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Não sei como as coisas estão indo. Só existo. Uma existência sem sentido. Um móvel talvez. Teria mais uso e faria alguma diferença se eu fosse quem sabe um jarro num aparador no corredor.
— Ouviu o que falai? – Eric perguntou.
O que diabos ele disse? Estamos tomando café da manhã. É pouco menos de oito horas. Uma semana após nossa primeira vez juntos. O que mudou? Bom...há mudanças, sempre/durante essa semana tomamos café e jantamos juntos, após as refeições Eric some e ponto. Meus dias se resumem a nada. As vezes leio, fico de frente a lareira tomando chá, café, chocolate quente e até sopa as vezes, quando não neva vou ao lago, olho a neve caindo atrás da janela e só. Não consigo dormir durante o dia e muito pouco a noite. Não sei se insônia ou... não sei. Eric, contínua sem dormir de fato, comigo pelo menos. O máximo que ele fica na cama e talvez pregue o olho, já é de madrugada. Hoje mesmo, as quatro chegou no quarto, tirou as roupas, deitou ao meu lado, as seis levantou. Não sei o que fazer, talvez não há o que ser feito. A segunda opção é a mais que faz sentido.
— Sim, querido. – agora o chamo assim.
Martha de pé no canto, com as mãos juntas na altura da virilha, com a cara de tédio. Vontade de jogar esse negócio de geleia nela. Até olhei para o pote, peguei. De onde estou até onde ela está deve ser, uns...três metros.
— E o que falei? – me dispertei do pensamento agressivo.
— Sobre você. – certeza que é sobre ele.
Sinto tanta falta das minhas amigas, das nossas conversas sem sentido, os planos para o futuro que fizemos. Deus, isso parece que aconteceu a anos luz.
— Não exatamente. – apenas o encarei. Vendo que não falaria nada, limpou a garganta com um pigarro, logo voltando a falar. – Lembrar da viagem que fizemos para Nova Iorque?
Olhei para ele depois para Martha. Como esqueceria. Mas esse assunto, quer dizer que vamos viajar de novo para algum outro lugar. Irei ver gente de verdade.
— Sim, lembro. – me segurei para não transparecer a minha euforia.
— Ficamos lá por algumas semanas.
Trancada após ter sido humilhada e espancada, sim. Lembro.
— Sim.
— Desta vez, irei sozinho.
— Por que? – ele suspirou, olhou para Martha e continuou calado. — Tudo bem. – fingir estar aceitando, na verdade estou aceitando mesmo não tem o que ser feito e ponto. Se ele não quer me levar, não vou forçar nada.
Cheguei no nosso quarto, avisto logo de cara, uma mala de mão sobre a cama. Quando que ela foi posta ai? Os empregados aqui parece uns ninja. É impossível, quando digo impossível é impossível mesmo de vê-los. A mais que vejo é a capeta da Martha. O que vou ficar fazendo enquanto estiver aqui sozinha? Querendo ou não – querendo ou não essa foi boa, até rir aqui– fico sozinha o tempo, mas sabendo que irei ver meu marido a noite e pela a manhã, mesmo sendo pouquíssimas horas, esses dias principalmente é alguma coisa né? E a Martha? Será que ela vai ficar aqui? É mais plausível sendo que ela trabalha aqui, se tivesse trabalhando na empresa – foi burra de não ter ido – certeza que ela iria nessa viagem. Tem certeza de ter certeza, Camille? Agora uma pulga atrás da orelha. Mais pulgas.
Eric entrou no quarto. Eu estou sentada numa poltrona ao lado da janela. Está nevando um pouco.
— Eu não posso te levar, desta vez. – não o olhei. Ele se abaixou na minha frente, ficando de joelhos, segurou uma de minhas mãos a levando aos lábios. — Teremos, outras oportunidades.
— Eu não pedi nenhuma justificativa, Eric. Então não vejo motivo de você estar aqui, "se explicando". – dessa vez o olhei. Sua expressão é de magoado. Ah! Fui rude? Me poupe.
— Tudo bem. Entendo... – o interrompi.
— Nada. Entende nada. E não fala e faz nada com nada.
— Camille...
— Sua mala já está pronta. Aproveita e lava a mala maior. Sabe, aquela que tem duas pernas, dois braços, que é uma maldita pessoa. – puxei minha mão com força.
Eu estou brava por quê, todos esses dias ele veio me ignorando, me deixando de canto, pior que do que antes. Isso só me vem uma coisa na cabeça, que... que é por causa da nossa primeira vez e última. Não aconteceu mais nada entre a gente. Nem um beijo na testa. Vez ou outra, me abraçava por trás quando ia dormir. Só.
— Martha não vai comigo. Lhe dei folga.
Não acredito nem por um segundo.
— Se ela não vai com você e a deu folga, por qual motivo não me leva? – ele segurou minha mão de novo, e de novo a puxei.
— Por motivos óbvios.
— Então eu estou cega que não os vejo! – se é tão óbvio porque eu não vejo?
— Bom, só vim me despedir. Porque eu ainda me dou trabalho de acreditar nele? Estávamos bem, pensei que dessa daríamos certo. Maldita Martha. Maldito Eric.
— Já se despediu. Já pode ir. – apontei para a porta. Eric não disse mais nada, se levantou e foi embora, chegando na porta onde da para o corredor ele parou. Deu meia volta e veio até mim, ficou de joelhos, me puxando para si. Fiquei com as pernas em volta da sua cintura. Uma de suas mãos na minha nuca, com os dedos entrelaçados nos meus cabelos, a outra na minha coxa apertando a ponto de ficar dormente. Isso tudo bem rápido.
— Falei que vim me despedir. – daí me beijou com tanta força, com tanta pressa. Suas rápidas e habilidosas mãos por todo meu corpo. Apertava minha coxa, seios, cintura e alguns puxões de cabelos me faziam gemer. Ele ficou de pé, me levando junto. Me jogou na cama, logo em seguida fazendo o mesmo com a mala. Abriu o cinto, desabotoou a calça a puxando para baixo na altura dos joelhos. Puxou-me pelas pernas, levantou meu vestido, sorriu ao vê minha calcinha rosinha e transparente, ergueu minhas pernas beijando-as com nada de delicadeza, deslizou a calcinha por minhas pernas, a pondo no bolso do paletó. Sorrir mordendo o lábio inferior. Deitou-se sobre minha, entre minhas pernas, beijou-me mais um pouco no pescoço, colo e ombros. Um pouco ofegante, colou sua testa na minha, me olhando nos olhos – droga –, gemi baixinho quando ele pôs seu pênis em mim, devagar, gentil. O mesmo fechou os olhos, agarrou minha perna com força a ponto de formigar. Movimentos de vai e vem devagar e fortes. Os gemidos de ambos alto, ecoavam pelo o quarto. A cama batia forte na parede. Os criados mudos ao lado da cama balançavam, uma abajur que estava em um deles caiu quebrando a lâmpada. Eric urrou numa última estoca, logo deitando sobre mim. — Não esquece... que eu te amo. – disse ofegante e por fim me beijando.