Everything Has An End 11

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- Como correu o jantar com o Flynn? – perguntou Miguel.

- Nada bem. Está tudo acabado. – respondeu Jo.

- Então. O que aconteceu?

- Podemos não falar disso?

- Como queiras.

Naquele mesmo momento Flynn apareceu. O seu olhar encontrou-se com o de Joanne. Tinha umas olheiras profundas e estava irreconhecível.

- Parabéns Flynn! – gritou uma rapariga.

O quê? Flynn fazia anos? Joanne sentiu-se momentaneamente culpada, ela sabia que era a causa do seu aspeto. Ela lembrava-se de quando ela fizera anos. Foi um dia mágico, e agora…

Estavam perto da primavera, mas ainda estava frio, num entanto Flynn trazia apenas uma camisa desabotoada e com uma mancha. Estava mesmo lastimável. Fazia 16 anos e já só queria morrer.

Tocou e todos foram para as aulas. Joanne não conseguiu prestar atenção a nada. A sua cabeça estava noutro lugar.

- Menina Joanne! Está a ouvir-me? Venha ao quadro agora! – chamou a professora.

- Desculpe! Eu não me estou a sentir muito bem. Dá-me licença para ligar à minha mãe para ela me vir buscar?

- Sim. Vá la fora e pode ligar à sua mãe. As melhoras.

Joanne saiu da sala a correr. A verdade é que não se estava a sentir mesmo nada bem. Sentia um aperto no estômago e estava muito nervosa. Com as mãos a tremer ligou á sua mãe. Ela ficou preocupada e disse que a ia buscar naquele instante.

- O que se passa filha?

- Não me estou a sentir muito bem. Talvez seja só nervos.

- Mas porque é que estás nervosa? Tem alguma coisa a ver com a saída repentina de Flynn ontem à noite?

- Sim, tem.

- Porquê?

- Não posso dizer. Não posso mesmo. Podemos ir para casa por favor.

- Sim vamos.

Quando chegaram Joanne foi-se deitar. Tinha dormido muito mal naquela noite, por isso adormeceu rapidamente. Quando acordou estava esfomeada e já passava da hora de almoço. Chamou pela mãe e pediu que lhe trouxesse alguma coisa para comer. Foi á casa de banho e quando voltou tinha um tabuleiro em cima da cama.

- Trouxe-te o lanche que o teu pai te costumava fazer quando estavas doente.

- Obrigada mãe!

O lanche soube-lhe muito bem, mas ninguém o fazia como o seu pai. Isso nunca iria mudar.

Já se sentia ligeiramente melhor, num entanto não conseguia tirar da cabeça a história de Flynn. A última coisa que ele lhe dissera é que tinha sido verdadeiro quando lhe dissera o que sentia, mas o que ele fez era demasiado grave. Uma pessoa que mata outra é um criminoso, mas Flynn… será que ele tinha tido razão em fazê-lo? Não, ele matou um rapaz e fugiu, isso não é correto, mas se ele não tivesse feito aquilo, a mãe dele iria morrer e ele seria preso por ter fome e viver na miséria, isso também não está certo. A cabeça de Joanne estava um grande ponto de interrogação. Devia desejar os parabéns a Flynn? Acabou por não fazer nada. A mãe veio buscar o tabuleiro.

- Mãe, deita-te um bocado ao pé de mim! Por favor. – pediu Joanne.

A senhora encostou a cabeça numa almofada e abraçou a sua filha bem junto de si. Nestes momentos as duas tornavam-se numa e tudo parecia ficar melhor. Acabaram por adormecer e ali ficaram até à manhã seguinte.

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