Ground beef

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00:08 am.

O caminho era dificilmente visto, apenas a luz da lua refletia em alguns corpos mortos no rio e no topo das árvores, fazendo-as brilhar.

00:20 am.

Chegamos a um casa grande e destruída, mas tinha condições de passarmos o resto da noite ali.
Era extremamente perigoso ficar andando por aí. O chão e a parede da casa estavam cobertos por carvão, Zak se deitou encostado à parede e adormeceu.
Era possível ver seu rosto mais imundo ainda, agora pelo carvão. Seu ronco era intenso, evidentemente cansado.

00:45 am.

Meu corpo também mostrava sinais de cansaço, porém eu sentia a tristeza gravada na memória de ver tantos corpos mortos e alguns sem possibilidades dê identificação. Me levantei e verifiquei se Zak estava bem, fui em direção ao lago novamente, precisa respirar algo que não tivesse cheiro de carvão e sonhos destruídos.

00:57 am.

Na beirada da água tudo era frio, o medo evaporava da mesma.
Me agachei e observei a lua, ela parecia tão grande e brilhante naquele século... Acho que a poluição atual distanciou a lua de nós.

01:05 am.

Ouço latidos frenéticos de cães de caça, alguns mordiam corpos e terminavam de destruí-los.
Me escondi atrás de um amontoado de carne humana podre, aquilo era tão nojento que era impossível descrever, o cheiro era parecido com carne moída à uns 50 dias fora da geladeira, claro, eu sei disso por causa do esquecimento constante do meu falecido irmão James.

01:25 am.

Ou eu vomitava, ou vomitava mesmo.
Aguentar aquele cheiro era quase impossível, provavelmente eu morreria asfixiado, a parte boa era que meu corpo jamais ia ser achado de tantos que se encontravam ali. Assim não haveria briga entre Ana e Lil, para saber quem jogaria a rosa primeiro em mim. Pensei...

01:34 am.

O soldado e seu cão se aproximavam cada vez mais rápido, o medo percorria cada canto da minha espinha e também da minha pele completamente fria e pálida.

01:43 am.

Era possível sentir a baba do cachorro escorrendo pelo meu rosto.
Meu corpo foi puxado fortemente entre o amontoado de carne moída humana, o soldado me pegou e jogou-me no chão. Meus olhos não acreditaram naquilo, eu estava delirando...

Dias pálidosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora