Old house

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07:45 am.

Lil estava passando maquiagem, hoje ela escolheu um batom vermelho alaranjado.
Não tinha muito o que passar, mas ela demorava séculos.
Minha mente se permanecia inquieta...

8:15 am.

Eu já estava irritado.

O que falta ainda?

Ela olhou pra mim pelo reflexo do espelho em seu quarto.

Pentear o cabelo.

Encarei aqueles cabelos enormes e escuros como uma noite de inverno.

Eu definitivamente não durmo mais aqui.

Ela riu. Sem delongas disse:

Vai se foder!

08:30 am.

Estávamos andando para ir até a faculdade.
A casa de Lil era bem mais longe; além de ter ficado horas esperando ela, ainda estava atrasado.

Não vamos chegar nunca.

Ela juntou as sobrancelhas, com o olhar irritadiço para mim.

Eu vou te espancar se você não calar a boca.

Mulheres não gostam de se irritar, mas eu estava mais do que certo, pensei.

08:42 am.

Passamos por entre um túnel com muitos carros parados no lado direito e outros percorrendo a pista esquerda. O trânsito estava em meia pista, hoje era uma manhã corrida na pequena cidade.
A mariposa que recentemente encontrei do lado do travesseiro, caiu no momento em que tirei uma de minhas mãos do casaco cinza grafite.

Me abaixei.

Um barulho ensurdecedor percorreu da minha espinha até chegar em meus ouvidos, mas tudo foi cortado após eu cair de cara no chão e me virando com aqueles olhos azuis arregalados me encarando.

VOCÊ VIU ISSO?

O QUE?

Estávamos gritando, não sei exatamente do que.

QUASE FOMOS ATROPELADOS.

Dei uma leve risada, estava vivo, mas quase fiquei surdo.

Lil estava acomodada em cima de mim, sua pupila se mantinha dilatada. Nunca vi aquela bad girl tão assustada...
Por algum tempo achei engraçado.

Ei, não vamos para faculdade hoje! Depois de quase morrer, não estou com vontade de ir pra lá.

Ok! Vamos para onde?

Seu olhar verificou tudo em volta, sua cara de decepção em não saber de uma resposta era evidente.

Eu não sei.

Suas mãos percorriam o rosto, já aparentemente calmo.
Ela continuou.

Espera... Você lembra daquela casa a algumas quadras daqui?

Alguns carros parados já estavam voltando a frequentar o túnel.
Lil e eu estávamos sentados no mesmo lugar do qual caímos. Ela não estava mais em meu colo.

Aquela fucking casa com aparência de 300 anos? Ahhh, claro, como esquecer de um lugar tão... doce e admirável, não é?

Seus olhos reviraram.

Prefere ficar aqui mesmo e morrer atropelado?

O sarcasmo estava presente em suas palavras.

Tudo bem, vamos então.

Ela se levantou e me deu a mão para facilitar meu corpo se erguer novamente.

08:57 am.

Paramos em frente a casa com as paredes brancas, porém, manchadas de marrons pelo tempo em que esteve abandonada ali. Nossos passos tinham barulho de folhas se partindo, haviam milhares delas em baixo de nossos pés.
Lil segurou na minha mão.

Vamos, na sala que tem enormes janelas, fantasmas não gostam de claridade... Eu acho!

Encarei ela como se concordasse.

Eu estou com frio, vamos!

Ela me arrastou e eu fiquei quieto, não estava afim de discordar da ideia de Lil nessa altura da vida. Seria perigoso, talvez...

Abrimos a porta com vertigens de arrombamento já presentes, ela foi na frente.

Dias pálidosOnde histórias criam vida. Descubra agora