CAPÍTULO 40 - VOCÊ

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— Ok, eu não estou entendendo. - Noah diz após estacionar o jeep, franzindo o cenho e me encarando como quem realmente está perdido.
— Estamos na minha casa. Tecnicamente, na casa do meu pai. - Digo após descer do carro e esperar que ele desça também. Quando não acontece, coloco a cabeça pra dentro da janela e o encaro novamente. — Vamos pular o muro e beber cerveja na piscina.
— Por que pularíamos o muro da sua casa? Não é como se você fosse proibida de entrar.
— Não sou. - Dou de ombros. — Mas não posso trazer meninos.

Então Noah sorri como quem entendeu tudo. A aventura é estar com Noah e não apenas pular o muro de uma casa qualquer. Eu quero que tenhamos experiências proibidas que elevem nosso nível de adrenalina, mas quero que as tenhamos juntos.
Ele desce do carro e nós atravessamos o jardim, procurando pela pequena porta que liga o jardim a área da piscina. Quando a encontramos, ela está trancada. Perfeito. Sorrio e jogo minha mochila pro outro lado, esperando que não faça tanto barulho, afinal, já são mais de nove horas e meu pai deve estar dormindo. E ele não ia gostar nada de me ver pulando muros com meninos aleatórios. Após esperarmos alguns minutos, eu me apoio em Noah e consigo escalar o muro de pedras, sentando assim que chego no topo. Noah faz o mesmo e nós pulamos de vez para a área da piscina. Eu caio de joelhos e acabo me ralando mas ignoro as gotinhas de sangue escorrendo pela minha perna.

— Você está bem? - Ele pergunta.
— Sim. Foi só um raladinho. Vem. - O puxo pela mão e as luzes da área se acendem com nossos movimentos. Eu corro pra apagá-las, deixando apenas as luzes azuis da piscina acesas.
— Sua casa é linda. - Ele diz.
— Obrigada. É minha casa a pouco tempo, mas já criei um carinho por esse lugar. - Sorrio e começo a procurar por cervejas no enorme freezer de papai. — Ele as mantém aqui em algum lu...Achei! - Eu pego duas garrafas e entrego uma Noah, abrindo a outra com o tecido do uniforme.
— O que você quer ouvir? - Ele me pergunta sem tirar os olhos das playlists do spotify de seu celular.
— Ah, coloca o que quiser. - Dou de ombros e o novo álbum da Taylor Swift começa a tocar.
— Você realmente gosta dela ou colocou só porque eu gosto? - Pergunto enquanto tiro os sapatos.
— Eu gosto, ela canta bem.
— Também acho.

Tento lutar contra mas o sorriso não sai do meu rosto. Atravesso o balcão que divide a área da piscina da área da churrasqueira e me coloco na frente de Noah.

— Piscina?
— Tem certeza? - Ele pergunta, levando a garrafa a boca e tomado um grande gole da cerveja.
— Viemos pra isso! - Eu dou um tapinha leve em sua coxa.

Então percebo que o olhar de Noah é fixo no meu. Ele me encara como quem está analisando um texto antigo, tentando entender cada palavra. Eu me arrepio, mas deduzo que é o vento frio de Harvey.

— Você está bem? - Pergunto.
— Sim.

Ele sai do transe e, calmamente, tira a garrafa de cerveja da minha mão, a colocando no balcão ao lado da dele. Noah pega minha mão e me sinto nervosa mas, antes que eu consiga lutar contra, ele me puxa correndo para a piscina. Tento não gritar e me agarro nele quando me joga pra dentro d'água, o que resulta numa caída dupla. A água está absurdamente gelada, o que me faz começar a tremer assim que volto a superfície, mas ignoro a sensação e começo a jogar água em Noah.

— Você é maluco!! - Rio e jogo mais água nele. — Molhou meu uniforme todo!
— E o meu também. - Ele diz e puxa a camisa do uniforme pra cima, jogando-a pra fora da piscina. Tento não reparar em seus braços e abdômen definidos e na pele bronzeada que contrasta com a minha, mas falho na missão. — Vai ficar assim? - Ele pergunta, indicando meu uniforme com a mão.
— Não vou tirar a roupa na sua frente. - Digo e, embora o sorriso não queira deixar meu rosto, falo sério.
— Graças a Deus. - Ele ri.
— E então? O que achou da sua primeira experiência como um adolescente rebelde? - Pergunto.
— Fraca. - Ele é sincero e eu me espanto.
— Fraca?! Você está me desvalorizando. - Brinco.
— Precisamos beber mais.

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