RESOLUÇÃO DE CONFLITOS

9 1 0
                                        


Ao tratar o espaço e o tempo como parceiros dinâmicos, Einstein propiciou

uma imagem conceitual clara de como atua a gravidade. A questão principal, no

entanto, é saber se essa reformulação da força gravitacional resolve o conflito com a

relatividade especial que aflige a teoria newtoniana da gravidade. Sim. A analogia da

superfície de borracha transmite novamente a essência da idéia. Imagine uma

esfera de rolamento movendo-se em linha reta sobre uma superfície de borracha,

sem a bola de boliche. No momento em que pusermos abola de boliche sobre a

borracha, o movimento da pequena esfera será afetado, mas não instantaneamente.

Se filmássemos a seqüência de eventos e a examinássemos em câmara lenta,

veríamos que a perturbação causada pela presença dabola se expande, como os

círculos que se formam na superfície da água de um lago, e acaba chegando até a

posição da esfera. Depois de certo tempo, as oscilações transitórias da borracha

cessarão e teremos uma superfície curva estável.

Assim é também para o tecido do espaço. Sem a presença de qualquer

massa, o espaço é plano, e um objeto pequeno ou estará serenamente em repouso

ou viajará em velocidade constante. Se entra em cena um corpo com massa

considerável, o espaço se encurvará — mas como no caso da borracha, a distorção

não será instantânea. Em vez disso, ela se expandirá a partir do corpo até

acomodar-se em uma forma curva que comunica a atração gravitacional da sua

massa. Na nossa analogia, as perturbações sofridas pela borracha viajam por sua

superfície com uma velocidade ditada por sua própria composição material. No

cenário real da relatividade geral, Einstein calculou a velocidade com que viajam as

perturbações do tecido do universo e obteve como resposta que elas viajam

precisamente à velocidade da luz. Isso significa, por exemplo, que na situação

hipotética que discutimos, em que o desaparecimentodo Sol afetaria a Terra em

virtude da modificação da atração gravitacional mútua, a influência não seria

comunicada instantaneamente. Quando um objeto muda de posição ou mesmo

quando desaparece em uma explosão, ele produz uma alteração na distorção do

tecido do espaço e do tempo, que se expande à velocidade da luz, precisamente de

acordo com o limite cósmico da velocidade na relatividade especial. Assim, nós, na

Terra, tomaríamos conhecimento visual da destruiçãodo Sol ao mesmo tempo que

sentiríamos as conseqüências gravitacionais — poucomais de oito minutos depois

da explosão. A formulação de Einstein resolve, portanto, o conflito; as perturbações

gravitacionais acompanham a velocidade dos fótons, mas não a ultrapassam. 

O universo eleganteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora