capítulo 28

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BOA LEITURA!

Não sei se era a nevasca ou uma tempestade, mas algo batia na vidraça da janela me tirando o sono

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Não sei se era a nevasca ou uma tempestade, mas algo batia na vidraça da janela me tirando o sono. Isso, todas as noites após a partida do meu marido. Vez ou outra vou até a janela verificar, mas como falei nevasca ou tempestade, mas algumas vezes nenhum nem outro.

— Que inferno! – esbravejei me livrando do pesado, quente e confortável edredom.

Peguei um casaco qualquer no closet, desci as escadas indo até a cozinha – encontrei uma lanterna após procurar bastante – . Se tem alguma coisa lá fora na minha janela, vou descobrir agora. Abrir a porta e uma ventania, que não durou muito fez festa na casa - acho que só foi a pressão. O que que tem a ver? Não sei. Só acho. - Está tudo coberto de neve, e eu te pantufa. Liguei a lanterna.

— Senhora? – dei um pulo de susto. Infartei agora. Um dos seguranças. Ele sim está devidamente vestido.

— Tem alguma coisa batendo na janela do meu quarto. – aponto na direção com o objeto na mão.

— Deixa que eu verifico, senhora. – nem me deixou responder. O seguir. Por que fui fazer isso? Agora meus pés estão congelando.

Com um pouco de dificuldade o seguir, afundando os pés na neve, – adeus pantufas – com sua lanterna, o segurança - que se chama Roger - deu uma olhada e eu prontamente fiz o mesmo.

— Não tem nada. – falei. Ele se assustou. Não me diga que não me notou? Sou tão gatuna assim? Não. Ele só pensou que ficaria esperando mesmo. E os resmungos que fiz? Ele só não prestou realmente atenção em mim. É.

— É, senhora. Como das vezes anteriores que a senhora disse que tinha algo. Dei uma olhada também. E... – olhou em volta – esse é meu horário de ronda. Todos os dias. De todas as semanas. De todos os meses, desde que fui contratado.

— Nada mesmo? – Roger se voltou para a janela, ergueu o fecho de luz do objeto na mão, realmente não tem nada lá.

— Nada, senhora.

Só pode ser brincadeira. Ou será que estou ficando louca? Mais louca, quero dizer.

— Mas, Roger...eu escuto batendo...

— Não estou dizendo que senhora está mentindo. Só que não tem nada ali. – novamente apontou para a janela com a lanterna. Arrumei o casaco melhor em volta do meu corpo.

— Tudo bem Roger. Obrigada.

— De qualquer modo, irei ficar de olho.

De qualquer modo não, meu bem. Você trabalha para...Credo. Me baixou o Eric agora. Ainda bem que não falei alto.

— Obrigada, Roger. Vá se aquecer. Está frio. - ele fez um gesto de cabeça.

Agora fiquei encucada. Será mesmo coisa da minha cabeça? Será que estou criando certas situações pela a .... - vou dizer isso mesmo. Coisa pior já fiz. - a falta que ele me faz? Pronto! Estou preparada para morrer, já sinto até falta do diabo.

Assim que troquei de roupa, por umas mais quentes, bateram na minha porta.

— Com licença, senhora. Trouxe um chá. Está frio...

— Obrigada, Lauren. – a jovem senhora colocou a bandeja sobre a mesa ali. Esse pessoal tem faro? Porque não a chamei e também não o Roger.

— Mais alguma coisa, senhora?

Olhei para ela, nossa como é diferença da Martha. Em seu rosto há um sorriso nos cantos dos lábios, naturalmente sem esforço nenhum.

— Não obrigada. Volte a dormir, sim. – ela fez o "mesmo" gesto de cabeça que o Roger. Como se curvando a alguém da realeza. É estranho.

Ainda é madrugada. O início dela. Uma e pouca da manhã. Há um telefone fixo no escritório. Eric me deixou um número caso precisasse de algo. Só liguei uma vez e mesmo assim não fui atendida. Qual é o fuso daqui para a América? Umas duas três horas? Não importa. Irei ligar mesmo assim, e se ele não atender... não atendeu. Não há muito o que ser feito nesse caso. Desci para o escritório com a xícara na mão. Vez ou outra bebiricando o chá, que é bem gostoso por sinal. Abrir a porta do escritório, dei uma olhada para trás e lá está Lauren. Me assustei. Morrerei ainda hoje se continuar assim.

— Meu Deus, Lauren! – pus a mão sobre o peito. – Não te mandei ir dormir, mulher. – ascendi a luz.

— Mandou sim, senhora.

— Já vi que é desobediente. – ela entrou logo atrás de mim.

— Não, senhora. É que sempre um de nós fica acordado, caso precisassem.

Eric vira a noite feito doido. Tinha esquecido.

— Mas o Eric não está. Podem dormirem.

— É o nosso trabalho.

— Sei que é... – comecei a procurar o papel com o número. – Mas o Eric não está. Fiquem tranquilos quanto a varar a noite. E se caso eu precisar de algo, eu mesma faço. Está entendido?

— Sim, senhora.

O papel com o número não está aqui. Olhei nas gavetas, sobre a mesa, debaixo do próprio telefone e nada.

— Lauren, o papel com o número do meu marido. Onde está? – ela começou a procurar também.

— Deve está por aqui, em algum lugar.

Lauren apenas cogitou, porque não está aqui em lugar nenhum. Depois de muito procuramos, me toquei que o pessoal daqui mesmo pode ter um outro, ou o mesmo número até.

— Lauren...

— Sim? – ela levantou a cabeça como um cão obediente.

— O papel não está aqui. Alguém deve ter jogado fora, quando veio limpar. Talvez sem querer. Era só um pedaço de papel. Vá pegar para mim o número. –  levou uns dez segundos para ela se ligar e sair ligeiro.

Me sentei na cadeira de frente para a mesa. Na mesma cadeira que Eric senta todas as noites de quase todos os dias, de todos os meses – estou falando igual Roger – . Lauren voltou com uma agenda.

— Aqui, senhora. – já me entregou na página certa.

— Obrigada. Agora vá dormir. – Ela sorriu. –  Lauren. – deu meia volta. – Quem é a pessoa que trabalha aqui a mais tempo? Fora a Martha.

— Antony.

— Ele está trabalhando hoje?

— Sim.

— Mais tarde peça que ele venha falar comigo, certo?

— Sim, senhora. Licença. – saiu.

Como não pensei nisso antes. Quer dizer, até já tinha pensado, mas... agora só estamos nós aqui. Sem Eric, sem Martha. Eles devem saber alguma coisa.

DEVO AMAR-TE? (CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora