capitulo 25

199 20 1
                                        

A cada degrau que descia, sentia o olhar de Martha sobre mim

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

A cada degrau que descia, sentia o olhar de Martha sobre mim.  Após a conversa que tive com meu marido, ele saiu com a promessa de que voltaria a tempo para o jantar.

— Meu marido já chegou? – Martha fingiu descaradamente ponderar sobre a resposta. A detesto a cada segundo que passa.

— Não, senhora. – falou pausadamente.

Rir a olhando de cima a baixo. Eu sou a senhora da casa goste ela ou não.

— E meus pais, já foram? – a casa já esta em ordem e em completo silêncio. O que é bom.

— Não, senhora. Estão lá em cima, na ala leste, onde o senhor Eric pediu que os colocasse. – apenas balancei a cabeça em confirmação.

Sentei-me cruzando as pernas. Até me estranhei. Estou muito, fina se isso se encaixa em mim, fui "treinada" mas não me vejo esse tipo.

Martha é uma mulher bonita. Totalmente o oposto de mim. 30 e poucos anos, alta, loira e voluptuosa. Um mulherão. Seus olhos a maioria das vezes demonstram tédio, como se estivesse ali fazendo o que estiver fazendo por pura obrigação. É o que realmente é. Ela está aqui por puro trabalho. Não? Martha nutre sentimentos por Eric, nada nem ninguém me tira isso da mente, e ela está disposta a conviver comigo, na nossa casa, só para estar perto dele. É preocupante. Talvez, ela tenha tentando se afastar, no tempo que esteve longe. Fisicamente sim, mas seu coração bate por ele.

— Sente-se comigo, Martha. –  a peguei de surpresa.

— Não seria apropriado da minha parte, senhora. – insistentemente passou às mãos na saia. Realmente ela não esperava.

— Por favor. – apontei para o lugar vago ao meu lado no sofá. Hesitou desconfiada. Relaxa o que eu iria fazer, me estapear e fingir inocência?

Sentou-se calmamente, mãos postas sobre os joelhos pernas unidas em leve declínio para os lados, como pede a etiqueta. Sempre de saia preta que vai abaixo dos joelhos, blusa cinza ou branca, meia-calça preta, scarpin preto ou sapatilha na mesma cor, coque baixo e brinco em formato de pérola. Todas essas coisas a deixa com aparência, digamos que envelhecida. Quem será que escolheu esse uniforme? É horrendo.

— Conte-me a sua história, Martha.

—Por que? – soou na defensiva.

— Natural que eu queira saber sobre quem trabalha para a minha família. – fiz uma pausa. – Ou apenas conte. –  falei como se a desse uma ordem.

— Não acho apropriado.

— Ou eu não venha gostar de quando o meu marido comece a fazer parte da sua triste ou feliz história? Não se preocupe. Não sou de guardar rancor ou algo do tipo. – gesticulei com as mãos com indiferença.

Martha suspirou, me olhando com aquele olhar de tédio.

— Tive uma infância boa. Filha única, até meus 13 anos, quando minha mãe descobriu que meu pai tinha outra família bem debaixo do nosso nariz. Daquele dia em diante que.... Tudo virou um caos. Brigavam todos os dias. Acho que era, como bater ponto no emprego para eles. Eu fugia para casa da minha vó, sempre que encontrava uma oportunidade. – Suspirei. – Um dia, meu pai escolheu. Suspirei de alívio, porque eu sabia que tudo voltaria ao normal. Mas não. Ele preferiu a mulher que aceitava tudo. Não brigava, não decretava nada, o amava apesar de ser a outra. Meu presente de aniversário de 14 anos, foi encontrar minha mãe no chão do banheiro, com dois cortes profundos nos dois pulsos. No hospital, a perguntei se ela tinha feito aquele pelo meu pai. Ela disse que não. Disse que foi por ela. Que não queria viver no mundo com a presença constante de alguém que não a deu valor. Eu. Perguntei se eu tinha culpa. Ela apenas virou o rosto para o outro lado. Fui embora para casa da minha avó, no mesmo dia. É por ela que estou aqui, senhora. – ficou de pé, passou às mãos na saia. Ela está sentida de contar essas coisas. – Ela precisa de toda minha ajuda. E farei o possível e impossível para que ela fique tranquila.

Com uma senhorinha no meio, meio que me balançou. É bonito que ela pense na sua vozinha em primeiro lugar, mas nada justifica ela ter voltado para cá. Dei uma olhada no seu currículo, ela encontraria emprego facilmente, e sem contar na empresa do Eric, que creio eu seria muito melhor para ela. É disso que me vem o pensamento – gritante – que é pelo o Eric.

A história de Martha está longe de acabar aqui, há muito o que ser dito, mas Eric adentrou a sala no mesmo momento em que o casal – pai e mãe – ele olhou de mim para Martha.

— Ainda estamos vivas! – brinquei.

— Estou vendo. – seus olhos não saiam da gente. Demorando mais em Martha. Ele sabe do que estávamos falando e se importa com a dor que falar do assunto a causa.

— Perdemos alguma coisa? – mamãe sentou-se ao meu lado, segurou minha mão direita entre as suas.

— Nada de importante.

Martha baixou a cabeça ao ouvir, e Eric me olhou de canto. Todo mundo tem uma história triste. Tirei as mãos da minha mãe das minhas. Fiquei de pé indo até meu marido, ele me abraçou beijando meus cabelos.

— Adorei o perfume. – ele disse baixinho no meu ouvido.

DEVO AMAR-TE? (CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora