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Os pensamentos estão mais bagunçados que o normal. Pensei que estávamos indo bem. Se bem que antes de irmos a premiação ele foi agressivo. Mas eu não fiz nada de errado. Ou fiz? Droga! Ele entrou na minha cabeça e está me fazendo pensar que eu que sou culpada do comportamento horrível dele.
Ele falou que já conseguiu o que queria. Será que é sobre isso? Que ele já entrou na minha cabeça?
Ao chegar no quarto tranquei a porta de chave. Mas ele não gosta que a tranque, fica mais paranóico. Olha em tudo. Não. Já está em mim. Isso é assustador. Então destranquei.
Tentei respirar normalmente, mas dói muito minha garganta. Corri até o banheiro, – correr foi exagero, digamos que apressei os passos – o reflexo do espelho posto acima da pia, mostrou-me a deplorável imagem. As marcas dos seu dedos se encontram em mim. Ergui um pouco a cabeça para ver melhor.
Tenho que fazer alguma coisa. Mas o que?
Bati de leve com as pontas dos dedos nas têmporas na tentativa de uma luz me aparecer. Ele não vai parar. Mas, se segundo suas palavras, "já conseguiu o que queria", sendo assim as coisas deveriam melhorar? Isso não vai acontecer, Camille. Nada vai melhorar.
Liguei a torneira, pondo as mãos na "corrente" de água, as molhando. Em seguida levando o pouco que ficou até meu pescoço. A sensação da água parcialmente fria me deu um certo, descanso, alívio como se estivesse andando o dia inteiro e por fim sentado por alguns minutos.
Finalmente consegui parar de chorar, começando a tirar toda a maquiagem. Ou melhor, todo o pouco que tinha, pois foi-se tudo junto com as lágrimas e passada de mãos durante os lances de escadas e alguns corredores até aqui.
Um barulho fez-se no quarto, a pouquíssimo metros de onde estou. Certeza que Eric entrou no quarto. Resmungou algo antes de abrir a porta do banheiro. Tentei me manter imparcial para com sua presença. Continuei a tirar a maquiagem. Ainda estou com o penteado e a roupa da premiação. Me livrei apenas do par de sapatos que estava me matando. O que não me mata nesta vida.
Lhe olhei brevemente pelo o espelho e ele está encostado no batente da porta com os braços encruzados e com um copo em uma das mãos. Ou seja, bebeu mais ou seja novamente, vai sobrar para mim.
— Você estava...linda. – se enrolou um pouco nas palavras. — Você é linda. Não foi atoa que te escolhi.
Por que ele não para de dizer essas coisas. Sabe que me machuca, cada vez que se refere a mim como se eu fosse um produto que comprou numa loja barata. Ah ! Mas é o que faz de melhor. Me humilhar.
Meu corpo ficou tenso quando se moveu vindo até mim. Abraçou-me por trás, seu hálito de álcool fez-me fechar os olhos. Pós o copo sobre o mármore da pia. Leveu suas mãos aos meus cabelos os livrando-os dos grampos que os prendiam, os arrumou como quis. Com um sorriso nos lábios pós seu queixo em meu ombro.
— Olhe para mim. Não me ingnore.
Fiz o que pediu. Coração angustiado. Temo com o que mais pode me acontecer hoje. Sua mão segurou minha cabeça virando-a minimamente para alcançar meus lábios. Levei minha mão até a sua para me desvencilhar dele, porém me puxou bruscamente, fazendo-me virar de frente indo de encontro com seus corpo. Apertou seu corpo ao meu sem parar o beijo um único segundo. Estou com medo de lutar contra. Estou com medo de ficar inerte. Medo de qualquer coisa. Seus lábios agora estão em meu pescoço, beijos molhados, delicados. Sentir um arrepio me percorrer. A sensação de ter aquele contato está sendo tão sem sentido. A lembrança do quase enforcamento e o fato de ter sua boca no mesmo local me dá um certo desespero. Não sei se luto ou deixo para lá. Ele acabou com todas minhas esperanças.
— Eric... – minha voz saiu em um sussurro rouco.
Pus as mãos em seus cabelos, os puxei de leve fazendo-o me olhar.
— Camille, não... não me venha com rejeição.
Estão é por isso toda a sua agressividade? Rejeição? Mas eu já quis ter uma vida normal ao lado dele. Porém alegou que eu queria o manipular. Não faz sentido.
— Mas não assim. A gente pode tentar de outra forma. Sem toda essa...
O mesmo deu um passo para trás, mexeu nos cabelos. Virou de costas. Ele irá surta. Esticou o braço para pegar o copo, porém fui mais rápida. Tomei todo o líquido que tinha ali. O que não foi nada agradável. Minha garganta já estava ruim, agora piorou.
— Por que fez isso? – se indignou.
— Por que você fez isso? Não estávamos bem? - pós as mãos na cintura olhando para baixo. — Eric me diz o que está acontecendo, o que você está fazendo acontecer. Por favor.
Me aproximei tocando seu braço. Seus olhos foram de imediato para minha mão o que me fez recuar brevemente, mas como ele não fez nada, novamente me aproximei. Dessa vez toquei seu rosto. As duas mãos em seu rosto. Por fora a maré está tranquila, mas por dentro, um tsunami.
Juro que se ele tentasse mudar – irei dizer realmente isso – Se ele mudar darei todas as oportunidades possíveis para darmos certo.
— Você me falou tantas vezes que sou um monstro. Acreditei. - sorriu irônico.
— Eric por favor, vamos conversar. Acertar as coisas. Se continuar com essas atitudes vai acabar me matando. É o que você quer? Me matar?
— Eu nunca faria isso com você.
— Mas a cada segundo da sua maldita vida é o que você faz! Por que me comprou para fazer isso? Eric... – voltei toca-lo, o mesmo tentou se desvencilhar, porém o segurei pela a camisa. — Olhe para mim. Me escute. Me...ame.
Me ame como manda a lei de Deus. Novamente irei dizer. Estou disposta a ter uma vida com ele. Mas essa é a última tentativa. A próxima talvez não exista. A minha única chance é se tentarmos de verdade. Será difícil, porém está decidido.
Suas mãos foram de encontro ao meu rosto. Seus olhos nos meus.
Um amor muito estranho. Muito possessivo. Porém, verdadeiro. Fato que ele me ama. Está em seus olhos. Mas este é um amor torto. Li tantas vezes que amor é leve. Mas também li que amor sem luta não é verdadeiramente amado. Não faz sentido. O amor de Deus não é assim. Deus diz: amai a Deus acima de tudo (isso é indiscutível) e também diz amei o próximo como a ti mesmo.
Amo a Deus de todo meu coração. É ele que está me dando forças. Agora amei o próximo como a ti mesmo. Os meus próximos que são complicados. Meus pais me venderam como já sabem e o comprador é este. Amar o próximo como a ti mesmo é o mandamento mais difícil de se seguir.