Victoria
Encarar Nathan nos dias que se seguiram foram difíceis.
Sentar juntos e discutir planos para um assunto que a gente sabia não ir pra frente,como caso White, foi surreal.
Estava a beira de uma histeria. Minhas noites de sono foram drasticamente comprometidas por imagens dele na minha cabeça. Me sentia no meio de um fogo cruzado, onde me dividia entre por ele na linha de tiro ou me tornar seu escudo.
Nunca tinha vivido uma situação tão difícil.
Ele se calou e não tentou forçar o assunto comigo. Me pareceu que ele queria me dá um espaço para não me sufocar.
E à mim, doía vê-lo tão distante. Apesar dele não me tratar com a mesma grosseria de antes, também não fazia tanta questão de se dirigir à mim. Apenas a conversa necessária e usual sobre o trabalho. E isso era uma porcaria, porque fui eu que dei a última palavra e cortei relações pessoais com ele.
Interroguei o Jonhson novamente e confirmei que o Nathan realmente não frequentava o ambiente criminoso para qual ele trabalhava. Senão ele já o tinha reconhecido.
Não sei se fiquei um pouco mais aliviada por isso. Mas com toda certeza não foi algo tão ruim para se tomar conhecimento.
Ao mesmo tempo que repudiava seu envolvimento com a máfia, eu morria de medo por ele. E talvez tenha sido por isso que não cogitei abrir minha boca e contar para John. Porque isso destruiria Nathan de uma vez por todas...
No fundo era isso que eu tentava evitar.
Megan me encarou da sua mesa, e olhou de mim para Nathan e bufou balançando a cabeça. Ignorei e voltei a ler os papeis que meus dedos apertavam com força, como se isso fosse fazer minha concentração voltar.
Observei disfarçadamente ele levantar e ir em direção a máquina de café. Encheu um copo grande e sua postura tensa deixava claro seu estado preocupado.
Seus passos firmes se arrastaram de volta para a cadeira ao meu lado, e o cheiro do seu café fumegante preencheu minhas narinas, quando seu copo foi depositado ao meu lado.
Franzi o cenho quando ele empurrou o copo mais pra perto de mim, e então percebi outro do seu lado. Continuou encarando a tela do computador.
- Quando há implícito o desejo de ficar junto, o café é o álibi perfeito. - murmurou levando seu copo aos lábios enquanto me fitava.
Encarei o tom de verde profundo dos seus olhos e como sempre, algo se remexeu dentro de mim, segurei um suspiro afetado, desviando o olhar e tocando o copo com o indicador.
- Obrigada... - sussurrei ignorando de propósito o significado das suas palavras.
Percebi ele se perder em pensamentos por uns segundos e voltar a atenção para seu trabalho no computador.
Ficamos distantes pelo resto do dia.
Recebi uma ligação de Eric, me convidando para um café depois do trabalho, e imediatamente as palavras de Nathan hoje mais cedo, preencheu minha cabeça.
Aceitei um pouco a contragosto. Eu não queria ser grosseira com ele. Afinal estava sendo um ótimo vizinho.
- Claro, Eric. Eu te ligo quando chegar. - ele sorriu animado e eu desliguei.
Megan sorriu maliciosa.
- Humm, não perde tempo hein? E cá entre nós, esse Eric é uma coisa... - suspirou piscando como nos filmes bobos de romance.
Joguei uma bola de papel nela, e Nathan se aproximou nos olhando confuso. Depois de meia hora resolveu ir pra casa. Minutos depois resolvi seguir seu exemplo.
Fechei o notebook, me despedi de Megan, e entrei no meu carro, desejando a paz do meu lar mais que tudo. Percebi pelo retrovisor, um jaguar preto, estacionado um pouco atrás, no fim do estacionamento. Revirei os olhos colocando o carro em movimento e discretamente o Jaguar me seguiu.
Eu sabia que Nathan não tinha voltado para casa.
Ele me seguiu até meu apartamento. Quando entrei em casa, olhei por detrás das cortinas da enorme janela da sala, e seu carro continuava parado ali. Como uma sombra.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Jogo Duplo
RomanceVictoria Carter trabalha para o FBI e é considerada uma das melhores agentes criminais do departamento federal. Há anos ela tenta impedir as ações do crime organizado e suas máfias. Apesar da pouca idade tem uma enorme competência. Até que um novo p...
