Cold blood

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Zak atravessou os destroços até o resto do teatro.
Não era nada seguro lá, mas não tínhamos escolhas!
Fui logo atrás dele, de longe vi alguns caminhões se aproximando de algumas moradias ainda erguidas, mas já afetadas pelo conflito. Algumas mães chorando aproximadas e agachadas do lado do corpo de seus filhos. Alguns soldados carregavam em suas costas fuzis, e lança-chamas nas mãos.
Mesmo a metros de distância, consegui ouvir gritos ensurdecedores de famílias sendo queimadas vivas a sangue frio.
Só Deus sabe o quanto meus pensamentos absorviam toda aquela dor de inocentes.
Queria eu poder pegar todas aquelas pessoas e protegê-las, mas agora eu tinha que pensar em mim... não tinha outra alternativa.

Enquanto me abaixei para se esconder meio blocos de construções, minha camisa preta, da qual botei para dormir na casa de Lil, se agarrou em um gancho e se partiu rapidamente, o pior não era isso, e sim que eu fiquei agarrado junto ao gancho.

Zak? Estou preso!

Ele com um olhar desesperador, me puxou com força para trás, fazendo assim minha camisa se desprender.
Lá estava frio, mas o calor das casas em grandes chamas, nos mantinha aquecidos.
Aparentemente estávamos no inferno, não, com certeza, aquilo era o inferno.

Cada segundo significava muito na vida de Zak, com a testa franzida e suada e a respiração ofegante, sussurrou:

Está vendo aqueles soldados ali?

Concordei com um breve:

Sim.

Ele mal me esperou responder e logo disse:

Quando eles virarem, corremos em direção à aqueles plátanos, está vendo? As enormes árvores ali!

Ele apontou cuidadosamente para os milhares de plátanos verdes ainda, naquela estação.

Ok.

Os soldados não estavam focando na floresta ainda, estavam preocupados em matar os judeus em suas próprias casas.
Poucos estavam conseguindo ter a "sorte" de fugir.

Alguns segundos depois, os "criados de Hitler", se viraram e nós corremos como se tudo desabasse ao pisar de nossos pés.
Com sucesso, chegamos e nos escondemos atrás das gigantescas árvores; não tão gigantes, mas eram espantosamente maiores que eu e Zak.
Com a respiração mais contida, ouvi sua voz rouca:

Mitchel, agora que estamos aqui. O que pretende seguir? Eu irei pro norte, ou o mais longe que conseguir chegar.

Respondi analisando com os olhos, seus pequenos mas profundos machucados recentes na bochecha.

Eu não tenho rumo. Não realidade, eu não sei o que estou fazendo aqui!

Agora os olhos dele que percorriam meu rosto.

Você realmente não parece daqui, sua pele parece uma grande porcelana, porém, suja agora.

Ergui as sobrancelhas.

Digamos que não sou dessa década.

Estávamos andando apressadamente floresta a dentro, cada vez parecia mais profundo e assustador.
Lá continham-se muitas espécies de árvores, que acredito nunca ter visto em toda minha vida.

O sol já estava sê pondo, Zak já exibia um corpo cansado e alguns bocejos; eu estava na mesma condição física. Entre um bocejo e outro, ouvi novamente a voz rouca:

Preciso de água. Preciso muito!

Olhei para as folhas e o chão, em busca de alguma recente água parada... NADA.

Eu acho que não vamos encontrar nada aqui! Pelo que li nos meus livros escolares, água era a preciosidade das guerras.

Senti a curiosidade de Zak nas palavras:

Você é um viajante do futuro?

Ri da tamanha bobagem.

Acho que não! Mas se bem, que pensando por um lado, nem eu sei!

Ele riu, com boa quantidade dos dentes amarelados. Provavelmente a dias sem serem limpos...

— "Senhor" Mitchel, como posso te chamar?

Tentei planejar um nome inédito na mente de Zak, para ver o que ele falaria.

Me chame de senhor doritos!

Fiz um gesto de cumprimento com as mãos. Ele correspondeu com sua mão esquerda.

Tudo bem, senhor do... doritos.

Sua expressão facial era de "Ham?"

Eu estou brincando. Doritos é o nome de uma espécie de comida com gosto de chulé, da atualidade. Me chame de Mit, sem o "senhor".

Ele gargalhou fortemente.

Está bem, Mit.

Andamos durante horas.
Ele me fazia perguntas extremamente bobos, exemplo " As garotas da atualidade usam roupas íntimas? ".
Eu ria muito, mas me sentia profundamente triste em saber que ele nunca poderia ver algo do tipo.

Ouvimos barulhos vindo de perto de umas moitas, era barulho de água derramando em algo.

Está ouvindo isso, Zak?

Nossos pés estavam destruídos, os do jovem Zak já estava a carne viva.

Sim...

Ande sem fazer barulho e vamos ver o que é.

Tudo bem.

Ficamos agachados em meio às moita.
Para nossa tristeza, o barulho era de um sangue.
Metros dali um soldado alemão exibia seu pescoço decapitado. O liquido espirrava fortemente pelas folhas dos plátanos acima de seu corpo, todas completamente pintadas de vermelho; por alguns segundos me senti no país das maravilhas, e não em uma guerra, e sua veia carótida eram os pincéis.

Dias pálidosOnde histórias criam vida. Descubra agora