capitulo 26

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Após o jantar, que foi um caos, Eric quis me mostrar o restante da propriedade, sei que é só uma desculpa, mesmo assim fiquei feliz, queria sair daquelas quatro paredes

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Após o jantar, que foi um caos, Eric quis me mostrar o restante da propriedade, sei que é só uma desculpa, mesmo assim fiquei feliz, queria sair daquelas quatro paredes. Sentir a brisa gelada no rosto.

— O que conversaram? – Eric perguntou assim que nos afastamos da casa. Soltei sua mão. Apressei os passos.

— Nada demais. – dei de ombros.

— Não apareceu ser nada demais.

Era bom demais para ser verdade. Parei perto de uma roseira, que contém apenas uma rosa arranquei uma pétala dela. No máximo durará mais um ou dois dias nesse frio, não sei como ela conseguiu resistir.

— Porque quer tanto saber, Eric?

A noite está fria, o inverno rigoroso chegará em breve.

— Só me responda.

E lá se foram os meus 15 minutos de felicidade. O sal de uma desculpa, que eu estava na cara (só a idiota que não viu) que era só para ter o que queria.

Passei a língua entre os lábios, sorri, mãos nos bolsos do casaco pesado degola de pele.

— Só sua história de traição, uma tentativa de suicídio. - ele me olhou como se estivesse à procura de um sinal que eu estivesse mentindo. — Não se preocupe você não contou de suas aventuras de quando eram jovens e esperançosos. Não deu tempo. - voltei a caminhar jardim adentro, enquanto o Eric ficou parado com as mãos nos bolsos e olhar perdido.

Mais para frente, o lago. Vi meu reflexo na água límpida. Situação diferente? Talvez não. Estou magoada igual e de pé à beira do lago. Aqui é que me sinto mais segura. Nele há mais esperança de ser livre do quê com meu recém-descoberto "amado" marido. O som delicado e ao longe de um piano me fez voltar ao mundo real e cruel. Olhei em volta e estou sozinha. Tanto no literal quanto no sentimental. Fiquei mais um pouco, contei até 1000 - so para passar o tempo - e voltei para casa encontrando meus pais alegremente com taças de vinho sentados próximos a lareira. Me juntei a eles.

— Estar servida? –  papai ergueu a taça.

— Prefiro uísque. – não sei a diferença entre, mais uísque foi a única bebida com álcool que já tomei, ontem e apenas um gole para ser mais exata. Sei como é o gosto e parcialmente o efeito, então. E me foi servido, com duas pedras de gelo.

— Então, como está o casamento? – soltou a pergunta num tom totalmente de sarcasmo.

— São casados. Com certeza sabem como é, mãe. – tomei um gole, fechei os olhos, minha garganta queimou. Nada novo.

— Somos sim. – mamãe olhou para o marido, que sorriu em resposta. — Mas, nem todos são iguais.

— Nenhum. – disse papai.

Será que eles se amam ou pelo menos se dão bem?

— Estou...feliz com o que arrumaram para mim. – sorrir erguendo o copo. — Os pais sempre tem razão, não é mesmo? – tomei todo o líquido. Já era minha garganta. — Uma boa noite para vocês. Espero que pela manhã, quando eu acordar, já tenho ido.

Pelas caras que fizeram não esperava por essa. O que pensaram que viveríamos infelizes para sempre? Cada um com seus demônios.

A bebida já fez efeito. O corredor já está até girando. Talvez tenha sido por eu ter levantado rápido demais ou bebido rápido demais. Algo me diz que isso será constante.

......

As cortinas foram abertas sem nenhum tipo de aviso, fazendo minha cabeça quase explodir. Apertei os olhos com força praguejando mentalmente. Quem faz isso?

— Bom dia, senhora! – Martha faz isso. Essa mulher sem dúvida é a cria do capeta. — O café já está posto. – ela sorriu. A detesto  hoje, mais que ontem e provavelmente amanhã nem será possível calcular. — Suco e aspirina.

Ignorei a vontade de vomitar,  joguei as cobertas de lado e fui para o banho. Uma ducha demorada e quente.

..

Mais uma vez de pé à beira do lago. É quase cinco da tarde e ainda não tive animo para qualquer coisa, na verdade não tenho ânimo algum desde... Minha saída do internato. O dia está nublado o ar pesado, como minha mente. Não consigo ter paz.

— Me disseram que estaria aqui. – olhei por cima do ombro e lá esta Eric, com casaco de pele enorme. Está frio, mas não é esse ponto. Nada faz sentido com ele. Passei as mãos em meus braços para mim auto aquecer e ficar um pouco mais quente, Eric pós seu enorme casaco sobre os ombros. Ele só teve o trabalho, o tirei com força – foi preciso, já que é pesado e eu sou fraquinha –  e joguei no lago. Ouvir sua risada. Se divertir as minhas custas das merdas que eles faz, parece que tem prazer nisso. — Porquê dessa atitude?

Me abraçou por trás. Queria fazer igual fiz com casaco, jogá-lo na água e ficar vendo ele afundar.

— Eu que deveria fazer essa pergunta, não acha? – me mexi tentando me livrar do seu aperto, mas sou fraquinha. Sou um monte de nada sem utilidade.

— Desculpa se sumir. – beijou minha cabeça, no topo. — Tive que resolver umas coisas.

— Tá bom.

Quem ele quer enganar? É óbvio que passou a noite consolando a falsa madre Teresa de Calcutá.

— Realmente se importa? Não. Se se importasse não... – não deu tempo de terminar a frase, por que ele me virou bruscamente me deixando de frente para si.

— Você duvida de mim sempre.

— É porque dá motivos. Não ando vendo pelos em ovo igual a você. – ele suspirou, virou as costas em direção a casa.

— Está vindo uma nevasca. Melhor entrar. – corri os olhos por seu corpo, alto de costas para mim.

O que estou sentindo está me matando.

Esperei que ele entrasse para depois ir – mas antes contei até 1000 igual ontem– Encontrei Martha a minha espera junto ao pé da escada, com uma bandeja em mãos. Chá de... Não sei se camomila ou erva doce.

— Senhora. – fez um gesto com a cabeça. A acompanhei na subida, em silêncio. No topo, fomos em direções diferentes. Eu sou uma completa idiota mesmo e todos fazem questão de esfregar na minha cara.

Arrumei a coberta em mim, antes de me inclinar para lateral e pegar o livro que, comecei a ler mais cedo. Tenho que arranjar o que fazer o quanto antes, mas por enquanto, me deleito com histórias contadas contagiantemente. Domingos na tiffany's, de James Patterson. É uma história fascinante, de uma criança incrível com, amigo imaginário, que se torna uma mulher extraordinária. O mais legal dessa história é que o escritor se inspirou em uma frase para meu filho de 4 anos falou, e, ele usou com a personagem principal. Um belo gesto de homenagear seu filho.

Acho que passava da meia noite, quando meu marido adentrou ao quarto. Eu já "dormia", despertei quando o abajur foi aceso.

— Te acordei. – deitou-se ao meu lado. Não falei nada, seus braços me envolveram, e trazendo junto a si.

— Qual seu problema, Eric? – exclamei. – Você muda o tempo todo. Não da para ser mais normal, nem que seja 5%? – concordou com um gesto de cabeça.

— Esse seu pedido não é totalmente... – disse, de forma que pareceu descontraído demais – Fora de questão. É o que sou. Sou assim.

— E toda aquela conversa de tentar ser quem mereço? Foi só uma frase sem sentido em meio as outras? – ele suspirou.

— Já me ama como sou? – virei-me de frente para ele. Toquei seu rosto. –  Já sou quem merece. – me beijou com força, o empurrei.

DEVO AMAR-TE? (CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora