Capítulo 30

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- Tem certeza que quer fazer isso? - já não tinha mais ideia de quantas vezes Camila me fez essa mesma pergunta.

Desde que subimos para seu quarto na noite anterior, ela estava com um enorme bico em seus lábios, tentei desmanchar de várias formas possíveis, mas nem as carícias durante nosso banho foi suficiente.

- Pensei que as horas que passou com Lucy serviriam para você absorver melhor a ideia - mesmo eu achando impossível, ela ficou ainda mais emburrada. - Vocês passaram horas naquela sala debatendo sobre os prós e contras de cada ação - dei de ombros terminando de verificar como a roupa de Camila estava em meu corpo.

- Sabe que pode ficar aqui o tempo que quiser, né? Pode ficar aqui até que esse desgraçado seja preso - revirei os olhos para mais uma tentativa sua. - Eu só não quero que você fique a mercê da loucura dele - levei um pequeno susto quando ela se aproximou de repente, mesmo que seu toque tenha sido o mais suave possível em minha cintura. - Se acontecer qualquer coisa com você... - pressionou os lábios.

- Não seja boba - me virei para ela, apoiando minhas mãos em seus ombros antes de deslizar por seus braços até alcançar suas mãos. - Sei me cuidar, sem contar que vou ter muita proteção - apertei suas mãos, tentando passar certezas através daquele toque. - Precisa relaxar um pouco, está muito tensa - ela sorrir sem muito humor.

- Impossível.

- Você sabe que quanto mais cedo pegarmos ele, melhor - sorrio levando uma mão até seu rosto, fazendo um carinho no mesmo. - Agora vamos? Ainda tenho que enfrentar seus monstrinhos, e estou nervosa demais para isso - ela se permitiu sorrir sincera após minha fala ser acompanhada de uma careta. - Não ria - tentei me afastar do seu corpo mas ela me manteve na mesma posição.

- Vai se sair bem assim como ontem - se na visão dela eu me saí bem ontem, nem quero imaginar o contrário.

- Tirando Noah e Manoel, não duvido nada do resto já ter colocado veneno no meu café - Camila soltou uma boa gargalhada, talvez não percebendo que meu medo era real.

- Sou apaixonada demais por você - falou assim que seu sorriso amenizou. Ela abraçou meu corpo me puxando para selar nossos lábios, onde rapidamente virou um beijo cheio de amor. - Realmente quer tudo isso? - fiquei sem entender, sua pergunta veio quando mal separamos nossos lábios. Abri meus olhos encontrando os seus ansiosos, como se estivesse na expectativa da minha resposta. - Realmente quer incluir toda minha bagunça nos seus dias? - sorrio negando com a cabeça.

- Se você soubesse o quanto se torna especial a cada dia que passa, não me perguntaria isso - seus lábios se curvaram em um lindo sorriso, na verdade tudo que vem dela é lindo. - Mas como não sabe, terei prazer em responder o quanto quero você e tudo que te rodeia. Não precisa ter medo, amei você por quem se mostrou ser, e me ganhou de um jeito que acho impossível perder. Você tem sua história assim como eu tenho a minha, mas o bom disso tudo é que podemos dar continuidade juntinhas, pois não vou te deixar por nada - garanti.

- E nem eu permitiria isso - selou nossos lábios mais uma vez.

- Agora vamos descer logo, eu falei sério sobre o veneno - novamente ela sorriu, me acompanhando para fora do quarto.

Assim que atingimos o andar de baixo pude ouvir algumas vozes misturadas, pareciam em um pequeno debate.

- Bom dia - Camila chamou a atenção dos filhos, e sim, todos já estavam à mesa.

Observei ela deixar um beijo em cada um enquanto eu pensava no quanto eu quero ter um filho com essa mulher. Será que no final das contas sou eu que quero dá o golpe da barriga?

Porque mesmo depois dos últimos acontecimentos na minha vida, construir uma família continua sendo um grande desejo meu. E pensar nisso olhando para Camila, me deixa ainda mais ansiosa.

- Quando eu falo que ela pode ser uma psicopata a senhora não acredita em mim - a fala me chamou atenção, fazendo com que eu saisse da pequena bolha e encarasse a dona da voz.

- Jenna - a voz em repreensão fez a garota revirar os olhos.

- Bom dia minha princesa - não sei se algum dia vou me acostumar com isso. Olhei para baixo encarando o garotinho em expectativa para mim, sorrio antes de puxar ele para meus braços.

- Bom dia meu príncipe - deixei um beijo em sua bochecha. - Dormiu bem? - e antes que ele respondesse, a voz de Manoel atrás de mim me fez virar para encara-lo.

- Eu dormi muito bem, obrigado - seu sorriso era largo, me fazendo sorrir pela a situação.

- Isso é muito bom, certo? - ele hesitou antes de abraçar minha cintura.

Olhei para a mesa onde os outros três pestinhas se encontravam. Jenna me encarava com todo seu ódio costumeiro e como se não bastasse, Juan também. Já Miguel era indiferente, como se minha presença ou a falta dela não fizesse diferença.

- Tudo bem - encarei a dona da voz que também surgiu de repente. - Noah, você ainda não terminou seu café - estendeu os braços para o garotinho, mas antes que ele pulasse em seu colo, segurei seu corpo com firmeza.

- Está muito grandinho e pesado - desci meu olhar com mais atenção para a enorme barriga da loira. - De quantos meses está? - perguntei curiosa.

- Entrando para os nove - arregalei os olhos e ela soltou um risinho tímido.

- Não pode ficar pegando esse mocinho, é um neném mas é muito pesado - ela ficou envergonhada.

Olhei para Camila.

- Eu já falei o mesmo mas ela é teimosa - deu de ombros enquanto levantava as mãos.

- Tudo bem, eu levo ele para você - sorrio para Manoel que se afastou, me permitindo caminhar até a cadeira de Noah. - Prontinho - ofereci o garfo para ele antes que a baixinha alcançasse o mesmo, Noah já estava grandinho para ser tão dependente. - Menino ou menina? - acredito que seja uma das perguntas mais frequentes para uma grávida.

- Menino - alisou a barriga.

- Que lindo! Acredita que todas as vezes que me vi grávida sempre pensei que seria um menino? - falei encantada antes de puxar uma cadeira para ela e outra para mim.

- Ainda bem que está de olho em uma mulher que já tem quatro - nem me dei o trabalho de absorver a alfinetada de Jenna. - Assim não vai precisar dar o golpe da barriga - o incômodo na sua voz me deixou confusa.

- Terminou seu café? - Camila apontou para o prato da filha, e sua cara não estava nada boa. - Na verdade todos já estão atrasados - bateu palmas levemente chamando a atenção de todos, antes de comprovar as horas. E isso fez a mulher ao meu lado querer levantar.

- Camila ajuda eles - segurei sua mão para que ela continuasse alí. Ela soltou um risinho após um pequeno burburinho ecoar à mesa, mas eu não me importei muito. - Acredito que seja Ally - chutei imaginando se tratar da babá.

- Isso mesmo, e é um prazer te conhecer - sorrio para ela antes de lhe fazer uma nova pergunta, começando assim uma demorada conversa, e não intencionalmente sobre a maternidade.

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