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Não sei o que aconteceu para Eric chegar antes do foi dito e muito menos trazer Natan consigo. Mas pelo o que sei, todas as "relações" com o tal se trata de trabalho. Exclusivamente, então Natan está a "negócios". Agora qual a ponto de o trazer aqui? Não sei se nada mesmo.
Toquei onde ele apertou a pouco, está vermelho e dolorido, certeza que ficará marcado. O que eu estava pensando, que ele mudaria do dia para a noite, se transformando no marido amoroso e perfeito? Não mesmo. Sabia que essa hora iria chegar, que eu iria me arrepender de qualquer maldita esperança inútil. Mas não tão cedo. Meu peito apertou em arrendamento. Arrendamento por tudo. Tudo mesmo. Nada disso deveria está acontecendo na minha vida. Sempre tentei ser uma boa filha, não respondia meus pais, era gentil com todo mundo, boa aluna e olha onde fui parar. Não é possível que esteja pagando por crimes que não cometi. Tenho a consciência de que nunca fiz nada para merecer o que estou passando. Mas é como dizem, a vida não é justa e é mais ainda com quem não tem crime a pagar.
Apertei mais um pouco no local, o mais forte que consegui. A dor, os machucados já estão sendo algo normal para mim. Já estou me acostumando. Será que era assim que ela se sentia? A mãe dele?
Ele realmente conseguiu o que queria.
De pé ao lado da janela, olhando – e pensando na minha vida "tranquila" de garota de 18 anos – a neve caindo lá fora. Fiz um pouco de esforço para enxergar com mais nitidez o carro que está estacionado de frente de casa. Natan ainda está aqui. Com essa nevasca caindo lá fora, não vai dá para ele ir nem tão cedo. Me assustei com o barulho na janela. O mesmo de todas as noites. Soou bem mais alto, porque eu estou bem de frente a janela. Pus a mão sobre o peito, meus batimentos cardíacos a mil. Olhei em volta do quarto, de volta para fora, nada. Não tem ninguém. Não tem nada. Acho que estou louca!
Segundos depois, cinco ou sete, Eric adentrou ao quarto. Instintivamente me encolhi. Ele veio até mim a passos largos. Parou bem na minha frente. Mandou que o olhasse diretamente, pois baixei a cabeça. Abracei a mim mesma, antes de erguer o olhar. Tive medo. Tanto que comecei a chorar baixinho, sem soltar nenhum soluço ou suspiro. Respiração acelerada, batimentos cardíacos aumentado, tensão a mil. Eric só ficou me olhando, estou praticamente morrendo na sua frente, sem desviar o olhar por um segundo.
— O que achou que estava pensando, Camille? – ele falou meu nome de um jeito como se sentisse nojo. – Não tinha o direito de sair fazendo perguntas que não lhe diz respeito!
Desviei o olhar, não estava aguentado ele me olhando desse jeito. Puxou meu rosto com força, chega meu pescoço da um estralo, - soltei um gemido, tentei tirar suas mãos de mim isso só o fez aumentar o aperto.
— Pensou que....iria esconder até quando? Você mentiu. – mal consegui falar, ele continua com os dedos em meu rosto, apertando.
— Não é da sua conta! –,me empurrou. Bati com as costas na janela, me faltando o ar.
— Então o que estou fazendo aqui se você não é da minha conta? Porque se casou comigo? Porque eu ainda estou aqui? – falei com dificuldade.
Eric ficou lado olhou para todos os cantos por fim para mim, de um jeito medonho.
— Sabe que eu não sei, porque ainda está aqui. – soou tão sombrio e como se um riso frio estivesse em seu coração.
— Por que você não me contou a verdade? Depois de tudo, não acha que eu deveria saber? Que eu tinha o direito de saber?
Não sei mais o que sinto, se o odeio, se o desprezo ou o amo. Se depois de tudo isso e do que ele tem a dizer , ainda o amar e o perdoar... não serei mais eu. Outro ser viverá em mim.
— Te amar e você me amar, não lhe dá o direito de saber de nada do meu passado.
Apenas balancei a cabeça sem saber o que dizer ou fazer. Não há esperança. Nunca ouve. Esse tempo me enganei em pensar que ele poderia mudar por mim, através de mim.
Me apoiei na poltrona que tem perto da janela, sentindo uma pontada de dor no pé da barriga. Fora meu coração partido, meu cérebro derretido, agora isso. Inutilmente pus a mão sobre onde está doendo fechando os olhos.
— Por favor, me deixa sozinha. - murmurei de cabeça baixa. Sem pestanejar Eric saiu deixando a porta aberta. Por um instante que olhei na direção, tinha alguém de pé me olhando. Pisquei os olhos e não tinha ninguém. Fui até lá, olhei no corredor e não há ninguém.
Minutos depois Lauren bateu na porta. Trouxe consigo uma bandeja com chá e biscoitos.
— A senhora precisa comer alguma coisa.
A essa altura a dor já diminuia. Tomei o chá para assim Lauren ir embora, mas não. Ela permaneceu de pé, perto da porta. De imediato lembrei da pessoa ali. Já estava inquieta com Lauren ali, feito um poste mal iluminado.
— O que está fazendo aqui?
— Senhora, estou a mando do senhor Liws.
— Por quê?
— Ele só pediu que eu não a deixasse sozinha, e que a senhora não estava bem.
— E porque ele acha que eu não estou bem?
— É difícil para a senhora, eu acho.
— Acha?
— É.
Ficamos um tempo em silêncio. Ela agora sentada na poltrona onde a pouco me apoiei e eu deitada. Estou com frio, muito na verdade. Mesmo a casa estando toda aquecida.
— Lauren... – a chamei. – Você sabe onde está Martha?
Ela deve está se divertindo muito as minhas custas agora.
— Somos subordinados dela. Nós empregados. As vezes ela age como se fosse a senhora da casa. Antes mais, agora nem tanto.
— E... você acha que ele me ama mesmo?
Não consigo não perguntar, ela "convive" a mais tempo com ele.
— É difícil dizer, senhora.
— Ele a amou, não foi? – me dói muito admitir, mesmo a história deles sendo bem antes da nossa.
— Pelo o que sei, sim.
— O que você sabe sobre o primeiro amor, Lauren? Você teve um?
— Tive sim. E ainda estou com ele. – ela sorriu parecendo feliz.
— Então, o amor da sua vida. – ela balançou a cabeça concordando. – Há uma diferença, entre primeiro amor e amor da vida toda.
— Mas os dois podem aparecer numa única situação. Como foi no meu caso.
— Eu não tenho nenhum dos dois. Cheguei numa conclusão. Estive...enganada, iludida por mim mesma. Não foi o Eric que me fez suspirar, pouquíssimas vezes, me fez sorrir com um simples pensamento, as mãos fria de ansiedade por um beijo, as borboletas no estômago, o pensamento cheio dele. Não. Não foi ele. Eu pensei que o amei. Por um segundo juro que pensei. Mas...eu estava me agarrando a possibilidade de sobreviver. Certa vez ele disse que conseguiu o que queria. Na hora não notei. Agora sei. Ele queria que eu o amasse. E achei que amava e fiz ele achar também, mas...o que sinto não é nem de longe o que eles sentem um pelo o outro. E o que Eric pensa que sente por mim, é...foi um jeito dele se desprender do seu antigo eu. Quando ele me viu pela a primeira vez, se sentiu do mesmo jeito de quando a viu. Uma garota inocente e gentil apesar de tudo. Talvez, ele até poderia mudar, se tivesse saído dessa casa. Eu não sou o suficiente para ele mudar. E talvez ela não seja, mas o que ela o deu. A esperança dele... é o filho.
Lauren ficou em silêncio junto com a noite lá fora. O dia se foi mais cedo. A neve feroz lá fora. O vento fazia redemoinhos com os flocos de neve no ar. O sono me pesou os olhos, e dormir.