Dois meses depois...
- O que ela tem? - encarei Juan, parecendo realmente querer saber o motivo do choro da irmã. Ele se aproximou do berço. - Por que está chorando, Júlia? - perguntou como se ela fosse lhe responder, mas por incrível que pareça, o choro cessou.
- Preciso ir até a empresa e essa mocinha impaciente não quer esperar eu terminar de fazer sua mochila - foquei novamente em mais algumas fraldas, guardando em seguida.
- Vai trabalhar com ela? - parecia surpreso.
- Imprevistos acontecem - tentei não me aprofundar muito, terminando de fechar a bolsa. - Mas tudo bem, talvez ela fique quietinha enquanto trabalho - fui até eles e peguei a pequena chorona, colocando no bebê conforto.
- Eu posso ir com vocês? Posso ficar com ela e garantir que não vai chorar - mesmo tímido parecia confiante na promessa.
- Tem certeza? - assentiu rápido. - Tudo bem, vamos lá - ele foi até a mochila e pegou, enquanto eu me encarregava de levar Júlia.
Como os outros pestinhas estavam no colégio, não foi de todo mal levar Juan comigo, já que ele acordou indisposto e não foi para a aula.
Ele foi todo o caminho conversando com a irmã, me fazendo sorrir com as gargalhadas que ele arrancava dela. Minha pequena era apaixonada pelos irmãos, o que era lindo de se ver.
Assim que chegamos segui até minha sala, enquanto respondia as várias perguntas de Juan.
- Então é aqui que você manda em todo mundo? - ele arregalou os olhos, curioso ao observar o espaço cheio de pastas, computador e a mesa organizada.
- Não é bem assim - sorri com sua fala. - Eu apenas tento administrar tudo para que as coisas funcionem direito - ele assentiu, mas não parecia totalmente convencido.
Coloquei o bebê conforto de Júlia no sofá, e ele não tardou em se aproximar, chamando a atenção da pequena.
- Viu? Ela gosta de mim - seus olhos chegavam a brilhar toda vez que conseguia fazer Júlia sorrir, mas não era como se isso fosse uma missão difícil.
- Não posso negar, vocês dois têm uma conexão especial - respondi notando seu peito inflar.
Enquanto eu tentava me concentrar no computador, Juan conversava com Júlia baixinho, como se realmente estivesse em uma missão de manter a irmã distraída. A cena era tão doce que por alguns segundos esqueci os problemas que me aguardavam naquela pilha de relatórios.
Voltei minha atenção para a tela e suspirei diante da quantidade de e-mails acumulados, sequer lembro a última vez que isso aconteceu.
Na verdade eu me lembro bem...
O tempo passou de forma quase leve, com Juan inventando jogos bobos, mostrando lápis coloridos para a irmã e até pedindo para eu anotar num papel todas as vezes que Júlia sorria para ele. Eu me dividia entre relatórios, telefonemas e a visão maravilhosa dos dois interagindo.
- Lolo, ela dormiu - ele cochichou depois de um tempo, com uma expressão tão zelosa que parecia até mais velho do que realmente era.
Encarei meu bebê, sorrindo feito uma boba. Seus lábios rodados sugando a língua era a coisinha mais encantadora do mundo. Suas bochechas avermelhadas e cheinhas me fazia querer morder tamanha fofura.
Sorri e me levantei da cadeira, indo até o sofá para ajeitar a pequena, lhe cobrindo com a manta que havia trazido de casa. Juan acompanhava cada gesto meu com os olhos atentos, como se aprendesse ali o ofício de cuidar.
- Você leva jeito pra isso, sabia? - comentei em voz baixa, acariciando os cabelos dele.
Ele encolheu os ombros, tentando disfarçar o orgulho que estampava seu rosto.
- É fácil quando se gosta tanto, né? - respondeu voltando a encarar a irmã adormecida.
Meu coração se apertou de ternura. Era incrível como nossa família, ainda em processo, conseguia se completar de forma tão natural.
Voltei para a mesa e tentei me concentrar novamente nos relatórios, mas não demorou para perceber o silêncio diferente no ambiente. Juan estava sentado ao lado do bebê conforto, observando Júlia já que não tinha muito o que fazer alí.
- Você quer comer algo? Assitir? - tentei deixar ele confortável.
- Na verdade... - olhou ao redor. - Será que eu posso te ajudar? - ergui uma sobrancelha para o seu pedido.
- Oh - sorri, revisando meu olhar entre ele e a tela do computador. - Tudo bem - sorri chamando ele com a mão. - Não sei se vai entender muita coisa mas tudo bem - levantei e peguei outra cadeira para ele sentar ao meu lado, o que não demorou a acontecer.
Seus olhos correram pela tela do computador como se estivesse diante de um universo completamente novo. E de fato ele estava.
- Uau... tem tanta coisa escrita aí - comentou franzindo o cenho, a língua presa entre os dentes em concentração.
- São relatórios, números, pedidos... nada muito divertido - expliquei com calma, já prevendo que ele se entediaria rápido.
Mas para minha surpresa, ele continuou olhando fixamente, tentando decifrar as linhas e colunas como se fossem um enigma.
- O que eu posso fazer?
- Se eu te falar o que cada coisa significa, você acha que consegue anotar umas informações para mim? - devolvi, testando sua curiosidade.
Mas os olhos de Juan brilharam.
- Eu quero aprender - assenti.
Peguei um dos relatórios impressos e entreguei a ele uma caneta.
- Está vendo esses números aqui? Preciso que você circule só os que estão acima de cinquenta.
Ele se endireitou na cadeira, todo concentrado.
- Mas isso é muito fácil - sussurrou o convencido, começando a marcar os papéis.
Enquanto isso, eu aproveitei para avançar nos e-mails. O silêncio era quebrado apenas pelo som da caneta no papel e o leve respirar de Júlia, que dormia tranquilamente. A cena era tão harmoniosa que por um instante senti como se tudo estivesse exatamente no lugar certo.
De repente Juan ergueu a folha, orgulhoso, como se tivesse resolvido a equação mais difícil do mundo. Peguei o papel de volta e sorri.
- Está perfeito - falei analisando tudo outra vez, agora com mais atenção.
- Posso te ajudar mais vezes, se quiser.
- Não sei se sua mãe vai gostar muito dessa ideia - sussurrei divertida. - Parece que a família Cabello preza muito em manter os negócios entre a família - cutuquei sua barriga, lhe fazendo sorrir.
- Mas eu não sou apenas um Cabello - franziu o cenho. - Agora sou um Jauregui também - sua sala me pegou desprevenida, o que me fez arregalar os olhos em surpresa. - Quer dizer... - de repente se mostrou envergonhado. - Isso se você também quiser - desviou o olhar.
Fechei os olhos por breves segundos e sorri, aproveitando a sensação boa que me consumiu.
Céus, isso é muito mais do que eu já cheguei a pedir.
Lentamente toquei seu ombro, chamando sua atenção para mim.
- É claro que eu quero, querido - seus olhinhos castanhos brilharam. - Não sabe o quanto me deixa feliz ao dizer isso... - suspirei. - Se é um Jauregui que você quer ser, nada e nem ninguém vai falar o contrário - garanti.
- Então quando eu crescer vou poder trabalhar com você?
- Se assim você desejar... - dei de ombros. - Ficarei feliz em ter a quem confiar tudo que conquistei - acaricie seu rosto. - Amo você - verbalizei encarando seus olhos.
- Também amo você, Lolo - se jogou contra meus braços, e eu não demorei a envolver seu corpo com toda força que tinha.
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Our World (G!P)
FanfictionApós anos de casamento, Lauren Jauregui quer aumentar a família, mas isso não acontece, pelo o contrário, seu casamento chega ao fim após ela descobrir uma traição. Camila Cabello é uma viúva com cinco filhos, que desde a morte da esposa não se ver...
