Quando ocorre uma mudança de comportamento em alguém, todos à volta sentem, menos a pessoa que emocional e cegamente se envolve sem prestar atenção no que está vivendo. Viver e enxergar a verdade, por vezes dói muito, mas optar pela negação fará com que todas as emoções que serão reprimidas ao longo do tempo um dia explodam.
Este explodir de emoções pode vir de várias formas: pode ser em uma doença, pode ser em um imenso sentimento de raiva que impedirão que sua vida deslanche, pois você estará sempre conectado ao passado, ou pode ainda vir na forma de chantagem emocional contínua. Todos esses comportamentos, no entanto farão com que você deixe de viver e que não abrace a possibilidade de ser feliz para sempre.
Admitir que você está sendo traída é um dos sentimentos mais duros que um ser humano pode sentir, é a sensação de ser deixada de lado, de ser substituída e isso vai de encontro ao instinto natural de autodefesa e orgulho. Admitir e modificar a situação é ainda mais difícil, pois é necessário dizer que um dia falhamos, que escolhemos a pessoa errada, que não enxergamos quem de fato a outra pessoa era.
Mesmo após tanto tempo ao lado de um homem que achei que conhecia como a palma da mão, eu percebi que todo esse tempo, estávamos vivendo o começo. Tudo começou com muito romance, entendimento, compreensão, frio na barriga e inúmeras sensações que me faziam contar as horas e os minutos para encontrar aquela pessoa que de alguma forma parecia ser o que me faltava. Por ele suspirei, deixei a mente viajar, fiz loucuras e acima de tudo fiquei cega, sim, cega pelas minhas projeções depositadas nele. A paixão não permitiu que eu o enxergasse como ele realmente é, mas sim, na projeção do que idealizei.
Filhos e uma vida financeira estabalizada parecia agora não significar mais nada, todas as noites em que nos deitamos juntos e trocamos carícias, todas as frases melancólicas após o sexo, não significou, no meu peito só existia ódio, era como se um punhal envenenado estivesse cravado bem no meu coração, me impedindo de sentir tristeza ou qualquer outro sentimento à não ser um ódio profundo, que brotava da minha alma e beirava nos meus lábios trêmulos, que me impossibilitaram de proferir uma palavra se quer.
— Por que a festa parou? Eu acabei de chegar — Blair falou com seus olhos faíscando sob os meus, enquanto Justin mantinha seus olhos fixos em um ponto aleatório dali, não encarando ninguém —
— Justin o que é isso? — Pattie perguntou abismada, com as duas mãos sob o peito, ela tinha angústia no tom de voz —
— Eu.. queria que todos soubessem de uma vez — A voz de Justin saiu falha, e ele me olhou — Nós estamos juntos à algum tempo, e eu a amo.
Aquele foi o momento em que eu me despedacei por completo, foi o momento em que eu perdi a minha sanidade, eu não conseguia acreditar que tudo isso era real, era muito bizarro e assombroso. A maneira fria como os dois estavam agindo, um segurando forte a mão do outro, como se estivessem ali passando confiança para ambos, foi o fim pra mim.
— Eu vou acabar com você! — Aysha gritou querendo avançar na direção de Justin mas foi impedida por Peter e Chaz que estavam do seu lado — Sky, você não pode deixar isso acontecer! — Ela me olhou enquanto esperneava —
— Como você tem coragem? — Jazzy gritou, indo pra cima de Justin e deferindo tapas no seu abdômen — Os seus filhos, a sua família, Justin, como você tem coragem?! — Ela estava indignada, enquanto eu ainda permanecia estática, olhando para Blair —
— Vamos sair daqui — Ryan tocou a minha cintura, mas eu fui rápida em passar a mão no seu quadril, tirando dali a sua arma — Skylar solta isso! — Ele gritou levantando os braços quando eu apontei o cano na sua direção e todos se calaram —
— Eu não vou atirar em ninguém — Falei ofegante enquanto todos me olhavam assustados — Eu só vou sair daqui e quem vier atrás de mim eu juro que eu mato, eu juro. — Rosnei, dando passos pra trás —
— Não faz besteira, por favor, Sky — Jazzy me pediu, ela chorava, assim como Pattie —
— A maior besteira que eu fiz em toda minha vida foi de ter me sacrificado tanto pelo ser digno de nojo que está bem aqui na minha frente — Eu apontava a arma para Justin que me encarava profundamente, com os olhos nadando em lágrimas — Me dá a chave do carro. — Olhei para Chaz —
— Skylar.. — Ele tentou argumentar —
— Me dá a merda dessa chave! — Eu gritei destravando a arma e ele me deu rapidamente —
Entrei no carro de Chaz e cantei pneus, afundando o pé no acelerador o mais forte que pude, indo na direção do grande portão de ferro. Os seguranças abriram o portão ao avistar o carro e eu passei reto, dando uma freiada brusca quando avistei um carro sendo estacionado ali.
— Skylar? — Aaron parou ao meu lado, me olhando confuso e preocupado —
— Me tira daqui, por favor — Eu implorei desesperada —
— O que aconteceu? — Ele perguntou abrindo a porta do carro e me tirou de dentro do mesmo —
— Só me tira daqui — Eu solucei em súplica, e ele abriu a porta do seu carro para que eu entrasse, dando a volta e ocupando o volante —
— Se o maluco do seu marido me procurar eu falo que você me forçou a fazer isso — Ele falou dando partida no carro —
— Ele não é mais o meu marido, ele não é nada meu, eu só sei sentir nojo — Eu gritei, sentindo o ar faltar dos meus pulmões por conta do acesso de choro intenso, Aaron me olhava de relance e preocupado —
— Eu posso te levar pra minha casa? — Ele perguntou com receio —
— Me leva pra qualquer lugar que seja longe daqui — Eu pedi, tombando a cabeça no banco em uma tentativa falha de controlar os soluços, mas aquela dor era imensurável, eu não saberia informar em uma escala de zero a dez o quanto estava doendo —
Aaron parou o carro minutos depois em um condomínio onde haviam várias mansões, e eu agora conseguia respirar, mas ainda era difícil.
— Penny, prepara um chá de camomila o mais rápido possível — Aaron falou quando entramos na casa e uma mulher com uniforme de empregada apareceu —
— Você está bem? — Ela perguntou preocupada, mas eu não consegui lhe responder —
— Ela vai ficar bem, eu acho — Aaron falou me olhando, e me fez sentar no sofá — Se eu puder fazer algo por você.. é só pedir. — Ele sentou do meu lado —
— Eu larguei tudo, simplesmente tudo por ele, e ele me traiu, me trocou como se eu fosse uma roupa velha que não serve mais. — Murmurei — Eu o amo tanto, eu o amo tanto que chego a ter raiva por não ser capaz de odiá-lo.
— Em primeiro plano está o amor próprio, Skylar — Aaron falou me encarando —
— E se eu dei algum motivo para que isso acontecesse? Eu posso ter o deixado de lado por algum momento, eu não sei — Me martirizei e ele balançou a cabeça —
— Não existe explicação ou motivo para uma traição. — Aaron falou prontamente — Ele ignorou a confiança depositada que você tinha, os bons momentos arquitetados e o amor cultivado. Ele traiu e acabou com os sonhos, com a alma mansa pelos carinhos que você recebeu, com a alegria de se sentir amada e respeitada. Traição é só a prova do amor acabado, o fim do respeito honroso e o orgulho de estar com quem você amava. É a morte do amor, o nascimento do ódio e a perpetuação da hostilidade entre os dois, não se culpe jamais por isso, você não teve culpa.
Eu me calei ao ouvir aquelas palavras, e a empregada apareceu com uma xícara de chá. A mulher me encarava curiosa, com seus olhos verdes levemente arregalados, esperando algum tipo de explicação.
— Você tem algum remédio para coração partido? — Aaron perguntou encarando a mulher, que fechou os olhos brevemente, suspirando —
— Bem que eu imaginei — Ela falou se aproximando de mim —
— A Penny é a melhor terapeuta que o mundo já conheceu, você vai se sentir bem rapidamente, eu prometo — Aaron falou tocando minha mão que estava pousada na minha perna e sorriu, saindo dali —
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Fanfictie"Estamos todos no inferno, não há solução, pois não conhecemos nem o problema" Skylar Winslet, uma repórter investigativa recém-formada acaba se envolvendo com um narcotraficante, chefe de uma grande produção de cocaína na cidade de Denver, no Color...
