capítulo 03

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No último segundo, Martha pediu para que eu agisse "normalmente"

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No último segundo, Martha pediu para que eu agisse "normalmente". Com certeza não há como agir normalmente numa situação dessas.

Autocontrole é a chave de tudo. - pensei.

Após sentar-me para comer, Martha se afastou.

— Boa noite. - falei.

Estou sendo observada, claro.

Outras pessoas que nunca vi me serviram. Entrada, uma salada de folhas e nozes. Prato principal, purê de abóbora com carne ao ponto com molho de ervas. Sobremesa: sorvete. Fiz aulas de culinária, sei umas coisas. Realmente fui treinada.

Após o jantar, fui levada para uma sala ao lado. Televisão enorme, aparelho de som, uma estante enorme de troféus e algumas poltronas. Não era uma sala pequena. Nenhum telefone a vista. Dei uma uma olhada, nas poucas coisas na sala, parei de frente para um espelho enorme. Talvez seja um espelho falso. Toquei-o com a ponta do dedo, aquele velho truque, se haver um espaço entre o reflexo é seu dedo, é um espelho falso, mas não. Um espelho de verdade.

— Olá? Quando vamos nos conhecermos? - esperei resposta. Mas como não veio me acomodei numa poltrona perto da TV. Zapiei os canais até cansar e deixar em um filme qualquer.

Nada de novo na TV. Caminhei até a estante de troféus. A tal estante toma toda uma parede. Deve ter uns dois metros de altura e uns dez comprimento. Quem é tão competitivo a ponto de tantos troféus. Ou melhor, quem é tão habilidoso? Observei bem e nenhum contia terceiro lugar. E os que tinha segundo também tinha de primeiro do ano seguinte.

Tudo bem arrumado.

— Quer... que eu fale sobre mim? Política? Meio ambiente? Economia? Culinária? Música? Literatura? - tentei.

Vontade de xingar.

Bufei.

— Não é necessário. Você deve saber até o tamanho da minha calcinha. - falei rindo em seguida.

...de volta ao quarto. Vesti a mesma camisola de ontem.

Martha me cobriu com o edredom. Desnecessário.

— Fui bem? - inqueri.

— Não me falaram o contrário.

— Fala com ele?

— Sim. Sempre.

— Quem me escolheu?

— Camille, por favor. - me fitou séria.

— Tudo bem. - suspirei. Mordi o lábio. – Só mais uma pergunta. - ela já estava saindo, segurei sua mão.

— Não garanto que terá resposta.

— Quanto a isso, já acostumei até. - me remexi um pouco.

— Qual a pergunta.

— Desde quando...fui escolhida? Pra não usar outras palavras.

DEVO AMAR-TE? (CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora