Lil caminhou de mãos dadas comigo até uma barraca de algodão doce e pipocas.
Enquanto ela fazia nosso pedido, observava-a detalhadamente.— Eu quero um algodão azul. Pode ser um rosa pro meu amigo aqui...
Suas palavras para o vendedor saiam rapidamente. Lil olhou para mim, para eu pagar.
— Mit? Acorda!
Sorri de lado, minha cara de bobo parecia ter um letreiro: "Encantado", por que era assim que eu estava naquele momento.
Como eu nunca havia percebido como Lil era linda?!— Ahhh, desculpe-me. Aqui está o dinheiro!
Entreguei ao vendedor.
Fomos andando até um banco de madeira afastado, em baixo de um dos plátanos iluminados. Lil me olhou com o nariz sujo pelo algodão— O que foi?
Respondi.
— Seu nariz ta meio sujo, vem aqui, deixa eu limpar.
Passei a mão cuidadosamente pelo seu pequeno nariz.
— Ahh que bonitinho você, nem parece que gosta de me dar uns tapas enquanto transamos.
Sorri discretamente e a encarei com fúria.
— Vou ignorar isso só porque meu algodão é rosa. Pensa que eu não vi né, Lil!
Seu olhar foi para o chão, fingindo sentir vergonha.
— Desculpa... Talvez você merecesse um algodão rosa.
Incrédulo respondi.
— EU? PORQUE? O que eu fiz?
Seu sorriso ofuscava as luzes, a sua entre as nuvens, os vagalumes e tudo que brilhasse naquele local.
— O que você fez Mit? Bom... Não correspondeu nenhuma das vezes que passei minha bunda em você... E...
Lil fez uma pausa nas palavras, esperando-me perguntar.
— E...?
Enquanto mordia uma parte do algodão, respondeu.
— E me fez se apaixonar... Por você.
Dei uma fraca empurrada em seu ombro.
— Veja só, a bad girl tá apaixonada!
Ela se aproximou devagarinho perto do meu rosto, com a respiração batendo fracamente na minha boca.
Uma luz refletia em seus olhos azuis, fazendo-os ficar cinzas de tão azuis! Naquele momento imaginei ter uns 20 filhos com ela, só pra sair alguns com seus lindos olhos. Então... a bad girl disse.— E você não?
Minha mão percorria até o lado de seu rosto, puxando-a para um beijo. A resposta era óbvia...
Alguns segundos depois...
Algo me faz interromper o beijo drasticamente. Eu estava encharcado de algum líquido, olhei para cima, era Ana.
— Ah, desculpa!
Disse ela com suas palavras falsas. Lil retrucou.
— Se enxerga garota, só não te meto a porrada e esfrego sua cara no asfalto porque estou com MEU NAMORADO, e não vou perder tempo com vadias como você!
Ana respondeu indelicada.
— Pode até ser seu namorado, mas quero ver um dia você transar com ele como eu transei...
A filha dá mãe olhou para mim ainda. Respondi.
— Desculpa, mas Lil transa até melhor!
Lil sorriu e jogou um beijo para ela, logo em seguida me abraçou. E Ana foi embora dali batendo os pés de raiva...
— Mit, você vai precisar de um banho!
Respondi maliciosamente.
— É? Você pode me ajudar nisso?
Ela riu.
— Te ajudo até sem precisar de ajuda, gato!
Talvez isso foi a tentativa de uma cantada, que claramente deu certo.
— Não provoca...
Sinto minha boca levemente mordida.
— Vai limpar isso logo, garoto.
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Dias pálidos
Mystery / ThrillerApós o término de seu namoro e o suicídio de seu irmão e melhor amigo. Mitchel encontra um misterioso papel com uma caligrafia antiga em uma praça abandonada. Com pensamentos perturbados e poemas intensos, e com uma pequena mariposa morta, assinado...