CAPITULO 4- PARTE I | SOLITÁRIA.

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"19:03 - terceira postagem em Frida Wolf

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"19:03 - terceira postagem em Frida Wolf. 26/10/2017.
Você já se perguntou o que poderia fazer para melhorar o mundo?
Pois é, eu também não.
O mundo nunca me interessou.
Mas, caro leitor, acho que, finalmente, chegamos ao dia em que eu, Frida Wolf, me importo um pouquinho com o que está acontecendo em Harvey, California.
E, principalmente, nas cabeças femininas de Harvey. Por que, sério, que tipo de pessoas usa saia de pregas com salto alto e acha que está arrasando? (Além de Maisie Williams, claro) Isso é uma ofensa pra Moda, pelo amor de Swift!
E vamos tentar ignorar o quão fútil eu estou parecendo nessa postagem, afinal, devemos mudar a pegada uma vez ou outra. Frida Wolf precisa falar de alguma coisa que não seja a quantidade de merdas que acontecem a ela por dia, como o belo e redondo zero que devo tirar no teste de Matemática Aplicada amanhã..."

- Maisie, você acabou de sair da minha casa. Por que diabos você está me ligando? - Atendo o telefone fixo depois de quase cair de cara no chão por ter corrido escada a baixo.
- Frida, que dia é hoje? - Ela estava ofegante.
- Quarta-feira.
- Ainda é seu aniversário!
- Sim.
- E você não comentou comigo?
- Maisie, você leu meu blog.
- Exatamente! E só processei a informação após correr três quilômetros pra tentar eliminar a gordura do donuts de padaria que acabei de comer. Vamos, se arrume, passo pra te buscar em trinta minutos.
- Como é que é? Maisie, eu não vou sair, hoje é quarta feira.
- E dai? É seu aniversário, não vou te deixar ficar em casa. Johanna Flinton está dando uma festa na casa dela em comemoração ao jogo que o time da escola ganhou e nós vamos.
- Não, não vou. Johanna Flinton não sabe da minha existência, hoje é quarta feira, eu tenho um teste horrível de matemática amanhã e...
- Isso, pensa um pouco antes de inventar mais uma desculpa. - Ela dá uma risada leve e eu reviro os olhos.
- Eu não tenho roupa.
- Sua mãe deixa eu ir aí agora?
- Sara está de plantão.
- Isso foi um "sim, Maisie, nós vamos a festa e você pode trazer uma mala de roupas suas pra eu escolher"?
- Maisie, não.
- Abra a porta.
- Eu não acredito que você... - Abro a porta de madeira e me deparo com uma Maisie sorridente.
- Eu tenho o a roupa perfeita! - Ela diz, segurando em meus ombros e me examinando dos pés à cabeça. - Quanto você calça?
- 35.
- Eu calço 34, não deve ficar tão apertado em você. Venha. - Ela passa por mim e sobe as escadas correndo.
- Desde quando temos intimidade o suficiente pra você entrar na minha casa antes que eu diga "entre"? - Pergunto enquanto fecho a porta atrás de mim. Maisie para nas escadas e me encara enquanto segura a enorme mochila cor de rosa e revira os olhos como se a resposta fosse óbvia.
- Nós somos melhores amigas, é o fazemos.
Ela sorri e eu não posso evitar de sorrir também.
- Olhando daqui, acho que você vai ficar ótima em couro.
- Couro? - Falo enquanto dou risada. A ideia parece absurda.
- Vem, sobe essa escada, vamos te dar um banho de maquiagem.
Faço o que ela pede e Maisie começa a me fazer de boneca, tirando e colocando rímel e delineador até que ficasse perfeito. Eu não sei o que perfeito significa, nunca me maquiei assim.
- Pronto, mas você não pode se olhar no espelho agora. Vamos escolher a roupa.
Ela abre a mochila rosa e joga tudo em cima da minha cama.
- Uau, acho que nunca vi tanto glitter assim. - Comento quando vejo que noventa por cento do conteúdo são coisas brilhosas e chamativas. Puxo um vestido tubinho rosa chiclete. - Eu jamais usaria uma coisa dessa.
- E nem vai usar, afinal, esse é o meu modelito.
- Não é possível que você vá sair de casa numa coisa dessa em um dia comum! - Esbravejo, desacreditada com o péssimo senso de moda da garota.
- Não é um dia comum, Frida, é uma quarta feira na qual está acontecendo uma festa temática dos anos oitenta e noventa! Cores chamativas estavam com tudo. - Ela diz, puxando o short pra baixo e começando a subir o vestido colado no corpo. - E sabe o que mais estava com tudo? - Sorri. - Isso aqui. Toma, veste.
- Maisie, isso é um sutiã! - Arregalo os olhos enquanto seguro a minúscula peça de roupa preta na mão.
- Não, isso é uma top cropped de couro. E isso aqui é sua parte debaixo. Você tem algum sapato grunge?
- Maisie, olha pra mim. - Indico meu corpo magrelo e desajeitado.
- O que tem? Você é magra e branquinha, tem como ficar mais bonita em couro preto? - Abro a boca pra rebater mas ela me interrompe antes que eu consiga - Não, então agiliza que temos horário pra chegar, já são quase nove horas da noite e a festa começou as oito e meia.
Me dou por vencida e começo a tirar minha roupa, dando lugar a uma saia de couro preta um palmo acima do joelho e um sutiã com nome chique do mesmo tecido e cor. Metade da minha barriga fica a mostra, mas não posso dizer que não gostei de como o sapato grunge preto combinou com o look. "Look", é assim que falam as blogueiras, né?
- Uau! - Maisie diz enquanto prende os impecáveis cabelos loiros num rabo de cavalo alto. - Você está incrível! Devo ir de salto branco ou preto?
- Você não quer chamar atenção? - Digo enquanto me olho no espelho, tentando dar volume ao meu cabelo vaca-lambeu. - Coloque os brancos.
- Você está aprendendo, ma Cherie. - Maisie encosta nos meus ombros, me encarando pelo espelho. Ela está perfeitamente maquiada e o batom vermelho faz com que seus lábios pareçam ainda maiores.
- Pode fazer isso comigo? - Indico sua boca. - Minha boca é muito pequena.
- Claro! - Ela sorri, animada. - É só usar lápis de boca, assim, olha...
Maisie passa o batom vermelho matte em mim e me sinto bonita pela primeira vez na vida. Não bonita-esquisita, não bonita-dá-pro-gasto.Realmente bonita.
- Obrigada, Maisie. - Digo com sinceridade. A presença dela faz bem pra mim.
- Não tem de quê. - Ela me dá um sorriso terno antes de colocar no ombro a mini-bolsa de glitter e me puxar pelo braço. Alguns segundos depois, estamos a caminho da casa de Johanna Flinton.

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