My friend Zak

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Uma mulher toda de preto, se aproximou de nós. Puxou-me pelo braço.
O que estão fazendo aqui?

Seus olhos com enormes bolsas de rugas e olheiras abaixo deles, mostravam a avançada idade.

22:05 pm.

A rigorosa mulher velha, arrastou-me e logo em seguida Zak também, até um pequeno quarto e trancou a gente lá.
Tinha um colchão imundo no chão, sentamos nele.
Pude ver a angústia nos olhos do jovem judeu.

Estamos perdidos agora!

Respondi colocando uma de minhas mãos em suas costas.

Espere a manhã chegar, daremos um jeito.

Ele concordou, com o corpo cansado, acabou adormecendo.
Eu sabia que eu não podia dormir, se não eu voltaria para a outra dimensão e deixaria Zak na mão.
Pelo que eu sabia, era assim que acontecia...

03:00 am.

Zak acordou suando e assustado, se levantou e com os olhos arregalados me perguntou.

Você viu? Estão todos mortos!

Percebi que ele estava assustado com seu pesadelo.

Fique calmo, foi um sonho! Você já está acordado.

Suas mãos limpavam o suor já pingando por toda sua roupa amarelada de sujeira.
Seus cabelos estavam grudados de suor.

Sim, apenas um sonho.

Seus olhos encararam o chão, com uma grande tristeza neles.

Não foi um sonho. Isso já aconteceu.
Disse Zak.

Engoli seco, sentir meu olho direito lacrimejar e meu rosto ficar quente, já imaginando o provável acontecimento.

O que aconteceu?

Mãos suadas e seu pé se movendo em frequente movimento, ele começou a contar sua trágica história.

Foi a algumas semanas, enquanto eu pegava frutas na cidade, junto com meus irmãos mais novos.
As frutas nasciam com mais frequência no final da árvore, então eu subi o mais alto que consegui para pega-las, consegui ouvir gritos, muitos gritos e alguns segundos depois meus irmãos com os corpos dilacerados no chão de terra próximo á árvore. E eu sem entender muito, fiquei paralisado... o rosto da minha pequena irmã, que havia grandes bochechas rosadas, estava sujo de respingos do seu próprio sangue. E meus outros dois irmãos estavam sem a face visível, os tiros de um fuzil que um soldado exibia em seus braços, foram diretamente em suas testas. Por sorte... ou não... eles não me viram no alto da árvore.

Ele parou por uns segundos, para recompor suas falas.

Eu acredito que eu pudesse ter salvado eles. Quando finalmente consegui descer de lá, sem olhar muito para os corpos, fui correndo para casa! Mas meus pais não estavam mais lá. E tudo estava queimado...

Lágrimas inquietas escorriam pelo seu rosto, assim fazendo um rastro entre a sujeira.
Limpei algumas e disse.

Calma, você não podia fazer nada. Afinal, você não estava tão próximo deles... e mesmo que tivesse, teria sido mais uma vítima.

Zak olhou cabisbaixo para mim.
Então eu continuei a falar.

Se você está aqui agora, é pra algum propósito. Eu já estaria morto sem você.

Pude ver um pequeno sorriso surgir entre as lágrimas.

Talvez seja.

Abracei-o. Agora ele era oficialmente meu amigo, depois de toda essa longa conversa.
Ouvia seu coração pulsando forte, mas ele estava mais calmo.

03:40 am.

O jovem pegou novamente no sono. E eu me mantive acordado até amanhecer...

Dias pálidosOnde histórias criam vida. Descubra agora