Shut up bitch

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11:30 am.

Depois de algum tempo sentado naquela velha sacada.
Ouço alguns gritos e gemidos da sala, obviamente Lil e Josh, parece que alguém tomou iniciativa. Ri.

12:00 am.

Os minutos passavam rapidamente, o papel já estava guardado em meu bolso. Os mais antigos eu tinha um lugar para eles, acumulando-os em páginas de um livro de capa dura, não muito grande.
Eu fiquei tanto tempo sentado lá, que minha visão fotográfica dessa antiga casa, nunca mais sumiria, aparentemente.

Algum tempo depois senti um ar quente no meu pescoço, e um perfume do qual eu me lembrava claramente... Ana. Espera! O que ela tava fazendo aqui?! Ela se sentou ao meu lado.

Oi.

Respondi sem olhar para o seu rosto.

Olá.

Ela estava se ajeitando entre a madeira da sacada, que nos impedia de cair dali.

Vi o carro de Josh parado aqui, vim ver o que houve.

Sorri debochadamente.

Tudo bem, isso daqui já está praticamente um clube de jovens infratores.

Consegui ver completamente seu sorriso, pelo canto do olho. Ah, aquele sorriso, que já me fez querer viver por milhares de anos, só pra poder ter ele todos os dias, só pra mim...

Mit? Ta tudo bem?

Pensamentos interrompidos pela pessoa que me causou eles.

Sim, estou. Vou ir embora, Josh e Lil estão fazendo algo que nem quero imaginar, vou passar pela sala com aos mãos no rosto.

Pude ouvir sua risada doce.

Eu também. Vamos.

12:40 am.

Passamos pelos humanos pelados na sala.
Chegamos até a porta... A fechadura estava um pouco emperrada, fiz força. Nada. Empurrei. Nada. Soquei... nada.

Puta que pariu, essa merda ta de sacanagem comigo!

Gritei Lil e Josh.

Seus pervertidos, sei que o primeiro encontro ta uma maravilha. Mas podem vir ajudar aqui?

Eles semi-nus chegaram até Ana e eu.
Fizeram o máximo de esforço, a porta não abria! Tentamos abrir algumas janelas, mas todas estavam enferrujadas na fechadura. Desistimos. Lil se sentou no chão e resmungou.

E agora? O que vamos fazer?

Pensei na solução mais óbvia.

Vamos esperar sentirem nossa falta.

Lil riu.

Vamos morrer aqui, ressecados de fome, igual umas múmias!

Josh acompanhou sua risada.

Pensamentos positivos, não é mesmo, Lil?

Pude ouvir a voz irritada sair das cordas vocais de Ana.

Vocês não prestam. Eu quero sair dessa merda, vamos fazer uma escada humana e eu saio pelo teto! Mas aqui eu não fico.

Lil retrucou:

Cala boca vadia!

Em poucos segundos eu e Josh observávamos uma briga de uma garota semi nua, e a outra que reclamava mais do cabelo se quebrando do que dos verdadeiros tapas.
Separamos a briga. Não queria ver Lil sendo acusada de homicídio...
Parem!

O olhar de Ana para a Bad girl, mostrava tudo.

Eu não vou ficar no mesmo cômodo que essa piranha gótica!

Ouvi gritos vindo de Lil.

Muito menos eu, dessa tarada por homens casados!

Josh tava rindo.

Essa foi pesada hein!

Retruquei Josh.

Cala boca você também. Ana, vai para algum quarto do andar de cima! Josh, vai também... pelo que eu sei, Lil é minha amiga e não sua. Lil? Você também cala a boca.

Todos ficaram em silêncio, mas concordaram.

17:30 pm.

Algumas horas pensando na vida e deitado no chão e nas poltronas, esperando algum infeliz lembrar da minha existência, ou de algum de nós.
Já dava pra ver pelo vidro quebrado da janela a noite surgindo por entre as nuvens pálidas e cinzas. O casalzinho se pegando pelos cômodos, e Ana dormindo do outro lado da sala. Por sorte, Ana era fresca e carregava muitas barras de cereais em sua mochila, era nossa janta de hoje.

19:00 pm.

Peguei no sono, e retornei ao estranho lugar fora dos dias atuais...

Dias pálidosOnde histórias criam vida. Descubra agora