Capítulo 57

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- Um ano - mamãe falou encantada. - Parece até que nasceu ontem - continuou boba com a passagem do tempo.

- Nem me fale - olhei para meu bebê nos braços de Dinah, enquanto era paparicada por muitos, o que eu podia notar que ela estava adorando.

- Está na hora de me dar mais netinhos - arregalei os olhos ao encarar minha mãe novamente. Mas acabei sorrindo enquanto negava com a cabeça.

- Estamos bem com os seis - olhei ao redor, capturando cada um deles. - Sabe, mãe? É estranho quando meu passado decide invadir minha mente - senti seu olhar sobre mim. - Porque eu não me vejo diferente do que sou e me tornei hoje, é como se eu não existisse antes de conhecer Camila e isso me assusta na mesma proporção que me completa - suspirei.

- E por que isso te assusta?

- Porque eu já provei das duas fases e agora sei que nunca viveria sem nenhum deles na minha vida - senti seu braço me rodear, me abraçando de lado.

- Nem eu - sussurrou antes de beijar minha bochecha.

Ficamos mais um tempinho conversando até que Camila veio até nós, me abraçando por trás.

- Está na hora dos parabéns - comentou sorridente. - Vamos? - encarei seu rosto de lado, observando seus olhos brilhando.

- Vamos - sorri.

As luzes coloridas do salão piscavam suavemente quando Camila me puxou pela mão. O cheiro de doce se misturando ao riso das crianças correndo de um lado para o outro fazia uma perfeita junção. Júlia que ainda estava no colo de Dinah, batia palmas em empolgação.

Olhei ao redor para capturar os demais, notando os gêmeos disputando quem chegava mais perto da mesa de doces sem Verônica notar. Jenna tirava algumas fotos juntamente com sua amiga, essa que estava cada vez mais próxima da nossa família. Juan fazia pose de DJ, observando um primo de Camila controlar as músicas. E Noah tentava alcançar os balões gigantes em formato de “1”, sendo acompanhado por outras crianças.

- Ou cantamos parabéns agora ou não haverá mais decoração - Camila cochichou ao meu lado, chamando a atenção da mãe para que ela visse o que Noah e os amigos faziam.

Chamamos a atenção de todos e não demorou para que estivéssemos cantando todos juntos. E do mesmo jeito de mais cedo, Júlia estava adorando tudo aquilo, abrindo um lindo sorriso banguela que derreteu meu coração. No fim minha latina segurou sua mãozinha para “ajudar” a apagar a vela, e o salão explodiu em palmas, gritos e flashes.

Comecei a servir o bolo, mas antes de tudo oferecendo o primeiro pedaço para minha pequena, afinal a festa era dela. Mamãe e Sinuhe me ajudaram, não tinha muita gente, apenas alguns amigos de trabalho e a família calorosa da minha latina, esses que sempre fizeram questão de estar em momentos como esses.

Quando me sentei perto dos meus amores, suspirei sentindo meu peito se encher de amor. Eu estava feliz entre pessoas que eu amo, ainda mais comemorando a vida da minha pequena.

Depois do bolo, o salão novamente virou uma bagunça deliciosa, a música voltou com tudo e as crianças não conseguiam ficar paradas nem por um segundo.

- Veja - apontei com a cabeça para as duas afastadas. Camila seguiu meu olhar e analisou a cena.

- Espero que ela seja melhor que Ed - revirou os olhos no fim, me fazendo sorrir.

Olhei novamente para Jenna e Anne.

- É, eu também espero - suspirei.

Não demorou para entrarmos em outra conversa, sendo distraídas com a presença da tia e alguns primos da minha latina.

Após um tempo decidimos abrir alguns presentes, na intenção de distrair Júlia que já começava a dar sinais de exaustão. Ela foi colocada no centro de alguns embrulhos e sorriu com a aproximação dos irmãos.

Miguel e Manoel brigaram até pelo próprio presente, Noah abriu o seu e antes mesmo de oferecer para a irmã, explicou o que era. Juan deu um teclado, que por sinal era bastante barulhento. E Jenna deu uma boneca que parecia repetir tudo que escutava.

- Mama! - minha princesa falou apontando para a boneca, o que nos fez sorrir assim que a mesma repetiu a fala.

A cada pacote aberto, tendo vestidos, blocos de montar, mais bonecas e bichinhos de pelúcia, a plateia(nossos pestinhas) vibravam como se fosse final de um campeonato. E Júlia que mais se interessava nos papéis coloridos, batia palmas feliz.

Mas o momento mais emocionante para mim veio com o presente dos meus pais, que por mais que não tivessem me dado o devido amor e cuidado, pareciam compensar tudo com minha filha.

- Fiz com minhas próprias mãos - mamãe explicou, após mostrar a linda manta que ela mesma bordou, com o nome de Júlia.

Olhei em volta. Era impossível não sentir o coração transbordar.

O momento harmonioso durou mais algumas horas, e quando a exaustão estampava alguns rostos, algumas pessoas começaram a se despedir.

Só ficaram os mais íntimos, Sinuhe e Alejandro trocando olhares orgulhosos, mamãe e papai paparicando Noah, Dinah e Normani aconchegadas num canto e Lucy e Verônica, mais sérias do que o normal, em uma conversa baixa entre elas.

Foi então que Lucy pigarreou, chamando a atenção de todos.

- Já que estamos só entre nós... - ela deu uma olhada para as crianças, que estavam entretidas demais entre elas. - Eu e Vero queríamos compartilhar uma notícia - sorriu aparentemente nervosa, o que me fez estranhar.

Todos se viraram para elas. Verônica apertou sua mão como se estivesse tomando coragem para falar algo.

- Nós... - olhou para minha amiga. - Decidimos aumentar a família... vamos adotar uma criança - falou de uma vez, me fazendo arregalar os olhos.

O salão silenciou por um instante antes de explodir em emoção. Dinah deu um gritinho animado, afinal seria mais um sobrinho para ela e Normani.

Meus sogros se emocionaram instantaneamente, tendo Alejandro abraçando Sinuhe como se tentasse controlar a emoção da mulher.

Mamãe sorriu largo enquanto deitava contra o peito de papai, afinal por mais que um passado conturbado tenha existido, ela parecia sincera com seus sentimentos.

Eu e Camila fomos as primeiras a abraçar o casal, e eu não conseguia esconder toda emoção que existia em mim naquele momento.

- Ai, meu Deus! - pulei induzindo ela a fazer o mesmo. - Não acredito nisso! - agarrei seu pescoço, feliz demais com aquela notícia. - Finalmente vou ganhar um sobrinho! - encarei seu rosto, notando ela revirar os olhos, mesmo tentando esconder o enorme sorriso. - Isso é tão lindo... - abracei novamente seu corpo, agora tendo meus olhos cheios de lágrimas. - Você merece ser feliz - sussurrei.

- Eu sei - ela sorriu. - Sabe, tive um pouco de receio no começo, mas depois percebi que quando existe amor, ele não se divide, pelo contrário, se multiplica - suspirei apertando suas mãos. - E meu maior exemplo está bem aqui na minha frente - deixei algumas lágrimas caírem.

- Amo você - abracei seu corpo outra vez, fungando em seguida.

- Também amo você - ela me apertou na mesma intensidade.

Me afastei permitindo que outras pessoas também pudessem parabenizar ela, e segui até minha cunhada, também lhe abraçando.

- Vocês vão ser incríveis - falei nem me importando mais com algumas lágrimas, eu estava feliz e emocionada demais.

- Temos bons exemplos - ela sussurrou de volta, em um tom divertido e sincero.

E assim, naquela noite que já era tão especial, ganhamos mais um motivo para celebrar, não apenas o primeiro aniversário da nossa pequena, mas também o começo de uma nova história dentro da nossa família.

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