O EFEITO SOBRE O TEMPO: PARTE II

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É difícil dar uma definição abstrata de tempo — as tentativas nesse sentido

muitas vezes terminam recorrendo à própria palavra "tempo", ou então a

contorcionismos lingüísticos, de forma a evitá-lo. Em vez de seguir esse caminho,

podemos adotar um ponto de vista pragmático e definir o tempo como aquilo que os

relógios medem. É lógico que isso transfere o problema para a definição de "relógio";

aqui podemos pensar que um relógio é um instrumentocaracterizado por ciclos de

movimento perfeitamente regulares. Medimos o tempo contando o número de ciclos

por que passa o relógio. Um relógio comum, como o que você usa no pulso, pode

ser definido assim; tem ponteiros que se movem em ciclos regulares, e a medida do

tempo é dada efetivamente pela contagem do número de ciclos (ou suas frações)

transcorridos entre dois eventos escolhidos.

Evidentemente, o significado de "ciclos de movimento perfeitamente

regulares" envolve implicitamente a noção de tempo,uma vez que o qualificativo

regular se refere a que cada ciclo dura o mesmo lapso de tempo. Na prática, isso se

resolve construindo relógios com componentes físicos simples, que sabemos

estarem submetidos a evoluções cíclicas repetitivasque não variam nunca de um

ciclo para outro. Os antigos relógios de pêndulo e os relógios atômicos, baseados

em processos atômicos repetitivos, proporcionam exemplos simples.

O nosso objetivo é compreender como o movimento afeta a passagem do

tempo, e como demos uma definição operacional do tempo em termos de relógios,

podemos reformular a pergunta da seguinte maneira: como o movimento afeta o

"tique-taque" dos relógios? É crucial deixar claro desde o começo que a nossa

discussão não se preocupa com a maneira pela qual os elementos mecânicos de um

relógio qualquer reagem com relação aos solavancos e trepidações que podem

resultar do movimento. Na verdade, vamos considerarapenas a forma mais simples

e serena de movimento — o movimento a velocidade absolutamente constante — e

por isso não haverá nenhum solavanco ou trepidação.Ao contrário, estamos

interessados na questão universal de como o movimento afeta a passagem do

tempo e, por conseguinte, de como ele afeta fundamentalmente o tique-taque de

todo e qualquer relógio, independentemente do seu formato ou fabricação.

Com esse fim, apresentamos o relógio conceitualmente mais simples (e

menos prático) do mundo. Trata-se de um "relógio deluz", que consiste de dois

pequenos espelhos montados em uma haste, um voltadopara o outro, com um

único fóton de luz a oscilar continuamente entre eles (ver a figura 2.1). Se os

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