capítulo 20

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O toque de seus lábios me perturba, porém me ascende

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O toque de seus lábios me perturba, porém me ascende. Como se eu dependesse dele. É a pior coisa, porque eu não queria que tivesse acontecido.

Realmente, ele já conseguiu o que queria. Me ter em suas mãos.

Me deixei levar, tendo consciência que é um caminho sem volta, mas, eu irei. Onde Eric por o pé, eu colocarei o meu.

O beijo se intensificou. A pressão dos seus lábios, sua língua, mãos na nunca, dedos entrelaçados em meus cabelos, corpos colados, respiração falha e coração a mil.

O porquê das perguntas, os porquê das respostas, que eu nunca tirei, nunca tirei sequer uma convivência saudável, uma convivência que eu sonhei, que talvez ele tenha sonhado também, o fato é que o há para hoje e sempre é dúvidas, medo e um amor torto.

Sim. Eu estou entregue. Tenho mil e um motivos para não está, mas é fato que meu autocontrole está com problema ou nunca existiu. Está em seus braços, o desejo de está onde estou agora, já estava em mim, no meu subconsciente. Desde o primeiro momento. Agora tenho convivência disso.

Um breve afastamento, olhos nos olhos. Um brilho diferente está nos seus perfeitos olhos azuis. Não aquele de sempre quando é maldoso ou agressivo. Totalmente diferente. Se compara ao que vi outro dia, quando me disse que me amava. A um segundo atrás. Suas mãos deslizaram da minha nuca pelos os ombros, braços, fechei brevemente os olhos, ele soltou um gemido baixo.

— Estou disposto a da certo.

Ele quer da certo? Já ouvir isso antes. Mas por tudo meu "descobrimento" do que sinto e do que irá acontecer, não me importo se Eric está sendo sincero. Por mim ele cala a boca agora e me beija.

— Em seus termos? - perguntei já sabendo a resposta.

Lampejo de consciência? Medo? Ou sempre o querer de saber o motivo de suas ações? Sinto a necessidade de entendê-lo. Entender o que se passa na sua cabeça perturbada, o que se passa em seu coração. Essa talvez possa ser minha ruína. Sim.

— Sempre.

Não. Eu quero estar ao seu lado. Ser o seu porto seguro e não está lá embaixo dos seus pés, sendo pisada.

— Não. – dei uns passos para trás. – Eric, estamos casados a gente(eu no caso) querendo ou não, estamos numa relação. Então não tem que ser apenas nos seus termos ou nos meus. Tem que ser algo que nós dois fazemos parte. Uma só carne, lembra?

— Camille... – meu nome saiu em um suspiro.

— Você quer ou não, Eric? Porque estou cansada de querer tentar. — parei de falar para pegar fôlego e observá-lo. — Você diz que me ama, diz que quer dar certo, mas não faz nada para mudar o fato que você não confia em mim. Falta de confiança gera outros milhões de problemas e na maior parte do tempo eles me machucam. Me machuca tanto. Não estou falando dos tapas e socos. Isso é o que dói menos. Estou falando das suas palavras, de como você as usa contra mim, sendo que nenhuma vírgula é verdade. E você me conhece, esteve esse tempo todo me observando e ainda duvida de mim. Eu que deveria duvidar de você, de tudo que você diz e de tudo que você não diz.

— Você tem noção do quanto mexe comigo?

Fechei os olhos impaciente.

— E você? Já se pôs no meu lugar por um mísero de segundo? Vivo com a faca no pescoço o tempo todo, literalmente. Não foi assim que eu pensei que seria meu casamento. Você pelo menos poderia realmente tentar. Me dá uma chance de ser a esposa que você quer, que merece apesar de toda a merda que aconteceu e que está impregnada na sua cabeça. Eu não posso pagar pelos os erros dos outros.

A minha garganta dói e sem contar no fato que estou meio tonta. Já estou sentindo minhas mãos levemente pesadas. Apenas um gole de uísque, um gole enorme.

— Acha mesmo que não me coloco no seu lugar? Sabe o quanto sofro por tudo isso?

Não consegui me conter, rir. Rir mesmo. Minha barriga chegou a doer.

É brincadeira dele, só pode.

— Está indo no caminho certo. – fiz um gesto com a mão, ilustrando uma direção qualquer. — Se você não está conseguindo...manter a gente como foi planejado na sua cabeça doida, então por que não me dá o divórcio. Ou melhor... – ergui o dedo indicador. – Anulação. Não fizemos nada mesmo.

Me odeio, por dizer em voz alta mesmo que na minha cabeça, que sinto alguma coisa por ele, eu me odeio perdidamente.

— Você não conseguiria viver sem mim.

Novamente rir. Gargalhei debochada.

— Iludido. Não existe apenas você de gato no mundo, amorzinho.

Não era exatamente a frase que eu iria dizer, mas saiu, já foi.

— Beleza não é tudo. – mexeu nas mãos.

— Você dizendo isso? É cômico não acha?

— Por que?

— Porque você é bonito e não tem cérebro.

O mesmo riu o que me fez rir também.

— Engraçado, porque tudo que construí foi com meu esforço, batalhei, corri atrás, suei. Não tive nada de mão beijada, Camille.

— Então, só usa um lado do cérebro.

— Você está bêbada.

A única explicação de termos fugido do assunto principal é o álcool? Não. É um dom do Eric. Ele sempre foge do assunto principal, se faz de vítima e me aponta o dedo.

— Você também, ué!

— Não. Não estou. Se estivesse você saberia.

— Está certo. Eu saberia da mesma forma do mês passado. Sabe, quando você me espancou por ciúmes besta? Ah, é claro que você se lembra ou você quer que eu te lembre? – levantei um pouco a cabeça de forma que meu pescoço ficasse mais amostra. As marcas dos seus dedos.

— Não vamos falar disso. – segurou em meus braços. Tentei me soltar dele.

— Não? Por que você vai fazer de novo.

— Não.

— Não? É que não está entediado o suficiente para criar teorias doidas. – me soltei dele indo novamente para o quarto.

Apoiei as mãos na beirada da cama, vi tudo girar. Céus, bateu o álcool. Só foi um gole. Engatinhei até o meio da cama e me joguei de bruços. Fechei os olhos, tentei controlar minha respiração que está um pouco descompassada, passei a palma das mãos sobre o lençol, pois estão suadas.

Um pouco mais digamos calma, abrir os olhos e lá estava Eric, de pé perto dos pé da cama, me olhando, braços cruzados, toalha envolta da sua cintura. Céus, ele é lindo.

DEVO AMAR-TE? (CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora