estar me repreendendo agora mesmo, ou talvez dando uma boa gargalhada… bom, espero que seja a última opção, pois, se esta carta chegou às suas mãos, significa que eu perdi a minha batalha. Mas não se preocupe, tá? Perder nem sempre é uma coisa ruim. 
Quando eu descobri o câncer, eu era jovem demais para entender o impacto que isso teria na minha vida. Conforme os anos foram se passando, eu realmente comecei a entender a gravidade da coisa, e desde então, tentei aceitar, todos os dias, que meu tempo nesse plano seria reduzido. Muitas vezes eu fiquei com raiva de tudo e de todos e me perguntei várias vezes o porquê de ser condenada a isso, e fiquei procurando motivos que me fizessem acreditar que eu merecia passar pelo que passei. Mas às vezes não existem respostas para essas perguntas, elas simplesmente acontecem. Então eu apenas aceitei o meu fim, e as coisas se tornaram melhores depois disso. 
Acredite ou não, eu vivi os melhores dias da minha vida — ok, nem todos os dias foram bons, mas a maioria deles, sim.
Como posso ter raiva da leucemia se ela me trouxe você? 
Por favor, não pense que sou uma das enfermeiras malucas que tem uma paixonite por você — não sei o que elas têm na cabeça, você é um idiota, mas, confesso… você é um idiota legal, então acho que elas teriam sorte de ter você. 
Você sabe que não sou boa com elogios quando se trata de você, Weston, eu prefiro te insultar, mas no fundo nós dois sabemos que essa é minha forma carinhosa de demonstrar carinho quando se trata de você. 
Durante todos esses anos, tentei preparar os meus pais para a minha partida, mas nunca consegui encontrar meios de preparar você. Sempre que eu olhava em seus olhos, eu via uma esperança avassaladora, e admito: isso partia o meu coração, porque eu sabia que, de todas as pessoas, você seria a que mais sofreria com a minha partida. Criamos um vínculo incrível, não é mesmo? Você se tornou um irmão para mim, parte da família, e estou aqui agora escrevendo essa carta com o coração apertado, na esperança de que essas palavras lhe deem um pouco de conforto quando eu partir.
Sei que é inútil pedir para que não sofra, mas quando as coisas ficarem difíceis, eu peço que olhe para trás e lembre de todos os bons momentos que passamos juntos. E por favor, Weston, não se culpe de modo algum pela forma que as coisas terminaram. Você fez tudo o que pôde, e agora é hora de me deixar ir. Não tenho medo, e meu coração está em paz. Tenho sonhado todas as noites com praias brancas, conforme conversamos uma vez, e quer saber de uma coisa? Parece a visão do paraíso para mim.
Eu sempre estarei contigo, mesmo que seja apenas lembranças gravadas na sua memória. Quero que você seja feliz, Weston, e isso não é uma opção. Esse é o meu último pedido, e se você não cumprir, terei que voltar do além como um espírito obsessor e puxar o seu pé. 
Apenas abra o seu coração para novas possibilidades, e não perca todo o seu tempo preso entre essas paredes brancas e hostis do hospital. Tem um mundo inteiro lá fora para você, uma vida perfeita para ser vivida, coisas a explorar, coisas que não pude fazer, mas você pode. 
Então, por favor, me prometa que vai viver da melhor forma possível, sem ter medo de errar ou começar de novo. 
Esse é o meu último pedido, e sei que irá honrá-lo. 

Adeus, querido amigo.
Da sua paciente favorita,
Ann.

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