Acordou sobressaltada. Era hoje! Hoje, Joanne fazia 15 anos e não podia estar mais feliz.
Quando saiu da sua parte da tenda, Flynn já a esperava do outro lado. O sorriso meio bobo e terno, encontrava-se gravado no seu rosto e realçava o calor transmitido pelos seus belos olhos. Tinha nas mãos um pequeno bolo.
- Parabéns minha princesa! Que tenhas o melhor dia da tua vida. - desejou
- Obrigada! - agradeceu Joanne enquanto o envolvia num abraço
Depois viu Miguel. O seu cabelo ruivo e encaracolado tapava-lhe o rosto.
- Parabéns miúda! 15, já estas a ficar velhota...
- Essa boca é que já está a ficar velha, parvinho. Obrigada Miguel, muito obrigada!
Naquele preciso momento o telefone de Joanne tocou. A sua mãe desejou-lhe os parabéns, disse-lhe que tinha saudades e que a casa estava muito vazia. Jo sentiu um pequeno aperto no peito e sentiu uma vontade de chorar. Era a primeira vez que passava um aniversário sem a sua mãe e notava-se na sua voz que não estava muito feliz com a ausência da filha.
Os monitores desejaram-lhe os parabéns e depois explicaram em que ia consistir os exercícios daquele dia. Tinham que atravessar um percurso de pontes e encontrar uma mensagem do outro lado. O que completasse o percurso em menos tempo ganhava a prova. O percurso era perigoso e os monitores disseram que mesmo havendo uma pequena possibilidade de queda eles iam estar muito bem protegidos, para evitar acidentes. Depois iam almoçar. De seguida havia outro desafio. Mas era de artes, as pessoas tinham que fazer uma espécie de postal, o mais original possível, com todos os recursos existentes naquele lugar. Podiam utilizar tudo o que quisessem, mas tinha que ser uma mensagem de feliz aniversário para Joanne.
- Como é obvio não nos íamos esquecer do teu aniversário. No fim podes ficar com os postais ou com fotografias destes, porque vamos fazer um livro para guardares como recordação deste aniversário especial.
- Obrigada!
*
O percurso de pontes não estava a uma grande altitude, mas ainda se encontrava a uma boa distância do solo e era de facto um caminho difícil de percorrer. Vários pares atravessaram, até que chegou à vez de Joanne e Flynn. O rapaz ia na frente seguido da sua parceira. Iam a meio quando se ouviu um grito, Jo tinha tropeçado e encontrava-se agora magoada no pé. Flynn pego-a ao colo e fez o resto do percurso daquela maneira. Quando acabaram, após algum tempo, Jo foi vista pelos monitores e chegaram à conclusão que era simplesmente uma entorse e que ela só tinha de ficar em repouso durante aquele dia. O que não era um grande problema, porque na manha seguinte iriam voltar para casa e naquele dia ela não teria que fazer esforços.
Almoçaram. No fim houve um pequeno bolo para Joanne apagar as velas. Quinze anos. Tinham passado quinze anos desde o dia em que ela tinha nascido em Inglaterra. Antes de conhecer Pedro. Antes do seu pai ter morrido. Há quinze anos ela era só uma bebé, sem preocupações, sem sofrimento, apenas um bebé inocente. Há quinze anos o pai andava com ela ao colo, de um lado para o outro, transportava-a como um tesouro. Ela ainda o podia sentir, podia ouvi-lo. Ela tinha-o ali, não só no coração, na memória, mas também fisicamente. Há quinze anos ela não sentia saudade... Mais uma vez Joanne sentiu uma vontade imensa de chorar, mas conteve-se. Há quinze anos ela não tinha que conter as suas lágrimas, mas há quinze anos ela também não sofria. Como era tudo perfeito há quinze anos.
Enquanto todos ou outros se concentravam na tarefa de criar um postal original, Joanne estava na sua tenda, a descansar e a ouvir musica. Recebeu algumas chamadas de alguns familiares que ela nunca mais vira e, passado bastante tempo, foi chamada para ver as obras de arte dos seus colegas.
Todos se tinham empenhado verdadeiramente. Alguns tinham feito postais em conjunto, mas os que ela mais gostou foram o de Miguel e o de Flynn. O seu melhor amigo tinha escrito uma bonita mensagem com alguns dos seus momentos e na ponta do postal tinha posto uma pulseirinha da amizade muito bonita. Flynn escreveu uma pequena mensagem e depois emoldurou-a com folhas e flores secas. Desenhou também a bandeira do Reino Unido e escreveu por cima " Our Home", a mensagem tinha também um poema de William Shakespeare. Todas as outras mensagens estavam, também, maravilhosas e já se encontrava tudo num livro que se intitulava de " Quinze anos na floresta".
Após o jantar Joanne e Flynn dirigiram-se para a tenda, mas Flynn não se separou dela à entrada.
- Eu disse que ainda tinha mais uma prenda para ti, lembras-te? - questionou Flynn
Jo sabia o que ele tinha dito, mas ficou ligeiramente assustada quando ele entrou na sua parte da tenda. Será que ele ia tentar alguma coisa?
- Sim, lembro. Mas o que é que vens fazer para aqui?
- Não te preocupes. Eu só te venho fazer companhia. Mas primeiro...
Flynn tirou do seu bolso uma caixa. Joanne abriu-a. Lá dentro estava um colar de prata, com uma cabine de Londres e um coração. Flynn estendeu a mão:
- Posso colocar-te o colar no pescoço?
- Sim... claro!
- Vem comigo! - pediu Flynn enquanto puxava a rapariga pela mão
Já se encontravam todos dentro das tendas e muitos já deviam estar a dormir, apesar de haver sempre um monitor acordado para o caso de acontecer alguma coisa. De qualquer maneira não estava ninguém á vista e tudo se encontrava silencioso. O céu estava estrelado e essa era quase a única luz naquele espaço. Flynn levou Joanne para perto do lago onde tinham declarado o seu amor um pelo outro.
- Eu sei que isto pode parecer estúpido, mas apesar de tudo, nunca houve um pedido de namoro decente. - Flynn ajoelhou-se- Queres namorar comigo?
- É claro que sim.
- Eu sei que já não era preciso pedir, mas é o teu aniversário e eu quis fazer tudo como deve ser.
Beijaram-se. Flynn envolveu-a nos seus braços e manteve-a junto ao peito, bem junto ao seu coração. Apertou-a como se tivesse medo que ela fosse embora. E essa era a verdade, ele morria de medo que ela fosse embora, como todos os outros. Tiraram uma fotografia ao momento.
Voltaram para a tenda e antes de cada um ir para seu lado, Flynn deu-lhe mais um beijo ao de leve na testa.
Tinha sido, sem dúvida, o melhor aniversário que Joanne tivera.
*
Flynn não conseguia adormecer. No dia seguinte iriam voltar para Lisboa e ele sabia que não ia poder continuar sem contar o seu segredo a Joanne. Mas ele não tinha a certeza de conseguir fazê-lo. O que ele guardava podia ser uma razão viável para Joanne o deixar. Podia achar que ele era má pessoa. Envolto nos seus pensamentos, adormeceu.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Everything Has An End - portuguesa
Novela JuvenilEsta é a história de Joanne, uma rapariga que nunca teve a vida simplificada. Jo (como os amigos a tratam) nasceu em Inglaterra, mas mudou-se para Portugal, onde fez novos amigos, incluindo Flynn, o rapaz que vai mudar por completo a sua vida e conf...