capítulo 24

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Tudo girou

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Tudo girou. Quando abri os olhos, não sei se sou eu que estou girando ou se o mundo ao meu redor. Foi uma mistura de informações confusas. O barulho vindo do andar de baixo, o quarto em completo escuridão e por último o que aconteceu mais cedo. Foi um choque de tudo. Pressionei a mão sobre o peito, no coração. Está batendo normalmente. Por um segundo achei que estivesse em outro plano. Aconteceu mesmo minha primeira vez e com o Eric.

Pés no chão, tudo ainda girando. Acendi a luz do abajur ao lado da cama e tive uma surpresa. Onde a pouca luz do abajur alcança, está cheio de flores, corrigindo rosas brancas e vermelhas. Engatinhei sobre a cama até o outro lado, acendendo a outra abaju para assim clarear mais o quarto. Sorrir. Um mar de rosas. Da porta do closet e banheiro até aporta do quarto, em todo canto. Peguei o bilhete sobre o criado mudo: "espero que esteja bem e que goste de flores".

Abri a porta e o barulho, se fez mais alto. O que está acontecendo nesse casa?
Faz meses que estou aqui e tudo é sempre tão quieto. Então é de se estranhar algo assim.

Desci todos os lances de escadas, chegando na sala. Um vislumbre do lado de fora, mostrou-se que já é noite. Dormir o dia inteiro. A porta rangeu um pouco, quando a abri dando de cara com a sala de tv repleta de pessoas, jogando. Digamos, que a réplica perfeita de um cassino clandestino. Meus pais estão entre essas pessoas. E por incrível que pareça o som alto, não está vindo daqui de dentro, possivelmente do jardim. Ao notar minha presença, "mamãe" veio até mim, com os braços abertos.

— Meu amor. – abraçou-me. Fiquei parada, sem retribuir o gesto.

— O que está acontecendo aqui? E o meu marido, onde está? – ela sorriu, como se estivesse orgulhosa de si própria olhando em volta. O que não é estranho vindo dela.

— Ele saiu, meu amor. – tirou o meu cabelo de sobre meu ombro, deixando à mostra meu pescoço e as marcas que há nele. – Que romântico. – tocou com as pontas dos dedos no local as tirei com praticamente um tapa, o que a fez sorrir dando de ombros.

— Quero que acabe essa, zorra. Agora. – apontei para todo o ambiente. Está um caos. Mamãe sorria enquanto falava.

— Meu amor, seu marido nos deu carta branca, quando disse para ficarmos à vontade. É como estamos.

Fechei os olhos ao mesmo tempo que balançava a cabeça, de um lado para o outro.

Só pode ser brincadeira! Que droga de homem estúpido é esse Eric! Ele só faz isso para me provocar. Esse maldito sorriso que não sai da cara dela, está me deixando puta.

— Que bom que aqui também é minha casa. Sendo assim... – fiz uma pausa, olhando para a cara dela. – Estou a tirando de vocês.  – Saiu rude completamente intencional, assim não darei margem para nada. É a única língua que entendem. — Acabe logo com isso ou eu mesma acabarei.

Sai dali.

Procurei em alguns cômodos, por Martha e não a encontrei. Ela se mandou quando notou que o barco estava cheio demais. Bem pensado, já que, talvez ela iria ganhar a culpa. Seu trabalho é manter a minha casa em ordem, né? Mas ele que deu a carta branca segunda minha mãe claro, então a culpa de qualquer coisa, é dele. As flores não estão amenizando isso, Eric.

Subi de volta para o meu quarto, desviei de umas rosas aqui e outra ali, sentei-me brevemente na cama. Um suspiro de irritação. Preciso de um banho para acordar 100% e me acalmar. Já tinha feito tudo isso e mais um pouco, quando Eric adentrou ao quarto. Não me achando propriamente no quarto veio até o banheiro, onde estou. De frente ao espelho penteando meus cabelos.

— Já foram? – perguntei, o olhando através do espelho. Ele veio até mim, ficando por trás. Baixou um pouco a cabeça, ficando com o rosto bem no meu pescoço, onde beijou. Sua respiração bem ali, me causou arrepios.

— Os mandou embora? – é meio que uma pergunta retórica, sendo que já sabe a resposta.

— Já deu o que tinha de dá, não? – Suas missões eram me perturbar e encher a poupança. Concluído com sucesso. — E de onde surgiu toda aquela gente? – virei-me de frente para ele.

— Amigos e conhecidos ora!

Fiquei na ponta dos pés o mesmo baixou um pouco a cabeça.

— Adorei as flores. – falei sorrindo.

— Que bom. – fez carinho no meu rosto e cabelos.

Faltava pouquíssimo para nos beijarmos, mas Martha, a adorável Martha atrapalhou.

— Senhor. O carro já está pronto.

Detesto essa mulher. Ela não bate na droga da porta, não pede licença, só aparece nos lugares feito um maldito espírito. Está de pé no vão da porta, entre o quarto e o banheiro.

— Seus modos são de dá inveja, sabia? – revirei os olhos. Ela me olhou de cima a baixo pausando os seus olhos onde havia marcas. Igualzinho como minha mãe fez. Até que compreensível, mas ninguém falou para elas que encarar é falta de educação?

— Peça que espere. – Eric disse sem nem olhá-la.

— Sim, senhor. – deu uma última olhada em mim e foi embora.

Onde era que ela estava? Só apareceu quando achou conveniente. Muito estranho.

— Camille, Martha só está fazendo o trabalho dela. Seja compreensiva.

É incrível como o Eric ainda defende essa mulher. Isso só me deixa mais com a pulga atrás da orelha. É irritante num nível que nem sei descrever.

— Como uma pessoa se faz de lesado desse jeito? – me afastei.

Eric suspirou alto, como se tivesse cansado de repetir a mesma coisa, sempre e sempre.

— Já expliquei a situação.

— Claro.  – Fui irônica. – Já falamos sobre isso, sabe o que penso dela, mas não importa a minha opinião, porque o que de fato conta é o que você... – lhe apontei o dedo. — quer e julga achar melhor. – ficou calado. Sai dali, tropecei em algumas rosas. Merda.

Eu quero que isso acabe. É fato que sempre terá um algo ali e aqui, que nos afetará. Mas estou esgotada.

— Camille. – e lá está ele próximo a mim de novo. Fechei os olhos. Meu queixo tremeu.

Quando vai chegar o dia que eu vou poder respirar aliviada? Sinto que estou carregando um peso enorme e uma hora ou outra, eu não vou mais conseguir.

— Você sabe que significou muito para mim o que...

— Shiii... – tocou meus lábios com o dedo indicador, deslizando pelo os mesmos. — Eu sei. – sussurrou. — Não voltarei atrás com o que disse. Que te amo e irei ser o homem que você merece. – me puxou para um abraço. Me aninhando em si. — Impus o que sentia de forma errante e ao contrário do que queria. Nunca quis te machucar. Te fazer... – sua voz embargou um pouco. Tentei levantar o olhar para seu rosto, mas ele me apertou mais em seu peito. — Sangrar, dos dois sentidos da palavra. E confesso não sei como. Só fiz. Só fazia. Por todas as luzes de esperança que apaguei em você, Camille, eu peço que me perdoe. E que depois de me perdoar, me ame.

Sentir, a cada batida do seu coração a confirmação, a veracidade do que a sua boca dizia. Acredito nele. Mesmo sabendo que ele não merece um pingo de  crédito. Eric sem dúvida tem, seus traumas de infância que refletem em sua vida adulta. Se o primeiro passo para que ele fique bem é a mim, estarei aqui.

Ele está reconhecendo seu erro e está disposto a consertá-los, meu papel como esposa está ao seu lado.

Ainda temos tempo de recomeçar, cada erro cometido, afinal nos amamos.

DEVO AMAR-TE? (CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora