27 - Pendrives.

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Cutuco o ombro de Paula e pergunto:

— Paula você pode me levar a polícia hoje?

— Claro! Mas porque?

— Que eu me lembro seu pai é delegado e eu quero pedir as provas do meu sequestro, para fazer o vídeo.

— Tem certeza que quer fazer vídeo sobre seu sequestro sobre o que você passou? – ela diz me olhando preocupada.

– Sim tenho.

— Okay então, eu te levo depois da aula.

— Ta. – sussurro enquanto a vejo voltar a prestar atenção na aula.

O resto do dia na escola nem consigo prestar atenção nas aulas que ainda restaram, pois estou preocupada com o que direi para os policias já que, com certeza, minha mãe não me deixaria pegar as provas pra eu não piorar minha depressão que não esta tao grave. E então terei que ir sozinha e falar sozinha com eles, ter que convencer de alguma forma eles me darem as provas e tudo mais que eles tiverem lá, que me ajude muito no meu futuro vídeo.

O sinal bate, guardo minhas coisas enquanto Paula e Caleb me observam. Término de guardar e coloco uma alça sobre o ombro e seguro umas das mãos de Caleb que beija minha testa, um beijo um pouco demorado e logo saímos pela porta da sala. No recreio vou ao banheiro e aviso minha mãe que provavelmente eu ia demorar para chegar em casa, ou talvez passar a noite na casa de Paula. Ela ficou meio receosa, mas logo deixou, eu a entendo também estou receosa por achar que talvez tenha que dormi na casa de Paula, que antes era uma completamente estranha para mim, mas acho que ela não seria capaz de me fazer mal – na própria casa. A esqueci, claro que ela é capaz de me fazer mal. Mas vou tentar o máximo não pensar nisso e não acabar explodir de dor de cabeça por causa dela, nem tudo na vida que a gente pensa que vai acontecer, acontece como pensamos, ou para deixar claro: nunca sai como pensamos.

Beijo Caleb e dou tchau entrando no carro e ele me contempla enquanto o carro lentamente se perdia no meio da multidão indo para suas casas, descansarem depois de um dia cheio. Converso com Paula no meio do caminho logo noto o motorista para de frente com a delegacia e a gente se entre olha surpresas por não ter nem percebido o tempo passar. Deixamos nossas bolsas dentro do carro e saímos para fora e rapidamente entramos na delegacia. A delegacia não é tão grande e nem um lugar muito bom de se estar, pessoas se encontram sentadas nas cadeiras de plásticos e apenas alguns se encontra vazios, um certo odor dá para ser sentindo nesse lugar um cheiro semelhante a mofo ou até mesmo esgoto, talvez, seja o ar-condicionado que faz a delegacia ficar numa temperatura agradável, mas que ninguém limpa o dreno que provavelmente já esteja sujo. Vou atrás de Paula que foi até o balcão entrou e quando estávamos preste a entrar na sala, fui parada por um policial, mas antes que saísse algo de minha boca Paula segura a minha mão e diz que eu estou com ela e ele libera a passagem e eu saio andando, ela entra no escritório do pai dizendo:

— Oi papai!

— Paulinha oi! Minha linda o que faz aqui no trabalho de seu pai? – pergunta ele surpreso com a presença da filha. — Pelo jeito se resolveu com Nadia. E ai Nadia bem?

Assinto e respondo:

— Oi senhor Edgar.

— Vamos lá Nadia não precisa me chamar de senhor. Porque não sou tão velho assim. – dizia ele tocando no rosto.

— Sim, sim. – falo meio envergonhada.

— Então qual é motivo da visitas de vocês? – foi direto ao ponto.

— É que a Nadia está querendo as provas do seu sequestro para fazer um trabalho da escola em que pode escolher algum tema e uns desses temas ela preferiu falar sobre trauma.

Uma Vida - Inacabada (versão antiga)Onde histórias criam vida. Descubra agora