Bathroom out of order

542 61 2
                                        


13:45 pm.

Cheguei em casa.
Meu pai não estava lá... aparentemente não. Me aproximei da geladeira e vi um bilhete:

"Mit, sua mãe piorou. Estamos levando ela para uma clínica. Devo voltar apenas na manhã seguinte. Cuide-se, por favor! Assinado: pai."

Após ler, abri a geladeira e peguei um copo de suco para beber. Eu precisava comer algo também, mas meu estômago rejeitava qualquer tipo de alimento.

Algum tempo depois, subi para o meu quarto, que ficava no segundo andar.
Só sei que eu não dormiria nem fodendo, naquela casa sozinho! Parte de mim era coragem, a outra era medo, eu não sabia exatamente "do que", mas não ia arriscar.

Arrumei roupas quaisquer, todas cinzas ou pretas, eu só usava dessas cores, não gosto das coloridas.

14:14 pm.

Ouvi o celular vibrar, era Lil.

— Está vindo? Ou vai esperar o ano que vem?

Respondi em segundos:

— Já estou a caminho. Vou dormir ai, meus pais estão fora.

A vi digitando com rapidez:

— Está com medo? Hahah

Tentei mentir:

— Claro que não!

Ela respondeu:

— Vem logo, ou te deixo dormir no gramado.

Visualizei e guardei o celular.

14:20 pm.

Passei pela porta do quarto de James, e senti o ar "estranho", não me sentia sozinho ali, eu ainda sentia ele naquele quarto. Ele fazia falta e muita.

14:55 pm.

Bati na porta da casa de Lil.

Ouvi seus passos rápidos. Ela me recebeu com o cabelo amarrado em forma de coque e de pijama com uma estampa de caveiras. Olhei-a de baixo a cima.

— Mas, que porra é essa? São três da tarde!

Ela sorriu, e pediu para eu entrar.

— Vem, tô assistindo série na sala. Por isso já tô de pijama.

Ela olhou para baixo, como se sentisse vergonha.

— Entendi. Alguma série de horror, terror?

Ela riu mais intensamente.

— Pra sua felicidade, não! Estou assistindo TVD.

Fiz expressão de vomitar.

— Prefiro de terror.

Irritada, respondeu:

— Melhor que seus animes hentai.

Revirei os olhos.

16:30 pm.

Eu estava babando a cara de Lil, e ela roncando no final do sofá. Aparentemente, os pais dela também não iam aparecer por hoje. Me levantei cuidadosamente, para não acordar ela.
Fui em direção ao banheiro, a casa dela parecia mais uma hotel, de tantos quartos e banheiros que havia.

16:39 pm.

Finalmente achei o banheiro. Achei que teria que voltar para casa, para usar o meu.
O banheiro que eu normalmente usava, estava com problemas na privada, pensei:

"— Lil anda usando esse banheiro, não é possível."

Ri de mais uma piada aleatória minha.

16:42 pm.

Lavei o rosto.
Dei uma penteada no cabelo com os próprias dedos, olhei fixamente pros meus olhos castanhos no espelho, senti um frio forte percorrendo toda a espinha.
Minha pele estava branca, tão branca, como se eu fosse de porcelana; ou eu tinha morrido e meu sangue parou de circular.
Ouvi a voz de uma garota atrás de mim, recitando um poema enquanto chorava:

"Os campos eram floridos.

Dentro de mim tudo havia queimado.

Os campos que habitavam dentro de mim.

As flores estão mortas agora. "

Eu não sabia se eu virava, ou se ficava parado.

Criei coragem para virar... contei até três mentalmente; 1... 2... 3...

Ouvi um estrondo forte vindo da porta do banheiro. Eu poderia jurar que naquele momento, eu teria um infarto!
Mas era só a filha da puta da Lil.

— Caralho!!!

Ela respondeu irritada:

— Que foi porra? To doida pra mijar, e você fica ai anos nesse banheiro!! E eu estou muito apertada para subir mais escadas.

— Já estou saindo.

Abri a porta, engolindo meu coração que quase saiu pela boca, naqueles últimos minutos.
Ela entrou no banheiro igual uma retarda, tirando a roupa toda, de porta aberta ainda.

Dias pálidosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora