CAPÍTULO 23- EU NÃO TE CONHEÇO MAIS

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— Não que eu não goste de você aqui, é muito bom ter uma companhia, mas até quando vamos ignorar que sua vida virou de cabeça pra baixo? - Gina me pergunta, sentada em uma cama de solteiro no quarto que costumava ser pra visita, mas agora é meu

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Não que eu não goste de você aqui, é muito bom ter uma companhia, mas até quando vamos ignorar que sua vida virou de cabeça pra baixo? - Gina me pergunta, sentada em uma cama de solteiro no quarto que costumava ser pra visita, mas agora é meu.
— Até sempre.
— Frida... - Gina faz carinho na minha cabeça com cuidado. — tem um mês que você não sai da minha casa. Você estuda, sabia? Você trabalha! Maisie te ligou sem parar nas primeiras duas semanas, seu pai bateu na minha porta diversas vezes e sua mãe...
— Não, Gina. - Eu a interrompo. — Não quero ouvir falar de Sara.
— Se lembra do que você me disse? Fugir dos problemas é não aprender a lidar com eles nunca.

Sem ter como argumentar, eu me sento na cama e encaro Gina.

— O que eu devo fazer, Gina? Entrar em casa e fingir que nada aconteceu?
— Não, mas ter saído correndo da cafeteria também não foi uma atitude madura.
— Eles mentiram pra mim. Ambos. Minha vida inteira. Principalmente minha mãe.
— Você não sabe disso! Nem deu chance dela se explicar, Frida.
— Mas ela me deu chance de fugir quando, ao invés de me procurar, ficou colocando os xingamentos em dia com Michael.
— Frida, volte pra casa. - Gina segura minha mão e me encara seriamente. — Você precisa ouvi-los. Nem que você volte pra cá depois, mas se dê esse gostinho de estar certa enquanto os dois estão errados. Ouça o que eles têm a dizer e, se não se sentir confortável por lá, você volta.
— Promete que não vai me expulsar?
— Você é minha única amiga. Quem eu seria se te expulsasse? - Ela me dá um sorriso terno e eu devolvo, assentindo com a cabeça.

Me levanto em seguida, e começo a procurar meus tênis.

— Onde está meu celular?
— Em cima da mesa da cozinha. - Gina me responde. — Você precisa colocá-lo pra carregar quando chegar em casa.

Sem responder, bato a porta da sala de Gina e chamo um táxi, dando ao motorista o endereço da minha casa.

— Está tudo bem, querida? - Ele me pergunta. — Parece apreensiva.
— Sim, obrigada.

O táxi para na minha porta vinte minutos depois e eu preciso respirar fundo diversas vezes antes de entrar.
Tudo parece diferente. Desde as paredes até o cheiro.
Me sinto sufocada.
Sara desce as escadas correndo, mas para a alguns centímetros de mim.

— Filha.

Ela diz e eu contenho as lágrimas que estão se formando em meus olhos. Minha mãe está um caco. Há bolsas embaixo de seus grandes olhos azuis, como se ela tivesse chorado durante todos esses trinta e três dias. Ela também está mais magra e os cabelos estão desarrumados, quase como se ela não os penteasse a anos.

— Filha, eu... - Ela me abraçar, mas não retribuo. — Eu sinto muito. Você está bem? Como você está? - Minha mãe me encara, segurando meu rosto com as duas mãos e desabando em lágrimas.
— Com licença. - É só o que digo antes de começar a subir em direção ao meu quarto.
— Frida, não... Filha, nós precisamos conversar. Mamãe sentiu tanto a sua falta.

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