27 | life is finite

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A morte me trouxe uma perspectiva diferente sobre a vida

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A morte me trouxe uma perspectiva diferente sobre a vida. Afinal, começamos a considerar a importância de meros momentos, uma vez que podemos jamais voltar a repeti-los. Mas a verdade é que deveria ser assim desde o início, já que toda vida pode acabar em um piscar de olhos, ou era o que eu pensava.

E ali estava eu. Uma vida finita, marcada por fragilidade, respirando entre seres que pareciam moldados pela eternidade.

Essa ideia me consumia enquanto eu observava o pequeno quarto que chamei de meu refúgio nos últimos meses. Cada livro, as poucas fotografias emolduradas, e até as pequenas estrelas coladas no teto carregavam uma lembrança, um eco de quem eu era antes de tudo isso. Eu poderia facilmente dividir minha vida em etapas diferentes, antes de descobrir que estava morrendo, e antes de descobrir que eles eram vampiros.

Uma batida suave na porta interrompeu meus pensamentos.

— Selene? — A voz de Edward era como um murmúrio de seda, carregada de uma preocupação que eu quase podia tocar.

Levantei-me hesitando por um momento antes de forçar meus passos em direção a porta, rodando a maçaneta entre meus dedos. E ali estava ele, impecavelmente paralisado como uma escultura renascentista.

— Posso entrar?

Movi a cabeça minimamente, incapaz de confiar na minha voz. Ele entrou, mas manteve uma distância respeitosa, como se temesse cruzar uma linha invisível.

— Há um lugar que quero te mostrar. — Suas palavras eram cuidadosas, quase hesitantes. — Se você quiser...

— Agora? — Olhei para ele, surpresa.

Eu passava a maior parte do tempo no quarto nos últimos dias, me isolando e pensando em tudo o que Alice me contou. Eu usava a desculpa que estava cansada ou não me sentindo muito bem, o que não era totalmente mentira. Desde que os medicamentos pararam de dar qualquer resultado, eu já podia sentir os sintomas por todo meu corpo, mas esse não era o único motivo, e eles sabiam.

Esme era quem mais aparecia, com pratos variados e qualquer outra coisa que eu pudesse imaginar precisar, mesmo eu lhe dizendo que não precisava se preocupar e que eu poderia fazer sozinha. O seu jeito amável e maternal de agir fazia ser quase impossível lembrar que ela não era humana, quase.

— Sim. — Um canto de sua boca se curvou em um meio sorriso. — Acho que vai gostar.

Eu poderia recusar, parte de mim achava mais seguro. Mas ao olhar em seus olhos dourados, sabia que não havia algo em mim com forças o suficiente para negar algo a Edward.

O garoto de cabelos acobreados estendeu a mão em minha direção, como se enxergasse a rendição estampada em meu rosto e nada fiz além de entrelaçar meus dedos aos seus, sentindo o contraste entre nossas temperaturas.

O caminho de carro foi silencioso, eu o observava a maior parte do tempo, desviando sempre que seu olhar encontrava com o meu. Eu não sabia ao certo o que deveria dizer, mas sentia que deveria falar algo.

Redline | TwilightHistórias para pegar e não largar. Descubra agora