Capítulo 48

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Sorrio observando Camila brincar com os pestinhas enquanto estão em uma pequena guerra de água entre eles.

Estamos na nossa lua de mel, e é óbvio que eu fiz questão de trazer todos eles, pois o sorriso que cada um oferece em determinados momentos, completa os meus dias. Mas é claro que também trouxemos duas babás, afinal de contas a viagem também se refere a apenas eu e Camila.

- Mamãe, a mama jogou água nos meus olhos - Noah apareceu em minha frente com um enorme biquinho enfeitando seus lábios. Inconscientemente fiz o mesmo ao abrir os braços para o meu garotinho.

- Tenho certeza que foi sem querer - beijei sua bochecha, encarando todos eles virem logo atrás.

- Está ardendo? - Camila parecia preocupada e ele assentiu todo manhoso. - Desculpa a mama? - ergueu os braços que prontamente Noah aceitou.

- Já ficamos tempo demais aqui, provavelmente estão cansados - minha latina olhou para cada um, também constatando o óbvio.

- Tudo bem, vamos voltar para o hotel - assenti levantando e pegando algumas coisas.

Voltamos para o hotel e deixamos os pequenos aos cuidados das babás, porque para eu e Camila o dia ainda estava apenas começando.

- Posso ir com vocês? - a pergunta repentina veio de Miguel. Lhe encarei.

- Tem certeza? - assentiu. - Tudo bem, tem uma hora para se arrumar - mal esperou eu terminar de falar e saiu correndo. - Acha que ele vai gostar do passeio? - encarei Camila.

- Talvez - deu de ombros. - Tem certeza que não está cansada? Sabe que podemos deixar para mais tarde - me analisou bem.

- Estou bem - levei as mãos até minha barriga, parecendo um movimento automático. - E você sabe o quanto eu quis vir aqui e explorar tudo possível - assentiu sorrindente. - Então vamos? Ainda temos que nos arrumar antes de Miguel ou vamos acabar ouvindo ele resmungar ao nosso lado até cansar - revirei os olhos antes de guiar minha latina até o quarto.

(...)

Miguel apareceu já vestido, todo orgulhoso com sua camiseta nova e um boné que parecia maior que sua cabeça.

- Estou pronto - anunciou como se não fosse óbvio, mantendo sua postura costumeira.

- Ainda falta meia hora - Camila sorriu, ajeitando a gola da camisa dele. - Mas eu adorei ver esse entusiasmo - comentou divertida.

Saímos os três e pela primeira vez no dia, me permiti respirar fundo e admirar o lugar. As ruas iluminadas, o cheiro de mar misturado com temperos locais, a sensação de estar em um sonho que finalmente se tornava realidade.

Caminhamos sem pressa, Miguel falando apenas o básico, mas também questionando tudo o que via, enquanto eu e Camila trocávamos olhares cúmplices. Eu sabia que ela também estava aproveitando cada detalhe, não só da viagem, mas do que estávamos construindo juntas.

Paramos em uma feirinha onde Miguel insistiu em comprar algumas pulseirinhas iguais para todos. Escolheu uma vermelha para Camila e uma azul para mim.

- Assim todos vão ver que vocês são nossas mães - disse antes de me entregar como se fosse um presente sagrado.

Camila me olhou e com certeza meus olhos estavam marejados, ela segurou minha mão por baixo da mesa de artesanato, apertando firme.

Seguimos até um restaurante à beira-mar. O pôr do sol pintava o céu em tons de laranja e rosa, e Miguel estava fascinado com cada detalhe. Depois do jantar, o garoto já bocejava entre um comentário e outro, até que acabou adormecendo com a cabeça no meu colo, enquanto apreciava o show ao vivo.

Camila sorriu, acariciando seus cabelos.

- Veja só, nossa aventura terminou antes da hora para ele.

- Ele aproveitou até onde conseguiu - respondi baixinho, beijando o topo da cabeça dele.

Voltamos ao hotel em silêncio, deixando Miguel com as babás para descansar. E então finalmente ficamos apenas nós duas.

Camila fechou a porta do quarto devagar, como se quisesse prolongar o momento. Me encostei na varanda, observando a lua refletida no mar. Ela se aproximou por trás, envolvendo minha cintura e apoiando o queixo no meu ombro.

- Eu sonhei tanto com isso... - sussurrou.

- Com essa viagem?

- Com você. Com a gente... - Virei de frente para ela e por um instante fiquei apenas admirando aquele rosto que se tornou meu lar.

- Então aproveita, porque isso é apenas o começo. Ainda temos muito para viver.

Ela sorriu daquele jeito que sempre alcança minha alma. E quando seus lábios encontraram os meus, senti como se o nosso mundo tivesse parado outra vez, apenas para nos ver.

- Vem - sussurrou antes de segurar minha mão e me guiar.

Minha latina fechou a cortina da varanda, deixando a porta entreaberta para que a brisa do mar entrasse, suave, trazendo o cheiro salgado e fresco. Eu estava sentada na beira da cama, ainda meio perdida no contraste entre o turbilhão dos últimos dias e a calma daquele instante.

Ela se aproximou devagar, como quem não queria assustar a própria felicidade. Se ajoelhou diante de mim, colocando suas mãos em volta da minha barriga.

- Você tem ideia do que significa estar aqui, com você? - seus olhos castanhos brilhavam de emoção.

- Acho que sim - respondi também em um sussurro, acariciando seus cabelos. - Porque significa exatamente o mesmo para mim.

Camila apoiou a testa na minha barriga por um instante, num gesto tão simples e tão carregado de ternura, que senti as lágrimas ameaçarem escapar.

- Tenho tanta sorte em ter você... - sua voz continuou baixa e suave. - Se eu pudesse resumir tudo o que sinto em uma única palavra, ainda assim seria pouco diante da imensidão do que você significa para mim. Você chegou na minha vida como quem traz luz a um quarto escuro, me mostrando caminhos que eu nunca imaginei percorrer. Tenho muito a te agradecer, mas principalmente por aceitar fazer parte da nossa família, essa que eu percebi só estar completa depois que você chegou - não consegui mais controlar tanta emoção que me invadia. - Você é o meu porto seguro, meu melhor capítulo e o lar que eu sempre procurei. Nada no mundo se compara ao privilégio de dividir a vida com você, de te chamar de amor e de ver nossos filhos crescerem cercados por tanta felicidade - seu olhar intenso parecia me devorar, mas de um jeito bom e único. - Eu te amo com toda a intensidade que existe em mim, e quero que saiba que sempre serei grata ao destino por ter cruzado o meu caminho com o seu. Você é e sempre será o amor da minha vida - Engoli em seco, puxando seu rosto entre minhas mãos.

- Não devia fazer isso comigo - franziu o cenho. - Você me ama demais e isso chega a doer - sorriu entre o choro, notando ela fazer o mesmo.

Ela se ergueu um pouco apenas para capturar meus lábios. O beijo começou suave, mas logo se transformou em algo mais profundo, urgente, cheio de promessas.

Deitei para trás, trazendo ela comigo, sentindo seu corpo se encaixar perfeitamente ao meu. O mundo lá fora desapareceu. Não havia mais música, não havia mais vozes, apenas o som do nosso respirar entrecortado, dos suspiros que escapavam entre beijos e carícias.

- Eu te amo tanto... - murmurei encarando seus olhos.

- Também amo você, mais do que consigo explicar - respondeu beijando a pontinha do meu nariz.

Não houve pressa, nem cobrança. Apenas entrega. Cada toque parecia reafirmar o que tínhamos prometido uma a outra: amor.

E quando finalmente nos deixamos cair lado a lado, ofegantes e abraçadas, fiquei observando seu rosto adormecer lentamente, iluminado pela lua que entrava pela fresta da varanda.

Passei os dedos delicadamente por seus cabelos, guardando cada detalhe daquele instante.

Naquela noite, mais do que amantes, fomos duas almas que finalmente encontraram paz.

E antes de fechar os olhos, agradeci em silêncio por viver um amor que não apenas preenchesse, mas transbordasse.

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