Frida tem 17 anos e jura que sua vida é um inferno (e de fato é), mas ela é preguiçosa demais pra mover um dedo sequer pra mudar isso. Não que ela seja má, ranzinza ou reclamona, ela só está bem em sua zona de conforto onde bolos de nozes, chás de h...
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Eu estava dormindo quando a Madre entrou na sala pra dar algum recado sobre a formatura. Não ouvi, já que minha audição é sempre interrompida quando não estou interessada no assunto.
- Todos de acordo? - A senhorinha pergunta, fazendo com que todos respondam em coro. - Sim.
Ela deixa a sala, a aula de geografia continua e eu retomo meu sono. Até que sou acordada por uma bolinha de papel. Franzo o cenho e olho ao redor, tentando identificar o dono da palhaçada. Encontro o sorriso de Noah e nem preciso pensar duas vezes pra saber que foi ele. "Abra" ele diz com os lábios. Faço o que ele pede e abro a pequena folha de papel. "Ainda não sei seu nome" está escrito em letra de forma. "Hannah" Escrevo embaixo, amasso o papel e jogo em sua direção. Mas ao invés de Noah, outra pessoa é atingida. A professora. Arregalo os meus olhos e tento abaixar a cabeça pra que ela não me note, mas Noah começa a rir antes que eu possa disfarçar.
- De quem é isso? - Ela pergunta, impaciente, e nenhum de nós responde. - Vou perguntar mais uma vez, vocês sabem que não somos tolerantes com brincadeirinhas em sala de aula. De quem é isso?
Noah solta uma risada nasal e percebo que a pele morena do seu rosto está corada. Tento não rir mas falho miseravelmente.
- Devo abrir? - Ela pergunta enquanto começa a desamassar o papel. - Talvez assim descubramos quem está tão distraído em minha aula a ponto de... - Ela interrompe e franze o cenho. - Hum...interessante. Hannah? Temos alguma aluna nova?
Encaro Noah, que está me olhando com olhos confusos e determinados. Quando ele levanta a mão, pedindo permissão pra falar, começo a mexer minha cabeça de um lado pro outro e arregalo meus olhos. "NÃO!" Digo com os lábios.
- Sim? - A Senhorita Foster coloca sua atenção em Noah. - Com licença, professora, fui eu que mandei o papelzinho. Mil desculpas por atrapalhar sua aula. - Ele dá um sorriso inocente, conquistando Catarina Foster. - Entendo e aceito qualquer consequência. - Está tudo bem, senhor Levi, espero que não se repita. - A senhora tem minha palavra.
Impressionada com o carisma de Noah, fico boquiaberta, o encarando por alguns segundos. Ele dá uma piscadela e indica o quadro com o dedo indicador, pedindo para que eu preste atenção na aula. Apoio meu rosto na mão esquerda e estendo meu dedo do meio de uma forma discreta. Ele sorri novamente.
- Noah? - A professora chama. - Sim, senhora. - Gostaria de saber o destinatário de seu bilhete.
Quando Catarina sorri, eu estremeço.
- Nunca cheguei a descobrir o nome dela, professora. - Noah sorri de volta. - Hannah. - Ela diz. - Aparentemente, já que não temos nenhuma Hannah nessa turma. - Talvez o bilhete tenha voado para outras salas. - Noah diz, fazendo com que um canto da minha boca se incline em um pequeno sorriso. - Aponte, Noah, agora.