Capítulo 52

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Camila estava demorando e por isso resolvi subir com Júlia, e não foi difícil indentificar que os meninos ainda jogavam, já que eu podia escutar suas vozes de longe. Sem contar que assim que passei na porta do quarto de Juan, encarei os três pestinhas.

- O que acham de tomar banho e descerem para o jantar? Já passaram tempo demais ai - é claro que vários resmungos ecoaram, e eu acabei cedendo ao pedido deles em terminarem aquela partida.

Segui para o quarto de Noah e o peguei terminando de se arrumar, pedindo para a babá lhe encher de perfume, o que me fez sorrir. Ele era um homenzinho muito cheiroso e charmoso, e isso juntamente com algumas das suas feições, infelizmente me lembravam alguém que eu ainda luto para esquecer.

- Veja, mamãe - se aproximou e eu baixei um pouco assim que ele mostrou seu pescoço. - Estou cheiroso? - sorri inalando seu aroma infantil.

- Como um verdadeiro príncipe - beijei sua bochecha, notando ele sorrir satisfeito.

Noah pediu para ver Júlia e eu mostrei nossa pequena garotinha dormindo, afinal era o que ela sabia fazer de melhor.

- Posso levar ela para o quarto - a babá estendeu os braços assim que Noah me pediu ajuda em uma atividade escolar.

- Tudo bem - sorri passando a dorminhoca para os braços da mulher mais velha. - Obrigada - agradeci e ela saiu em seguida.

Ajudei meu pequeno príncipe dando a devida atenção a ele, já que desde que Júlia nasceu, mesmo amando a irmã, eu e Camila percebemos um certo ciúmes da parte dele.

- Posso colorir meu elefante de vermelho?

- Claro que sim - assenti entre um sorriso.

Depois que ele terminou, guardou todos os materiais e juntos seguimos para fora dali, tendo ele praticamente correndo até o quarto dos irmãos. Cheguei logo em seguida, constatando que eles não jogavam mais.

Olhei para a porta de Jenna e ainda estava fechada, da mesma forma que encontrei quando subi. Suspirei, por mais que eu estivesse me distraindo com outras coisas, estava curiosa e preocupada.

E em um ato de coragem fui até lá, me mantendo quieta, tentando ouvir alguma coisa. E depois de alguns segundos decidi abrir a porta devagar, e a cena que capturei aqueceu meu coração.

Jenna estava deitada com a cabeça no colo de Camila enquanto minha latina acariciava seus cabelos.

Camila me encarou e pressionou os lábios. No fim me oferecendo um sorriso limitado, esse que eu retribui.

- Está tudo bem? - perguntei baixinho, sem querer quebrar o clima de aconchego que encontrei no quarto.

Observei Jenna se encolher um pouco antes de se virar e encontrar meu olhar. Meu coração apertou em ver seus olhos avermelhados.

- Ed terminou comigo - sua voz chorosa me quebrou ainda mais.

Pressionei os lábios e invadi o quarto, e não demorou para ela entender minha intenção e me permitir lhe abraçar.

- Oh, querida... - passei minha mão por suas costas, fazendo um carinho.

Jenna começou a chorar baixinho.

- Eu achei que ele fosse diferente - murmurou, sua voz falhando no final. - Achei que... que ele me amava de verdade e que iria me entender - Camila beijou o topo da cabeça dela, num gesto cheio de ternura, eu sabia que ela também estava sofrendo apenas por ver Jenna naquele estado.

- Ei... - encarei seus olhos. - Lembra do que conversamos? - ela assentiu. - Você merece alguém que queira a sua companhia independente de como e onde está, porque é isso que importa em uma relação, a cumplicidade e companheirismo. Não se apegue a alguém que testa seu amor como se ele sempre estivesse em jogo, até porque isso não é e nunca será um sentimento verdadeiro - as lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto de Jenna, e dessa vez ela não lutou contra elas. Se permitiu chorar, como a garotinha que eu tenho certeza ainda morar dentro dela.

Eu permaneci ali, oferecendo minha presença, tentando transmitir através do simples toque que o amor dela não havia acabado junto com o relacionamento. Ela ainda tinha a nós, sua família.

- O que acha de uma pizza? - Camila sugeriu.

Jenna ergueu o olhar úmido para a mãe, um pouco hesitante, mas com uma centelha de esperança escondida no fundo dos olhos.

Camila sorriu de leve, erguendo uma sobrancelha a fim de animar um pouco a garota.

- Vou poder pedir a minha preferida?

- Quantas vezes você quiser - minha latina garantiu. - Faço tudo apenas para ver um sorriso seu - e como mágica Jenna ofereceu um meio sorriso, curvando seus lábios entre o choro.

Ficamos um tempinho ali, ouvindo tudo que a garota tinha a dizer, sem contar que as caras e bocas que Camila fazia todas as vezes que ouvia a palavra "sexo" saindo da boca da filha arrancava uma risada minha, estava óbvio que ela se segurava ao máximo para não falar nada a respeito, completamente desconfortável.

- E você achou o que? Que sua princesinha nunca chegaria a essa fase? - revirei os olhos para ela, assim que entramos em nosso quarto e ela não tardou em me encher com o assunto. - Eu só procurei ser o apoio que ela buscava, ou acha mesmo que se eu simplesmente me colocasse contra ela, ela teria a maturidade que teve? - cruzei os braços e ergui uma sobrancelha. Camila suspirou.

- Você tem razão - deixou os ombros caírem. - Eu só não posso lidar com o fato da minha garotinha estar se tornando uma mulher - falou como se isso fosse algum crime. - Ela ainda é o meu bebê! - novamente revirei os olhos.

- O único bebê que temos aqui é Júlia - instantaneamente ela olhou para o berço. - Jenna está crescendo, tendo suas próprias opiniões, nosso dever é apoiar ela independente das suas escolhas, e isso não quer dizer que devemos fechar os olhos para tudo que vermos, mas sim tentar mostrar e demonstrar nosso cuidado e amor - ela suspirou. - Não podemos viver a vida dela quando ela tem o direito de fazer isso...

Observei minha latina caminhar até nossa pequena e acariciar a bochecha rosada, sorrindo em seguida ao notar o reflexo de um biquinho enfeitar os lábios de Júlia.

- Como pode passar tão rápido? Era bem mais fácil quando Jenna ainda era desse tamanho - revirei os olhos. Quanto drama, meu Deus!

Me aproximei e abracei seu corpo por trás. Encostei meu queixo em seu ombro e senti o suspiro que ela soltou, pesado, cheio de um misto de nostalgia e receio.

- Amor… - Camila apoiou sua mão sobre a minha.

- Eu sei, estou sendo dramática - murmurou baixinho. - Mas é que... parece que estou perdendo minha garotinha.

- Você não está perdendo, Camila - afirmei com firmeza, buscando seus olhos quando ela se virou um pouco para mim. - Está dando espaço para ela se tornar uma mulher incrível. E você não pode controlar a vida dela para sempre, então ela vai tropeçar, vai chorar, vai amar e também se decepcionar, mas sempre vai voltar para os nossos braços, porque aqui é o lugar seguro dela.

Os olhos castanhos da minha esposa brilharam, e antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ela se virou de vez, enlaçando meu pescoço e colando os lábios nos meus num beijo demorado, cheio de gratidão.

Quando nos separamos, ainda unidas pelo abraço, ela suspirou com um sorriso frágil.

- Obrigada por estar aqui.

- E onde mais eu estaria? - sorri de lado. - Agora que tal deixar isso de lado e ir lá embaixo? - ela me encarou sem entender. - Você pediu para preparar o jantar, lembra? - Camila arregalou os olhos.

- Já volto - me deixou um selinho e praticamente saiu correndo, me arrancando uma risada.

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