Capítulo 17

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— Você não vai me fazer achar que tenho que aceitar essa situação

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— Você não vai me fazer achar que tenho que aceitar essa situação. – disparei.

— Eu? As coisas estão na sua frente. Isso também não quer, dizer que não irei impor coisas sobre você. Mas convenhamos que seu lugar é ao meu lado.

Gargalhei sarcástica. Só pode ser piada.

— Ao seu lado? Ou trancada, espancada, humilhada... – fui interrompida.

— Se também tivesse feito tudo direitinho nada disso teria acontecido.

— Faça mil favor Eric.

O casal a nossa frente ficou apenas nos olhando como se nada estivesse acontecendo, como se assunto em questão fosse uma discussão sobre reformar ou não a cozinha. Confesso que os sentimentos que tenho deles agora não são nada bons. Os quero o mais longe de mim possível.

— Olá casal!  – Nathan surgiu entre mim e Eric. Droga!

Nathan nos abraçou ao mesmo tempo. Uma mão em meu ombro a outra em Eric.

— Nathan!  – Eric ficou de pé bruscamente.

— Pensei que iríamos ficar na mesma mesa. Mas vi que estão em família. – olhou para os presentes a mesa.

— Como você mesmo disse... em família.

Isso não vai acabar bem. Para mim claro, por isso nem olhei para Nathan. Acho que o problema de Eric para com este rapaz, seja de antes de mim. Não tem como ele ser tão paranóico, tem sim. Não dei motivo algum para isto.

— Claro. Irei deixá-los a vontade.

— Faça isso. – disse com a cara fechada.

Nathan deu uma leve gargalhada e saiu.

— Olha só... um pretendente a mais. – por que essa minha mãe não cala a boca. Ela disse isso rindo em deboche.

— Nosso tesouro é precioso. – disse meu pai, também rindo.

Nem tem o que falar mais sobre eles. Olhei para Eric que está me fuzilando com os olhos.

— O que foi? Porque está me olhando assim? Não fui eu que os trouxe aqui.

— Eu... – mordeu o lábio inferior fechando o punho com força.

— Quando que isso vai acabar? Quero ir embora. – ignorei sua cara feia para mim.

— Nós já vamos querida. – se aproximou beijando meu rosto enquanto apertou minha coxa com força. – Só mais um pouco.

A premiação se seguiu e pareceu uma eternidade eterna. Não faz sentido, porém é assim que me sinto. Parece um circulo interminável onde corro para a saída e ando em círculo com o caçador atrás de mim com um enorme Machado. Não sei em que e porque o Eric foi chamado no palco. Aqueles feches de luz acima da cabeça dele lhe dando mais destaque. Aquela luz sobre ele o deixa mais bonito. É. Estou reparando nisso. Bem inevitável também. Seu cabelo está mais brilhante, seus olhos mais azuis, eu não sei.

Sério, carrancudo pegou um "troféu" em mãos, ficou o encarando. Os aplausos sessaram. O típico silêncio que me percegue. Que até faz parte de mim. Acho que é o que me faz continuar sã. No silêncio da para ouvir meus próprios pensamentos. Dá para ver realmente quem sou, sem a influência perturbadora dele.

— Confesso que não é nenhuma surpresa Liws&Montana ter ganho. Isso – levantou um pouco o troféu. – É símbolo de muito trabalho. Trabalho este não de um ano, dois de mercado. Temos uma história. Há três gerações em nossas empresas e virar muitas. É só ter as pessoas certas ao seu lado. Persistir... que o que você quer, o que sonha, o que deseja e principalmente o que você ama... terá.

Minha respiração está levemente descontrolada, as mãos suadas. Este Eric que acabou de dizer tudo isso é o mesmo que a pouco me machucou? Parece outra pessoa. Mas olhando os detalhes, nas entrelinhas... é o mesmo.

Fui a primeira a ficar de pé e aplaudir. Foi no automático. Ele sorriu, foi cumprimentado ao descer do palco, no caminho até aqui também. Chegando perto, ficou parado me olhando. Não como quando Nathan saiu. Foi diferente. Um pedido de permissão. 

— Tudo bem. – apenas falei sem sair nenhum som da minha garganta.

Ele me beijou. Um beijo sem força, sem repulsa, sem sentimentos ruins. O local explodiu em aplausos. Aplausos esses que durou um certo tempo. Ao fim do beijo nos abraçamos. Se fosse assim sempre.

— Parabéns. – falei meio envergonhada por ser o centro das atenções por agora.

Ele foi até uma outra mesa e entregou o troféu a um senhor, acho que é o sócio. O Montana. Após isso não ficamos por muito tempo e fomos para casa.

Meus pais ficaram num hotel com a terrível promessa de vir me visitar amanhã. Eles são bastante inconvenientes. Minhas feições quando os ouvir dizendo que veriam, demonstou todo o meu desconforto, porém foi nulo. Eles estão nem aí para mim. Isso é fato.

Retirei o casaco de pele assim que pus os pés dentro de casa. Sentir as mãos grandes e parcialmente frias em meus ombros. Segurei a respiração temendo o que vai acontecer.

— Hoje definitivamente iremos dormir juntos.

Falou bem próximo da minha nuca, o que me fez arrepiar. Fechei os olhos.

— Você disse que não dorme.

Virei-me para ele com um meio sorriso nos lábios. Por que eu rir?

— Exatamente.  – se aproximou pondo fim no pouco espaço entre nós, selando seus lábios aos meus.

Eu não queria aquele beijo, por tanto tentei o afastar, empurrando-o mais forte possível, porém não tive vitória. Era um simples beijo. Apenas uma pressão entre seus lábios e os meus. Aastou parcialmente seu rosto. Meus rosto está entre suas mãos, uma delas deslizou para meu pescoço com suavidade, porém esse toque delicado não durou muito. Sua mão sendo enorme, meu pescoço fino meio que se perdeu entre seus dedos. Tentei não me desesperar, mas a cada segundo ele apertava mais. O ar começou a falta. Levei minhas mãos para a sua que me sufocava. O despero já está grande. Já comecei a chorar e com todas as forças tentei me desvencilhar.

Todo meu medo e desespero não o abala. Sua expressão é sem vida. Não há sinal de raiva, medo, felicidade, nada.

Quando me largou foi com um empurrão. O que me fez cair sobre a poltrona ali a fazendo também cai comigo. Levei a mão até onde a dele estava antes. Comecei a tossir. O olhei incrédula no que acabou de acontecer. Tentei falar algo, minha garganta dói. Como se tivesse engolido uma brasa de fogo. Levantei-me com certa dificuldade e caminhei rumo ao andar de cima.




Não esqueçam de comentarem, isso me incentiva bastante.

DEVO AMAR-TE? (CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora