CAPÍTULO 10- PARTE I | ALGUEM.

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- O QUE DIABOS EU DEVO USAR, FRIDA? - Grito, brigando com o meu reflexo no espelho após ter jogado todas as minhas roupas no chão e não achado nada para vestir

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- O QUE DIABOS EU DEVO USAR, FRIDA? - Grito, brigando com o meu reflexo no espelho após ter jogado todas as minhas roupas no chão e não achado nada para vestir. São sete e meia da manhã, Maisie estará aqui em alguns minutos e eu não consigo encontrar um modelito sequer.
Pelo amor de Swift, Frida, quando é que você começou a falar "modelito"?
- Com quem você está gritando? - Diz minha mãe da porta do quarto.
- Com ela! - Indico o espelho. - Ela nunca sabe o que vestir e ela nunca sabe dizer não a Maisie!
- O que Maisie fez? - Minha mãe entra, calmamente, e se senta na minha cama, me encarando com olhos atenciosos.
- Disse para a tal Samantha Goulding que eu estaria na tal entrevista da tal Cher's Fragments.
- E você quer ir?
- Não! Quer dizer, sim. - Digo, surpreendendo a mim mesma. - Mas isso não é pra mim, mãe, isso é para garotas como Maisie e Johanna, que nasceram lindas e espontâneas e prontas pra ser capas de revistas. Eu não, eu nasci pros bastidores.
- Talvez seja por isso que eu goste tanto de Maisie...ela é seu lado destemido. Frida, não há dois lados do mesmo mundo, não há coisas feitas para um tipo de pessoa e outras coisas feitas para outro tipo, isso é ilusão sua. Você pode fazer o que quiser e tem capacidade para se dar bem em tudo, só precisa se deixar tentar.
- Vai me dizer que preciso me amar mais também? - Reviro os olhos e sento ao lado dela na cama, enquanto ela coloca meu corpo magro que, no momento, só está vestindo um sutiã branco e uma calcinha da mesma cor, no seu colo.
- Não. - Minha mãe sorri e me abraça. - Acho que você mesma começou esse processo, mas você precisa tirar da cabeça que há limites na sua vida pois não há, filha, não mesmo.
- Você acha que eu posso ser modelo? - Quando a frase termina, me sinto uma criança de oito anos, mas essa é a vantagem de conversar com minha mãe: eu tenho total liberdade para agir feito um bebê.
- Eu tenho certeza. - Ela diz com tanta convicção que ignoro o fato de que Sara é minha mãe e que é obrigação dela apoiar meus sonhos. Até os sonhos que eu não sabia ter.
- Eu acho que só quero ser alguém, sabe?
- Você já é alguém.
- Não assim... - Eu me levanto do colo dela. - Mas alguém de verdade. Pela primeira vez, e não sei se foi Maisie quem colocou isso na minha cabeça, eu consigo ver tudo de outra perspectiva. Eu ainda tenho raiva do mundo, mas percebi que ele pode me proporcionar muita coisa, mãe...e eu quero isso. - Tendo frear as palavras, mas elas saem como se estivessem presas em mim a muito tempo. - Eu não sei se é o certo pra mim, se vou me encaixar, mas eu quero ser modelo, quero que as pessoas me conheçam de uma forma diferente.
- E o que te impede, Frida?
- Eu não... - Paro pra pensar, mas não há resposta pra essa pergunta. - Não sei. Nada me impede, mas eu acho que vou tomar um tombo tão enorme que nunca mais vou querer arriscar nada na vida.
- Então por que você não se deixa tomar esse tombo? Eu vou estar aqui se o mundo cair e sei que Maisie também vai, você não está sozinha, Frida, nunca esteve.
- Eu não vou te deixar cair. - É a voz de Maisie que escuto dessa vez e tanto eu quanto minha mãe nos assustamos. - Me desculpem, eu não quis atrapalhar, mas a porta estava aberta e vocês não ouviram a campainha... - É a primeira vez que vejo Maisie constrangida. - Frida, você nunca me disse nada disso.
- Bom, você já tem companhia. - Minha mãe começa. - Termine de se arrumar e desça pra comer uma panqueca, pelo menos. - Ela passa pela porta e dá um beijo na testa de Maisie.
- Por que eu diria? - Pergunto, dando de ombros.
- Frida, eu sou sua melhor amiga! Eu sei que posso ser mandona e te obrigar a fazer diversas coisas que você não quer, mas, tirando a festa da Johanna, você já se arrependeu de alguma coisa que fizemos juntas?
- Não.
- É por isso que eu te arrasto pra tudo. Quero que você viva novas memórias, quero vivê-las com você. Minha vida nunca foi tão incrível assim também...mas eu não sabia que você tinha tanto medo guardado assim. - Minha amiga está me encarando com uma expressão triste.
- Não é medo, eu só não sei lidar com tudo isso. Parece que foi ontem que eu era só a Frida desconhecida e desocupada, agora eu tenho uma amiga, um blog, um cara que adora me beijar, uma inimiga e uma possível proposta de emprego. Tá acontecendo tudo rápido demais!
- Ok, entendo. - Maisie parece pensativa quando se aproxima e coloca seus enormes olhos cor-de-esmeralda nos meus. - Pense como Alessia Cara, ok? Ela não disse que gostaria de congelar o tempo em seus dezessete anos? Finja que é isso que você está fazendo, congelando o tempo e vivendo a melhor época da sua vida. Não sei se faz sentido mas... - Eu a interrompo, a abraçando fortemente.
- Faz todo sentido. Obrigada. Você é incrível.
Maisie retribui o abraço.
- Sei que não te digo muito isso. - Eu continuo. - Mas você, realmente, é incrível. Você ilumina qualquer pessoa ao seu redor e eu agradeço todos os dias por você ser minha melhor amiga. De verdade, Mai, obrigada.
- Eu não acredito que você vai me fazer chorar as oito da manhã. - Ela responde, ainda me abraçando forte. - Eu amo você, Frida, e eu sei que você é toda fodida da cabeça mas eu sempre vou te ajudar com tudo isso, eu sempre vou cuidar de nós duas, ok? Sempre vou te levar pro hospital quando você resolver ficar com alergia e sempre vou ser a primeira a ler suas postagens, não por obrigação, mas por gostar do que você escreve. Eu prometo. Agora vamos escolher uma roupa porque você não pode ir a sua primeira entrevista de emprego pelada desse jeito!
Ela me solta do abraço e limpa os cantos dos olhos, que estavam lacrimejando. Faço o mesmo com os meus e volto a vasculhar meu guarda roupa na intenção de achar algo que não jogue na cara das pessoas que tenho dezessete anos de pura insanidade mental e sim que sou uma garota com um enorme potencial para ser alguém na vida.
Porque eu quero ser.

Porque eu quero ser

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