39. Início da Dor

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O resto do final de semana foi em clima de paixão. Estávamos entregues uma à outra. Passamos o domingo assistindo filmes e comendo pipoca. Logo minha semana começou novamente.

Faculdade, trabalho e finalmente casa. Mas foi naquela segunda-feira que tudo começou a sair do meu controle.

Cheguei em casa no mesmo horário de sempre. Deixei minhas coisas no meu quarto e fui ver minha mãe. Encontrei-a na sala de jantar, com as duas mãos apoiadas sobre a mesa e a cabeça baixa.

Lauren: Oi mãe! - a olhei.

Mãe: Oi filha! Como foi o dia? - continuava de cabeça baixa.

Lauren: Tudo bem. Mas quem não está bem aqui é você! O que aconteceu?

Mãe: Nada filha! Meu dia só foi um pouco cansativo. Sua tia está um pouco ruim e eu estou preocupada.

Lauren: Mas o que ela tem mãe?

Mãe: Ainda não sabemos, mas possivelmente alguma virose.

Lauren: Não se preocupa, mãe. Ela vai ficar boa, é forte! - levantei sua cabeça lhe dando um beijo e a abraçando.

Foi quando escutei uma gritaria vindo da biblioteca e num susto a porta bateu com força.

Era a voz da Camila!

Olhei pra minha mãe e saí correndo até a sala principal. Vi Camila subindo as escadas correndo.

Lauren: Ei! Ei Camila! - tentei chamá-la sem resposta.

Corri atrás o mais rápido que eu podia e quando estava quase chegando ao terceiro andar ela bateu a porta do estúdio com a mesma força anterior. Cheguei exausta e bati para que abrisse.

Lauren: Camila? Abre aqui!

Camila: Agora não, Lauren! - respondeu ríspida, com uma voz abafada.

Lauren: O que aconteceu, camz?

Camila: Já disse que agora não, Lauren!

Lauren: Tudo bem! Vou tomar um banho e subo pra te ver. Quer jantar comigo depois?

Camila: Não!

Lauren: Tá bom, tá bom. Eu já volto!

Desci as escadas, pensativa. Eu nunca tinha visto a Camila tendo uma reação como aquela. Pensei que algo podia ter acontecido com os ensaios, a apresentação ou o Alê! Ela estava se dedicando muito àquilo ultimamente e seria o fim do mundo pra ela se algo não desse certo.

Tomei meu banho, com uma certa ansiedade e coloquei uma roupa mais à vontade. Passei na cozinha, comi uma maçã e subi novamente à cobertura. Bati na porta e ela não abriu. Bati novamente, sem respostas. Comecei a ficar preocupada. Bati e a chamei:

Lauren: Camila!

Depois de um tempo ela respondeu:
Camila: Lauren, não quero ver ninguém hoje!

Lauren: Como assim?

Camila: Simplesmente não quero ver ninguém hoje!

Lauren: Camz, o que aconteceu? Por que você tá assim? Você sabe que pode confiar em mim! - me sentei em frente à porta.

Camila: Lauren, não quero ser estúpida, nem grosseira. Então, por favor, a gente se fala depois!

Lauren: Por que isso? Por que você nem ao menos abre a porta pra eu poder te ver, te dar um abraço? Te confortar, como sempre fiz?

Camila: Porque não!

Lauren: Suas respostas estão totalmente sem fundamentos. Eu te fiz alguma coisa? Porque se eu te fiz, me fala que a gente conversa, a gente resolve, pois com certeza não fiz por mal!

Camila: Não sei! Você fez? - na hora me veio à cabeça o beijo na Allyson.

Lauren: Por que você tá tentando me confundir? Não tô achando graça nisso!

Camila: A única coisa que tô te pedindo é pra me dar um tempo para respirar, me deixar quieta hoje!
Eu não tava entendendo o que a gritaria na biblioteca tinha a ver com o beijo da Ally, que foi a única coisa errada que eu havia feito, e mesmo assim, só nós duas e a Paulinha sabíamos. "Será que alguém deu com a língua nos dentes?"

Lauren: Você sabe que eu me preocupo com você, camz! Abre a porta e me deixa pelo menos te dar boa noite.

Camila: Boa noite, Lauren!

Lauren: Se é assim que você quer, assim vai ser! Boa noite, Camila.

"O que está acontecendo?!" Eu não saí dali como ela imaginava, fiquei sentada no mesmo lugar. Depois de uns 10 minutos ouvi coisas batendo e a came berrando, chorando feito um bebê!

Entrei em pânico. Peguei meu celular no bolso do moletom e disquei o número dela. Ouvi o celular tocando dentro do estúdio e sem saber que eu ainda estava ali ela gritou:

Camila: EU NÃO QUERO FALAR COM VOCÊ, LAUREN! EU NÃO QUERO! EU NÃO QUEROOO!

Desci correndo pro meu quarto. Milhões de coisas passavam pela minha cabeça. Até hoje de manhã estava tudo otimamente bem. Será que ela estava gritando com alguém no telefone? Fui até a biblioteca ver se encontrava algum vestígio do que tinha acontecido ali um tempo atrás.

Entrei naquela sala cercada de livros, iluminada somente pelo abajur sobre a escrivaninha. Caminhei pelo lugar tentando observar tudo.

A biblioteca era um dos lugares mais fabulosos do apartamento, toda revestida em madeira trabalhada e entalhada, com prateleiras que iam até o teto. O piso era todo atapetado de vermelho escuro e a escrivaninha gigantesca ao fundo com uma poltrona colonial, era o lugar preferido no seu Alejandro quando estava em casa.

Fui até a mesa e observei um cachimbo apagado do seu Alejandro, que cheirava chocolate, papéis como se fossem anotações e alguns livros empilhados. Foi quando notei, embaixo do telefone, um papel com números de telefones bem extensos.

Busquei por uma lista telefônica e em seguida procurei de onde eram os códigos da região. Todos eram de uma cidade só: Paris!

Entre Amigas?Onde histórias criam vida. Descubra agora