Richard Feynman foi um dos maiores teóricos da física desde Einstein. Ele
abraçou francamente a essência probabilística da mecânica quântica e, nos anos
que se seguiram à Segunda Guerra Mundial, ofereceu uma maneira nova de se
pensar a teoria. Do ponto de vista das previsões numéricas, a perspectiva de
Feynman concorda exatamente com tudo o que foi ditoantes. Mas a sua formulação
é bem diferente. Vamos descrevê-la no contexto da experiência do elétron j e das
duas fendas.
O aspecto perturbador da figura 4.8 é que imaginamos que cada elétron tem
de passar ou pela fenda direita ou pela esquerda, oque nos leva a esperar que os
dados resultantes possam ser representados adequadamente pela união: das
figuras 4.4 e 4.5, tal como na figura 4.6. O elétron que passa pela fenda da direita
não deveria importar-se com o que possa acontecer com a fenda da esquerda, e
vice-versa. Mas acontece que ele se importa. O padrão de interferência i que é
gerado requer uma sobreposição e uma interação que envolve algo que é sensível a
ambas as fendas, mesmo que disparemos os elétrons um por um. Schrödinger, De
Broglie e Bohr explicaram esse fenômeno associando uma onda de probabilidade a
cada elétron. Como as ondas de água da figura 4.7, a onda de Í probabilidade do
elétron "vê" ambas as fendas e fica sujeita ao mesmo tipo, de interferência
decorrente da interação. Os lugares em que a onda de probabilidade cresce em
conseqüência da interação, tal como os lugares de oscilação significativa da figura
4.7, são aqueles onde é mais provável que o elétronseja encontrado; os lugares em
que a onda de probabilidade diminui em conseqüênciada interação, tal como os
lugares de oscilação mínima ou nula da figura 4.7, são aqueles onde é menos
provável que o elétron seja encontrado. Os elétronsatingem a tela fosforescente um
por um, distribuem-se em concordância com esse perfil de probabilidade e
constroem, assim, um padrão de interferência semelhante ao da figura 4.8.
Feynman tomou um caminho diferente. Ele desafiou a premissa clássica de
que cada elétron ou passa pela fenda da direita ou pela da esquerda. Você pode
perfeitamente achar que essa é uma propriedade tão elementar do funcionamento
das coisas que desafiá-la é uma tolice. Afinal de contas, será que não se pode olhar
a região que existe entre as fendas e a tela fosforescente e assim determinar por
qual fenda o elétron passa? Sim, pode-se. Mas se o fizermos, modificaremos a
experiência. Para ver o elétron é preciso fazer algo com ele — por exemplo iluminá-lo, ou seja, lançar fótons sobre ele. Nas escalas normais, os fótons atingem árvores,
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O universo elegante
RandomEsse é um livro científico, porém eu recomendo também para leigos, por usar analogias diversas e procurar expor da maneira mais clara possível algumas das idéias dos maiores contribuintes da física e da matemática , além de expor claramente a loucur...
