30 | life is ephemeral

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CAPÍTULO NARRADO POR EDWARD CULLEN

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CAPÍTULO NARRADO POR EDWARD CULLEN


Eu acreditei estar fadado a uma existência miserável, um ser sombrio e sem alma. Ver Carlisle e os outros da mesma forma que eu me enxergava, apesar de amá-los, tornava-se uma punição ainda maior. Havia neles algo que parecia inatingível para mim. Uma luz que, por mais que tentasse, eu não conseguia acolher.

Entretanto, todos haviam encontrado alguém com quem dividir o fardo da eternidade. Rosalie tinha Emmett; Alice tinha Jasper; até Carlisle tinha Esme. Todos, menos eu.

Seria eu menos merecedor? Talvez o castigo fosse justo. Durante alguns anos de minha enfadonha vida — se é que poderia chamá-la assim — cometi atrocidades e, em um falso pensamento de superioridade, menti a mim mesmo que estava fazendo algo benevolente: limpando um pouco da escória do mundo. Eu era um assassino de assassinos, nada mais.

Quando finalmente percebi que aquilo não me tornava melhor do que qualquer um deles, voltei a vagar. E, em algum ponto dessa peregrinação vazia, retornei para Carlisle, como quem busca redenção. Mas, mesmo cercado por aqueles que me amavam, eu permanecia sem rumo, sem motivo. Até ela chegar.

Selene Brandon.

O som de seu coração era diferente dos demais, não pelo compasso, mas pelo que ele causava em mim. Desde o início, ela me olhou como se pudesse ver através de cada sombra que eu tentava esconder. Ela não se afastou. Ela não fugiu. E isso me desarmou de uma maneira que nenhum século havia conseguido fazer.

Se eu pudesse sonhar, é Selene que povoaria todos os meus sonhos durante as noites que eu passaria a estimar mais. Eu os agarraria por toda a eternidade, porém os sonhos tendem a ser efêmeros. E como um sonho, ela estava partindo.

Agora, ela jazia imóvel diante de mim. Sua respiração era irregular, os batimentos cardíacos frágeis, mas ainda presentes. Ainda havia algo lutando ali.

O mais delicadamente, corri meus dedos por seu rosto, traçando as linhas suaves de suas bochechas, sentindo o sangue correr lentamente por debaixo daquela pele tão macia e quase tão pálida quanto a minha.

— Eu irei fazer isso. — Minha voz saiu grave, uma promessa que não aceitava réplica. Não desviei o olhar dela nem por um instante. — De um jeito ou de outro, eu estaria perdendo. Mas não vou deixá-la partir tão facilmente. Não sem ao menos tentar.

Alice estava parada a poucos passos, os olhos arregalados, os pensamentos gritando dentro da minha mente como se fossem meus próprios. O conflito em sua consciência era quase palpável. Ela queria discordar, mas não podia.

Tudo isso havia durado tempo demais e, ao mesmo tempo, nada. Um instante e uma eternidade.

— É isso o que ela quer. — Respondi aos pensamentos de Alice. — Ela pode não ter dito, mas eu ouvi. Ela quer viver.

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⏰ Última atualização: Aug 18, 2025 ⏰

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