Alice Cullen sempre achou que seu passado nunca seria desvendado e apesar de ter conseguido a família que tanto procurou, ela sentia como se algo faltasse, mas talvez ainda houvesse esperança.
Após descobrir que ainda tem uma parente viva, ela deci...
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Não tinha certeza a quanto tempo estava sozinha naquele quarto e não sabia se o que me incomodava era o fato de não me sentir confortável para ir até outros cômodos ou apenas por estar envolta a todo aquele silencio.
O quarto não me desagradava, longe disso, toda a decoração parecia ser perfeitamente feita para mim, o que fazia-me perguntar se Alice por acaso tinha algum dedo naquilo. Mesmo querendo acreditar que a família não gastaria em uma decoração apenas para que eu me sentisse confortável, acabei por achar ser uma grande coincidência.
Todos eles pareciam muito bem sucedidos, não apenas pelo lugar onde moravam, mas também por suas aparências e modos, era facilmente notável que os Cullen eram uma típica família de classe alta no país.
Qualquer vestígio de sono que residia em mim, havia se dissipado assim que adentrei a charmosa mansão, dando lugar a curiosidade. Uma vez que Alice e Esme me deixaram no quarto, dizendo que iriam preparar algo para que eu pudesse comer, e que eu poderia descer assim que me sentisse confortável, havia se instalado uma súbita vontade de explorar a casa.
Me sentia mais confortável nas novas peças de roupas que usava, essas também sendo de frio, que havia separado antes de um longo banho quente. Fora quase impossível sair do banheiro que estava aconchegante por conta do vapor, iria demorar para me acostumar com o clima da cidade.
Deixando de lado um pouco minhas inseguranças, finalmente decidi por sair do quarto. Sorrateiramente, assemelhando-me a uma criança que fugia após sua hora de dormir, acabei rindo baixinho com esse pensamento.
As botas de cano curto que eu usava não obtinham saltos, o que facilitava em minha descrição ao andar pelos corredores. Haviam quadros por toda as paredes, completamente diferente do eu já havia visto, pareciam antigos.
Alguns tinham cores suaves e geralmente exibiam paisagens, mas um em especifico era fúnebre, as cores escuras predominavam conforme exibia um grupo de pessoas encapuzadas. Eu não entendia muito de arte, então não julgaria, mas não era algo a qual eu teria em casa.
Tornando a andar e voltar a minha exploração me encontrei no topo da escada que eu havia subido mais cedo para chegar ao meu novo quarto. Hesitantemente, comecei a descer os degraus, ainda tentando não fazer barulho.
Me encontrei na sala de estar onde não se havia ninguém, todos provavelmente tornaram a fazer algo importante após se apresentarem para mim. O baixo farfalhar das folhas chamaram minha atenção, fazendo com que eu me aproximasse do que eu agora presumia ser uma parede de vidro.
A paisagem em maioria verde, parecia se estender muito além do que meus olhos poderiam enxergar. Tudo era tão belo que parecia ter saído de algum filme, a pequena Forks guardava uma grande e desconhecida beleza.
Girei sobre meu calcanhares lentamente, procurando por mais alguma coisa que prendesse minha atenção, uma vez que eu não fazia a mínima ideia de onde a cozinha ficava. Comecei a andar lentamente, tentando expandir meu campo de visão quando meus olhos automaticamente focaram em algo, um piano de calda longa.
Como de costume em tudo que estava na casa, era simplesmente esplendido, totalmente diferente do qual minha avó já havia tido, um piano de armário. Como um imã fui guiada em sua direção, sem ao menos piscar.
Olhei para os lados rapidamente, tendo a certeza de que ainda estava sozinha, para então dedilhar algumas teclas logo em seguida ouvindo o som melódico soar por meus ouvidos.
— Então, você toca? — Uma voz se fez presente ocasionado em meu susto conforme eu afastava meus dedos rapidamente do piano.
Olhei sobre meu ombro em um movimento rápido demais, encontrando o garoto de cabelos acobreados alguns metros distante, mas que logo se aproximara conforme eu cruzava os braços.
Havia acabado de ser pega bisbilhotando a casa por Edward Cullen.
— Desculpe, não fora minha intenção te assustar. — Ele continuou polidamente enquanto eu estava acuada demais para lhe responder.
— Ahn... Eu que devo desculpas, não deveria estar aqui. — Comecei incerta, olhando para os lados sem ter certeza do que deveria falar.
Eu certamente não queria causar uma má impressão para nenhum deles, principalmente pelo fato de estar hospedada na casa deles de favor e também porque não queria causar problemas a Alice, uma vez que ela se oferecera para me trazer de tão bom grado.
— Está tudo bem. Por favor, você pode continuar. — Ele tornou a se aproximar, passando ao meu lado e se sentando no banco.
Ele me olhou sugestivamente, arqueando um sobrancelha e dando um pequeno sorriso, como se esperasse que repetisse seu gesto.
Ainda incerta, foi exatamente o que eu fiz. O silencio predominou por alguns segundos, parecendo incomodo apenas para mim já que Edward parecia estar entretido com algo que eu desconhecia.
— Eu certamente gostaria de tocar mais do que sei. — Divaguei em uma forma de puxar assunto. — Minha vó me ensinou algumas coisas, mas eu tive poucas aulas...
— É algo que eu gostaria muito de ver, apenas eu desfruto do piano em casa. — Ele me respondeu suavemente, sua voz era mansa e gentil.
Ele me encarava com expectativa, fazendo-me novamente olhar para suas orbes extremamente douradas, como ouro liquido. Ainda insegura sobre meus gestos, tornei a aproximar minhas mãos do piano e novamente voltando a dedilhar as teclas, iniciando uma melodia.
Poucos segundos depois, surpreendentemente, Edward começou a me acompanhar com extrema facilidade, tocando perfeitamente como alguém que fazia isso a vida inteira e parecendo não se importar quando eu errava alguma tecla.
Aos poucos a melodia se completou, por fim parecendo uma musica familiar conforme nós dois tocávamos. Um sorriso involuntário surgiu em meus lábios, quando eu percebia que novamente estava tocando, mesmo que não perfeitamente, algo que pensei que jamais faria desde que minha mãe teve que vender o piano da vovó para pagar algumas contas.
Quando por fim terminamos de tocar aplausos foram ouvidos, tornando a presença de Esme e Alice reconhecida por mim, rapidamente senti minhas bochechas esquentarem de vergonha, eu certamente não esperava uma plateia.
— Isso foi tão lindo! — A matriarca exclamou parecendo estar encantada.
Sorri em agradecimento, observando Alice continuar a bater palmas frenéticas de forma animada acarretando em uma risada da minha parte. Tornei a olhar para Edward que sorria, ainda me observando.
— Fora uma experiencia maravilhosa tocar com você, Selene. Espero que possamos a repetir. — Ele por fim disse, de forma agradecida enquanto eu acenava com a cabeça em concordância.