Frida tem 17 anos e jura que sua vida é um inferno (e de fato é), mas ela é preguiçosa demais pra mover um dedo sequer pra mudar isso. Não que ela seja má, ranzinza ou reclamona, ela só está bem em sua zona de conforto onde bolos de nozes, chás de h...
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— Boa tarde. - Digo, ao entrar no escritório de Yara e perceber que a mesma não está. — Oi. - Zac responde e não consigo decifrar sua expressão. Ele gira na cadeira e sorri pra mim. — Meu dinheiro. - Começo a pensar se minha cabeça baixa e minhas mãos brancas brincando com os furos do short jeans estão entregando que estou transbordando de vergonha e raiva. — Aqui. - Ele aponta para um envelope disposto sobre a mesa a apenas alguns centímetros dele.
Quando me aproximo, me inclino e coloco a mão sobre o envelope, Zac a segura com força. — Quer me dizer algo? - Ele levanta os olhos até os meus. — Não. Solte minha mão, por favor. — Como quiser. - Ele a solta, mas continua com os olhos nos meus, e eu não tenho forças pra olhar em outra direção. — Está brava? — Precisa de muito mais pra me chatear, Zac. — Por que você estaria chateada?
Ele levanta uma sobrancelha e eu quase não acredito na cara de pau. Sinto meus cílios tremerem e não deixo barato:
— Você me odeia?
Zac é pego de surpresa, porque arregala os olhos e abre a boca duas vezes sem soltar nenhum som.
— Sério. - Continuo. — Porque não consigo encontrar um motivo pra você me destratar assim. — Eu te destrato? — Desde que eu cheguei. Você nunca me dirigiu simpatia alguma. — Eu não dirijo simpatia a ninguém. — Mas comigo é diferente. É pior. — Com você é diferente sim, mas eu não diria que é pior. - Ele sorri. — Se recomponha, Zac. Você não vai brincar do clássico caso de modelo e fotógrafo comigo, eu estou muito além disso. E, caso você não tenha mais nada pra falar, eu gostaria de ir embora.
Posso ver que Zac está enfurecido, o que me dá a sensação de que fiz um bom trabalho, mesmo que meus joelhos trêmulos digam o contrário.
— Você pode ir.
Não respondo, apenas viro as costas e deixo o escritório.
— Frida? - Ouço uma voz feminina me chamar. — Querida! Você fez tanto sucesso ontem!
Quando me viro, encontro a representante da Dior que conheci na noite passada e começo a brigar com o duende que mora em meu cérebro para que ele lembre o nome dela.
— Garlot! - Dou um enorme sorriso, orgulhosa do meu duende. — Como vai? — Incrível, querida! Inclusive, tenho uma proposta para te fazer. - Garlot abre sua bolsa e começa a procurar algo. — Por que não passa no escritório amanhã à tarde? Assim conversaremos melhor. - Ela me entrega um cartãozinho branco com seu nome e um endereço. Não deixo de me sentir empolgada. — Claro! Pode deixar. Vai ser um prazer. — Tenha um bom dia, querida. Garlot sorri com seus dentes brancos e me deixa no corredor, ansiosa.
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— Uma proposta?! - Pergunta Maisie, me encarando com olhos esperançosos enquanto tira o esmalte das unhas. — Foi só isso que ela disse? — Sim. - Jogo a mochila no chão do quarto da minha melhor amiga e me sento em sua poltrona rosa bebê. — O que você acha que é? — Não faço a mínima ideia. - Passo a mão nos cabelos e percebo que eles já estão grandes o suficiente para que eu possa fazer um mini coque. — Será que ela vai te chamar pra ser modelo? — Zac disse que não me odeia. — Porque, sério, se ela te chamar...Deus! Imagina como sua carreira vai deslizar para o sucesso, Frida! — Você acredita que ele disse que comigo é diferente? — Imagina só! Você capa da Dior... — Maisie, você sequer está prestando atenção no que estou falando? - Me irrito, rolando os olhos. — Estou tentando ignorar todas as frases que comecem com "Zac". — Você é minha melhor amiga. — Exatamente por isso. Não preciso assistir um babaca te fazer de idiota. — Nunca fui feita de idiota. — Bom - Ela se levanta, deixando a acetona na escrivaninha e indo em direção ao banheiro — Para tudo tem uma primeira vez. — PORRA! - Grito, inclinando a cabeça pra trás. — Por que todo garoto que eu conheço é um pé no saco? — Ele não é um garoto, Frida. É um homem bem formado que adora brincar com menininhas. — Eu não sou uma menininha. — Você tem alguns anos a menos que ele, ou seja, é uma menininha. Uma menininha que ao invés de pensar na própria carreira está pensando no babaca magro de cabelos grandes. — Ele não é só isso. — Claro que não. - Maisie está fazendo xixi, mas posso jurar que a mesma está rolando os olhos também. A proximidade com a ironia é algo que nós duas compartilhamos. — Eu costumava odiar garotos. O que foi que aconteceu? — Você saiu de uma bolha, né? E alguns meses passaram, hormônios começaram a se desenvolver, sei lá que porra aconteceu. - Ela bate a porta do banheiro. — Mas você parou de agir como uma pirralha irritante de treze anos, e isso é bom. — Vou pra casa. Já tive o suficiente.
Eu puxo minha mochila do chão pela alça e saio pisando forte do quarto de Maisie. Ela não diz nada e nem eu. Aprendemos que nos ignorar quando estamos irritadas é melhor do que criar uma briga que não vai levar a lugar algum. Não sei se estou irritada com a falta de compreensão de Maisie ou com o fato de que Zac não me quer nem me deixa ir, mas sei que algo está diferente em mim. E não aceito isso.