Capitulo 60

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Ryan não sabe mais o que quer. Percebo um tipo de fraqueza na sua voz, acho que é melhor deixá-lo sozinho.


HANNA: Eu tenho que ir, Ryan.

RYAN: Eu não pedi para você ir.

HANNA: Acho que você precisa descansar.


Ryan dá um passo em minha direcção. Nossos olhares se encontram, ele pega minha mão. Eu desvio o olhar.


RYAN: Adeus, Hanna.


Mark está esperando atrás de nós. Não entendo o que ele quis dizer com adeus. Mark me convida a sair.

Estou deitada na minha cama, já é tarde, mas não consigo dormir.

Foi um longo dia, todos estavam muito ocupados. Eu não consegui tirar os olhos do computador.

Devo admitir que fiquei um pouco perturbada e com a mente distante o resto do dia. Meus pensamentos estavam presos ao Ryan. Eu realmente não entendo o que está acontecendo com ele. Suas mudanças de humor, seu comportamento agressivo...

Eu continuo achando que ele não está bem. Talvez esteja com depressão, muitas vezes é o caso, quando se trata de jovens ricos.

Pelo menos posso dizer que as coisas melhoraram com Gabriel. Ainda não tive a oportunidade de agradecê-lo por aquela noite mágica. Falarei com ele amanhã, ou pelo menos espero que sim.

Talvez eu consiga relaxar um pouco. Bom... melhor eu tentar dormir.

No dia seguinte, passando pelos corredores da empresa, encontro com Gabriel. Ele me chama até seu escritório.


GABRIEL: Feche a porta, por favor. Entre e sente-se.


Eu sento no sofá, ele se aproxima e senta ao meu lado.


GABRIEL: Não tivemos a oportunidade de nos encontrarmos ontem. Eu queria conversar com você sobre aquela noite que passamos juntos. Você guarda um segredo?

HANNA: Sim, claro.


O rosto de Gabriel fica sério, o clima fica um pouco tenso. Ele passa a mão nos cabelos.


GABRIEL: É sobre o lugar onde fomos. Eu disse que era um lugar importante, para mim particularmente.

HANNA: Sim, eu lembro.

GABRIEL: Eu nunca contei a ninguém sobre isso. Mas acho que posso lhe dizer.


Eu olho para Gabriel atenciosamente.


GABRIEL: Foi lá que meu pai faleceu.

HANNA: Eu sinto muito em ouvir isso, Gabriel.

GABRIEL: Foi há muito tempo... Um motorista bateu nele naquela curva. No inicio da trilha que pegamos. Eu era criança...


O silêncio toma conta. A voz de Gabriel começa a desaparecer, seu rosto congela. Ele olha para o chão, completamente perdido.

Eu pego em sua mão, para confortá-lo.


GABRIEL: O lugar não foi aleatório. É importante para mim.

HANNA: Porque você está me contando tudo isso, Gabriel?

GABRIEL: Deve haver uma razão.


Gabriel se inclina um pouco e apoia a cabeça em meu ombro. Ele pega minha mão e a coloca em seu rosto.


GABRIEL: Eu precisava conversar sobre isso com alguém. Eu pensei muito sobre aquela noite, e queria que você soubesse o que houve. Eu sabia que você entenderia. Eu confio em você, Hanna. Nunca se esqueça disso.


De repente, alguém bate na porta. Gabriel se levanta e vai atender, eu me levanto do sofá.


SAMANTA: Estive procurando você por toda a parte. O que você está fazendo agora? Hanna, sala de reuniões, agora. Eu preciso falar com você.


Ouvindo o tom de sua voz não sei se isso é um bom ou mau sinal.

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