Yellow poem part 2

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Meus pensamentos foram dilacerados por uma buzina de uma caminhonete que eu avistei de onde eu estava.
Me aproximei da camionete, lá estava Josh, um colega da faculdade.

Ele saiu desesperadamente de seu veículo com marcas de ferrugens e me disse em palavras curtas:

Mit, eu já soube o que houve, vi seu carro quebrado aqui. Vamos para o hospital, ande rápido!

Tudo bem.

Respondi com minha voz que já estava rouca.

Amassei o papel que ali perto achei e pus no bolso do meu casaco cinza grafite que eu usava nos dias mais frios de outono.

10:20 am.

Já estávamos no hospital, minha mãe havia desmaiado e meu pai estava com ela em outro quarto. Fui em busca do corpo do meu irmão.

10:34 am.

Achei a sala que ficavam os corpos, os médicos analisavam frequentemente os pulsos do corpo de James, aparentemente ele havia cicatrizes nos pulsos, apesar de ter se suicidado enforcado no ventilador de teto.

Meus olhos estavam concentrados nos médicos, quando sinto uma mão fria, pálida e gelada em meu ombro direito, e uma voz familiar, era Ana:

Lamento muito sua perda, Mit.

Ela me abraçou fortemente. Então eu afastei ela de mim e respondi:

Ok, obrigada.

Ana era minha ex namorada, eu a amava muito, mas ela havia me traído com o professor de uma das classes da minha faculdade... Sim, eu não sou um cara de muita sorte.

Ela se afastou de mim e foi em direção à recepção, nossa cidade era uma cidade extremamente pequena, as notícias se espalhavam como as folhas no vento forte.

11:45 am.

Os médicos se afastaram do corpo do meu irmão, eu fiquei algum tempo ali esperando isso.

O corpo de James ainda estava vestido com o pijama azul dele, que ele mais usava. Os médicos saíram da sala e olharam friamente pra mim, ouvi alguns:

"Lamentamos a sua perda".

11:48 am.

Entrei na sala que James estava.

Olhei tristemente o meu pequeno irmão ali, morto. Sem conseguir respirar, eu já estava sentindo saudades da sua risada intensa e contagiante. Dos seus olhos verdes azulados...

Encostei em sua mão gelada, logo senti algo no bolso de seu pijama; era um papel.
Retirei o papel de seu bolso, meus olhos não acreditavam no que estava vendo, o papel era semelhante ao que eu achei na praça a algumas horas atrás.
Abri cuidadosamente o papel, mas ouvi passos atrás de mim, amacei-o e guardei em meu bolso junto com o outro. Era meu pai, me chamando para ir pra casa. Dei uma última olhada para James, me virei e fui para fora da sala, brevemente para fora do hospital.

13:17 pm.

Já estava novamente em casa, minha mãe estava no hospital, ela havia perdido a consciência... Meu pai se mantinha forte, não demonstrava nada. Ele era um homem forte!

13:30 pm.

Deitei em minha cama, eu queria sumir daqui, queria ir pra algum lugar e nunca mais voltar.
James era meu melhor amigo, meu irmão, era a única pessoa que eu confiava. Ele não tinha tendências suicidas, eu não conseguia entender. O que foi que eu fiz de errado?
Me lembrei do papel em meu bolso, abri rapidamente com a curiosidade exalando em minha mente. Meu corpo agora estava provavelmente mais frio que o de James... No papel amarelado estava escrito:

" Feche os olhos e me sinta com você. "

Aquela estava distante da caligrafia de James, peguei o primeiro papel e comparei as letras. Claramente é a mesma letra! Mas... Dessa vez o papel estava assinado no final:

" — Lucy "

A pergunta que agora não ia sair da minha cabeça: Quem era Lucy?

Dias pálidosOnde histórias criam vida. Descubra agora