CAPÍTULO 20 - O SUFICIENTE

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— Boa tarde

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— Boa tarde. - Digo, ao entrar no escritório de Yara e perceber que a mesma não está.
— Oi. - Zac responde e não consigo decifrar sua expressão. Ele gira na cadeira e sorri pra mim.
— Meu dinheiro. - Começo a pensar se minha cabeça baixa e minhas mãos brancas brincando com os furos do short jeans estão entregando que estou transbordando de vergonha e raiva.
— Aqui. - Ele aponta para um envelope disposto sobre a mesa a apenas alguns centímetros dele.

Quando me aproximo, me inclino e coloco a mão sobre o envelope, Zac a segura com força.
— Quer me dizer algo? - Ele levanta os olhos até os meus.
— Não. Solte minha mão, por favor.
— Como quiser. - Ele a solta, mas continua com os olhos nos meus, e eu não tenho forças pra olhar em outra direção. — Está brava?
— Precisa de muito mais pra me chatear, Zac.
— Por que você estaria chateada?

Ele levanta uma sobrancelha e eu quase não acredito na cara de pau. Sinto meus cílios tremerem e não deixo barato:

— Você me odeia?

Zac é pego de surpresa, porque arregala os olhos e abre a boca duas vezes sem soltar nenhum som.

— Sério. - Continuo. — Porque não consigo encontrar um motivo pra você me destratar assim.
— Eu te destrato?
— Desde que eu cheguei. Você nunca me dirigiu simpatia alguma.
— Eu não dirijo simpatia a ninguém.
— Mas comigo é diferente. É pior.
— Com você é diferente sim, mas eu não diria que é pior. - Ele sorri.
— Se recomponha, Zac. Você não vai brincar do clássico caso de modelo e fotógrafo comigo, eu estou muito além disso. E, caso você não tenha mais nada pra falar, eu gostaria de ir embora.

Posso ver que Zac está enfurecido, o que me dá a sensação de que fiz um bom trabalho, mesmo que meus joelhos trêmulos digam o contrário.

— Você pode ir.

Não respondo, apenas viro as costas e deixo o escritório.

— Frida? - Ouço uma voz feminina me chamar. — Querida! Você fez tanto sucesso ontem!

Quando me viro, encontro a representante da Dior que conheci na noite passada e começo a brigar com o duende que mora em meu cérebro para que ele lembre o nome dela.

— Garlot! - Dou um enorme sorriso, orgulhosa do meu duende. — Como vai?
— Incrível, querida! Inclusive, tenho uma proposta para te fazer. - Garlot abre sua bolsa e começa a procurar algo. — Por que não passa no escritório amanhã à tarde? Assim conversaremos melhor. - Ela me entrega um cartãozinho branco com seu nome e um endereço. Não deixo de me sentir empolgada.
— Claro! Pode deixar. Vai ser um prazer.
— Tenha um bom dia, querida.
Garlot sorri com seus dentes brancos e me deixa no corredor, ansiosa.

— Uma proposta?! - Pergunta Maisie, me encarando com olhos esperançosos enquanto tira o esmalte das unhas

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— Uma proposta?! - Pergunta Maisie, me encarando com olhos esperançosos enquanto tira o esmalte das unhas. — Foi só isso que ela disse?
— Sim. - Jogo a mochila no chão do quarto da minha melhor amiga e me sento em sua poltrona rosa bebê.
— O que você acha que é?
— Não faço a mínima ideia. - Passo a mão nos cabelos e percebo que eles já estão grandes o suficiente para que eu possa fazer um mini coque.
— Será que ela vai te chamar pra ser modelo?
— Zac disse que não me odeia.
— Porque, sério, se ela te chamar...Deus! Imagina como sua carreira vai deslizar para o sucesso, Frida!
— Você acredita que ele disse que comigo é diferente?
— Imagina só! Você capa da Dior...
— Maisie, você sequer está prestando atenção no que estou falando? - Me irrito, rolando os olhos.
— Estou tentando ignorar todas as frases que comecem com "Zac".
— Você é minha melhor amiga.
— Exatamente por isso. Não preciso assistir um babaca te fazer de idiota.
— Nunca fui feita de idiota.
— Bom - Ela se levanta, deixando a acetona na escrivaninha e indo em direção ao banheiro — Para tudo tem uma primeira vez.
— PORRA! - Grito, inclinando a cabeça pra trás. — Por que todo garoto que eu conheço é um pé no saco?
— Ele não é um garoto, Frida. É um homem bem formado que adora brincar com menininhas.
— Eu não sou uma menininha.
— Você tem alguns anos a menos que ele, ou seja, é uma menininha. Uma menininha que ao invés de pensar na própria carreira está pensando no babaca magro de cabelos grandes.
— Ele não é só isso.
— Claro que não. - Maisie está fazendo xixi, mas posso jurar que a mesma está rolando os olhos também. A proximidade com a ironia é algo que nós duas compartilhamos.
— Eu costumava odiar garotos. O que foi que aconteceu?
— Você saiu de uma bolha, né? E alguns meses passaram, hormônios começaram a se desenvolver, sei lá que porra aconteceu. - Ela bate a porta do banheiro. — Mas você parou de agir como uma pirralha irritante de treze anos, e isso é bom.
— Vou pra casa. Já tive o suficiente.

Eu puxo minha mochila do chão pela alça e saio pisando forte do quarto de Maisie. Ela não diz nada e nem eu. Aprendemos que nos ignorar quando estamos irritadas é melhor do que criar uma briga que não vai levar a lugar algum.
Não sei se estou irritada com a falta de compreensão de Maisie ou com o fato de que Zac não me quer nem me deixa ir, mas sei que algo está diferente em mim.
E não aceito isso.

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