Embora Einstein não tenha defendido o nome de "relatividade" para a sua
teoria (sugerindo, em vez disso, o nome de teoria da "invariância", para refletir, entre
outras coisas, o caráter imutável da velocidade da luz), o significado do termo ficou
claro. A obra de Einstein mostrou que conceitos como os de espaço e tempo, que
antes pareciam ser separados e absolutos, são, na verdade, entrelaçados e
relativos. Surpreendentemente, Einstein mostrou também que outras propriedades
físicas do mundo são também entrelaçadas. A sua equação mais famosa constitui
um dos exemplos mais importantes. Nela, Einstein afirmou que a energia (E) de um
objeto e a sua massa (m) não são conceitos independentes; podemos determinar a
energia se conhecermos a massa (multiplicando a massa duas vezes pela
velocidade da luz, c2) e podemos determinar a massase conhecermos a energia
(dividindo a energia duas vezes pela velocidade da luz). Em outras palavras, a
energia e a massa — como dólares e francos — são moedas passíveis de
conversão. Ao contrário do que acontece com o dinheiro, no entanto, a taxa de
câmbio, que é o quadrado da velocidade da luz, é fixa e eterna. Como essa taxa é
tão grande (c2 é um número grande), uma pequena massa produz uma enorme
quantidade de energia. O mundo conheceu o poder devastador resultante da
conversão de menos de dez gramas de urânio em energia em Hiroshima; um dia,
por meio de usinas de fusão, poderemos usar produtivamente a fórmula de Einstein
para satisfazer a demanda mundial de energia com o nosso inesgotável suprimento
de água do mar.
Do ponto de vista dos conceitos ressaltados neste capítulo, a equação de
Einstein nos dá a explicação mais completa do fato crucial de que nada pode viajar
mais rápido do que a luz. Você pode ter pensado, por exemplo, por que razão não
se pode tomar um objeto, digamos um múon, que um acelerador de partículas tenha
levado a 99,5 por cento da velocidade da luz e "empurrá-lo um pouquinho mais", até
99,9 por cento da velocidade da luz, e então "empurrá-lo mais ainda", impelindo-o a
atravessar a barreira da velocidade da luz. A fórmula de Einstein explica por que
esses esforços nunca terão êxito. Quanto mais rapidamente um objeto se mover,
mais energia ele terá, e pela fórmula de Einstein vemos que quanto mais energia um
objeto tiver, maior será a sua massa. Um múon que viaje a 99,9 por cento da
velocidade da luz, por exemplo, pesa muito mais queoutro estacionário. Com efeito,
pesa cerca de 22 vezes mais — literalmente. (As massas apontadas na tabela 1.1
referem-se a partículas em repouso.) Mas quanto maior for a massa de um objeto,
mais difícil será aumentar a sua energia. Empurrar uma criança em um carrinho de
bebe é uma coisa e empurrar um caminhão de seis eixos é outra muito diferente.
Assim, quanto mais depressa se mover o múon, mais difícil será aumentar ainda
mais a sua velocidade. A 99,999 por cento da velocidade da luz a massa do múon
estará multiplicada por 224; a 99,99999999 por cento da velocidade da luz, estará
multiplicada por 70 mil. Como a massa do múon cresce sem limites à medida que a
sua velocidade se aproxima da velocidade da luz, seria necessário um empurrão
com uma quantidade infinita de energia para que elealcançasse ou ultrapassasse a
barreira da velocidade da luz.
Isso, evidentemente, é impossível e, por conseguinte, absolutamente nada
pode viajar a uma velocidade maior do que a da luz.Como veremos no próximo
capítulo, essa conclusão planta a semente do segundo maior conflito que a física
enfrentou no século passado e em última análise sela a sorte de outra teoria querida
e venerada — a teoria da gravitação universal, de Newton.
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O universo elegante
RandomEsse é um livro científico, porém eu recomendo também para leigos, por usar analogias diversas e procurar expor da maneira mais clara possível algumas das idéias dos maiores contribuintes da física e da matemática , além de expor claramente a loucur...
