capítulo 34

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Narrador

Quando você está sentindo muita dor, os médicos perguntam qual o nível da dor de zero a dez. Camille guardou o seu dez. Cada dor, independente de física, emocional ou psicológica, ela guardou.

O aquecedor no máximo, a coberta extremamente quente, mas o frio ainda a assola. Esses últimos dias estão sendo mais difíceis e seu corpo está reagindo, da pior forma possível, mas está.

A moça de lindos cabelos pretos, –,como disse Nely – despertou de seu sono agitado, que dessa vez não teve o mesmo sonho, porém outro que revelava mais que este, mas esqueceu assim que viu seu marido entrando no quarto mal iluminado. A única luz que entrava vinha do lado de fora, pela a janela, iluminando pouco o ambiente. Natan, seu falso e gentil marido dorme, aparentemente num sofá que trouxeram especialmente para essa função. Pôs o objeto perto do aquecedor, se cobriu até a altura do pescoço. Nada do que ouviu e viu lhe é muito estranho se vindo do Eric. Seu velho e odiado amigo. Um dia já foram muito próximos. Mas como um dia tudo acaba, suas afeições teve fim. Por o amor de uma garota. Nem tanto por isso. O que mais abalou, foi sim o apego de Edward Liws, a constante comparação um com o outro. Não sabiam ambos, que estavam sendo usados para separar o filho da empregada, que na época era apenas a neta da arrumadeira. Se mantiveram próximos, pois, amigos amigos, negócios a parti.

— Te acordei? – sussurrou sentando-se ao lado de sua oficial esposa. A jovem o olhou sem dizer nada. – Vim ver se está melhor. Amanhã, quando e se o tempo melhorar um médico vem te examinar.

Sem nenhum aviso, porém com gentileza Eric a puxou para junto de si, a ponto
acomodada-la em seu peito. Ele estranhou e se assustou, por sentir o quão fria Camille está, mesmo o aquecedor estando ligado. Descartou que ela estivesse morta, pois ouvia-se e sentia sua respiração baixa.

Camille sentiu, no seu íntimo ou simplesmente lembrou da última vez que fizeram...amor. Como sentiu que era o último e foi. E será. Agora está tendo a mesma sensação, a última falsa afeição do marido. Com este pensamento, espalmou a mão deslizando-a por seu peito, indo até seu rosto. Sua barba perfeitamente aparada, e ela gosta disso nele acha que o deixa mais bonito e sério. Apoiou melhor a cabeça, de um jeito que pudesse ver melhor seu rosto. Ele está de olhos fechados. Apertou de leve a mão de Camille entre seus dedos, a levando até os lábios, ali, deixou um beijo. Quando a jovem voltou a prestar atenção novamente, pois a poucos segundos estava o olhando, mas não propriamente o vendo, – era como se estivesse olhando num ponto atrás da cabeça dele, além dele – ele também estava a olhando.

— O que está fazendo aqui? – falou num tom, não tão alto, mas também não em um sussurro. – Não devia está lá com... – ela mordeu o lábio inferior. – A propósito, sua filha é linda.

Ele sorriu.

— É sim.

— Então? – ela insistiu na pergunta.

Eric não disse nada por um tempo e Camille sabia que não teria resposta, mas para sua surpresa ele a respondeu. Não sendo – e já esperando – a resposta que queria ouvir.

— Eu... nós...

Corrigindo. Não foi propriamente uma resposta, porém o suficiente para se entender o ocorrido com o "eu... nós...".

Camille fechou os olhos, para tentar convencer seu cérebro que o que Eric deu a entender, não era real. Ela queria muito que não fosse. Logo tentou sair do aconchego – que agora nem de longe é mais – de seu peito, não conseguiu. Eric não a soltou. Não usando a força, mas não a soltou. Ele tem consciência do que fez e não queria fazer, foi mais forte que ele. Essa foi a primeira vez, que traiu alguém. E ainda por cima sua mulher. A mulher que despertou o desejo de mudar – tentou, juro que ele tentou. Mas as raízes de seu passado eram mais fundas, do que o desejo – e a que ama, mesmo tendo também outra em seu coração. As vezes ele se perturbava, se era possível amar duas mulheres ao mesmo tempo.

DEVO AMAR-TE? (CONCLUÍDA)Onde histórias criam vida. Descubra agora