Capítulo 41 - Second season

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Precisamos saber perdoar, deixar o passado para trás e viver o que realmente importa. Esquecer toda a ruína e acima de tudo, acreditar que as coisas se resolvem com o passar do tempo, que as pessoas mudam e os erros cometidos jamais serão repetidos.
Mas eu seria ingênua demais em fingir demência e simplesmente me desfazer de todos os planos e o quanto passei por tempestades assombrosas sozinha, sem apoio, sem alicerce algum. Olhar para Justin sendo um pai presente e tentando me convencer de que havia mudado para um marido perfeito não me comovia nem um pouco, pois aquele resto de rancor permanecia ali, e o amor, adormecido, anestesiado com uma injeção de sofrimento, se movia lentamente, como a brasa de uma fogueira que queima confortavelmente, durante tempos.
Mas toda vez que fechava os olhos e relembrava absolutamente tudo que passei, eu esquecia disso.

— Mais um contrato em mandarim, skylar? — Justin me olhou desconfiado quando joguei os papéis em cima de sua mesa.

— Quer que um cliente árabe mande um contrato em que língua? Francês? — Perguntei e ele revirou os olhos, assinando todas as folhas que estavam ali — Amanhã á meia noite todas as cargas estarão passando pela fronteira — Falei quando ele estendeu as folhas de volta para mim.

— Você tem certeza, Skylar? — Justin segurou as folhas quando as puxei e me olhou nos olhos, sério — Você promete?

— Quando eu te decepcionei? — Perguntei e ele continuou me olhando, até soltar as folhas.

— Justin, eu.. — A voz de James soou no escritório e eu me virei olhando para a porta, ele estava com alguns papéis nas mãos.

— O que você está fazendo aqui? — Perguntei e James franziu a testa.

— Eu estava entrando e o Ryan me pediu para vir avisar que a missa de um mês de morte do Alfredo será amanhã ás oito — Ele disse — Vim falar com você sobre alguns assuntos pendentes de Glasgow.

— Obrigado pelo aviso, James — Justin falou levantando — Vou levar as crianças para a casa da minha mãe.

Ele passou por nós e saiu do escritório, James também saiu e eu vim logo atrás.

— Ele assinou a petição que coloca todo o cartel sob meu comando — Eu disse e James sorriu.

— Você é brilhante — Ele disse e ri — Quem imaginaria em colocar um contrato todo em mandarim?

— Ele só não pediu um tradutor porque confia em mim, qual é, eu estou fazendo tudo direitinho — Disse e ele sorriu — Tudo pronto para amanhã?

— Vim aqui para te dar essa notícia pessoalmente, eles irão levá-los para o galpão e lá você já sabe. — James disse e eu senti um frio na espinha — Você tem certeza disso? Olhe para o fundo da sua alma, que eu sei que tem, e me diga se é isso que quer.

Eu olhei para o chão e pensei por alguns instantes, apesar da adrenalina e plano de vingança, eu olhei para dentro de mim e suspirei, levantando a cabeça e encarando James à minha frente.

— Eu nunca desisti de algo, eu cheguei até aqui e vou em frente — Falei e James assentiu prontamente — E esses papéis são para mim? — Apontei e ele hesitou os distanciando de mim.

— São exames da Malu, acabei de pegar no hospital — Ele falou — Agora eu tenho que ir.

— James — o chamei quando ele saiu e ele parou de andar, me olhando — Obrigada por estar do meu lado, por mais maluco que seja esse plano.

— É o meu trabalho, Sky — Ele sorriu, e saiu dali.

Fui para o quarto e observei, da porta, Justin calçando os sapatos de Henry enquanto o garoto bagunçava seus cabelos, Justin reclamou, mas logo abriu uma risada para amenizar a bronca, pela cara assustada que Henry fez, ele não fazia idéia, mas aquela seria a última lembrança viva de seu pai.
Por mais cruel que pareça, eu acreditava que as crianças poderiam sim sobreviver sem Justin, por muito tempo fomos só nós três e eu sempre pude fazer o papel dos dois, sem problema algum.

— Hey, vem ver isso — Justin me chamou, rindo, enquanto segurava o pé de Henry.

Me abaixei do seu lado e olhei para o dedão do bebê, vendo sua unha pintada por um esmalte rosa.

— Clary.. — Justin olhou para a garotinha que nos olhava desconfiada, e abriu um sorriso sem graça, vindo na nossa direção.

— Minha mamãe e meu papai — Clary disse tentando se livrar da bronca e nos abraçou, juntando a cabeça de Justin com a minha, e ele riu, me olhando.

O momento família se desfez com o tapa de Henry no braço de Clary, por ciúmes, e logo precisamos separar os dois, essa é a realidade de ter duas crianças pequenas, não vivemos como nos comerciais de tv.
Justin logo tratou de levar os dois para a casa de Pattie, pois eles dormiriam lá hoje á pedido de Bruce e Diane. Decidi passar a tarde inteira me preparando psicologicamente para o que aconteceria amanhã, no meu quarto, somente com a minha companhia.
No fim da tarde, tomei um banho relaxante e enquanto observava o jardim imenso daquela casa, a porta do quarto abriu devagar.

— Pensei que estivesse dormindo — Justin disse e eu o olhei, vendo um buquê de acácias amarelas em uma mão, e uma garrafa de vinho e duas taças na outra.

— O que é isso? — Perguntei confusa e ele sorriu levemente.

— Passei em frente à uma floricultura e lembrei de você — Justin falou me entregando o buquê — Eu acho que essas flores deveriam ter o seu nome.

— Me fazem lembrar tantas coisas — eu disse suspirando e ele assentiu, abrindo o vinho e colocando nas taças.

— Se arrepende de algo? — Ele perguntou e eu o olhei — Por favor não responda. — rimos.

— Você me fez fugir completamente da realidade — Eu fui sincera, Justin me olhava nos olhos, o reflexo das luzes do jardim refletiam no seu rosto — As vezes eu tenho medo de acordar e isso tudo não existir, ter sido apenas um grande e tortuoso sonho distante..

— Colorado, revista info's, Britany, Adam.. — Justin mencionou e eu balancei a cabeça — Mas não é mentira Skylar, nosso amor não foi e nunca será uma mentira.

— Por que você está falando isso? — Eu perguntei com um sorriso confuso.

— Hoje eu olhei para os nossos filhos e percebi que não há nada nesse mundo que substitua uma família — Ele deu de ombros — O Justin de alguns anos atrás iria rir disso, o quão tolo seria pensar que duas crianças, que dão despesas, seria mais importante do que isso tudo? — Ele abriu os braços — Eu tenho dinheiro, tenho poder, um império e um patrimônio de bilhões de dólares, eu tenho a mulher que eu quiser na minha cama. Mas isso não é nada, eu não me importo com nada se eu não tiver vocês.

Meu coração estava pequeno, era como se ele soubesse que lhe tirei tudo, eram meses de cargas e dinheiro desviados para a minha conta, eu iria entregá-lo para os Shakes fazerem proveito dele amanhã, e hoje ele estava aqui, completamente vulnerável e falando o quanto nossa família importa. Eu realmente estava fazendo a coisa certa? Estava agindo com a razão, mas e o coração? Estava preparado para viver em um mundo em que não existe Justin Bieber? Com seus jeans surrados, o sorriso de quem não quer nada, sem fazer o mínimo esforço para esconder o que sente, era realmente isso que eu queria?

— Fale algo — Ele pediu baixo.

— Me desculpe — Falei, sentindo meu peito doer, eu ainda tinha coração, consciência, e naquele momento estava pesando.

Eu estava tão cega em lhe tirar tudo que não percebi que a única coisa que ele realmente tinha éramos nós, era nossa família, era como se eu estivesse presa em um looping do tempo, como se todas as coisas que me neguei acreditar durante esse tempo, agora fizesse sentido. Nos sujeitamos à inúmeros sacrifícios pelos nossos filhos, ele os ama tanto quanto eu, por quê eu percebi isso tão tarde?

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