Sophia Ortiz está longe de ser uma garota inocente. É uma loba em pele de cordeiro. A sua aparente fragilidade é a sua arma. Ela engana, ilude e encanta. Afinal esse é o seu trabalho. Fingir ser quem não é.
Miguel Ferraz tem duas faces, e pode ser...
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A madrugada avançou, e eu aproveitei o silêncio, que somente esse momento era capaz de proporcionar, para pensar. Em tudo. No quanto a minha vida tinha mudado. Em como eu estava diferente. Nele.
Miguel Ferraz. O homem que me salvou, e condenou ao mesmo tempo.
Era uma ironia e tanto. No entanto, se me perguntassem diria que não me arrependo de nada. Pode até ser loucura, mas eu gosto desse lance de viver um dia de cada vez, e aproveitar cada momento. Óbvio que ser assassinada não está nos meus planos, mas precisamos superar obstáculos no caminho. E são eles que nos fazem ter as melhores histórias.
Virei-me inquieta, já cansada de procurar uma posição confortável, e não encontrar. O sono simplesmente não vinha. Suspirei, e abri os olhos, no mesmo momento que ouvi o trinco da porta ser girado.
O meu coração acelerou, e eu esperei que um corpo alto e forte passasse pela porta, mas não foi isso que aconteceu. Na verdade, quem adentrou o quarto foi uma senhora, de cabelos grisalhos e roupa elegante, ela carregava uma grande mala. Permaneci quieta, e quando achei que não seria notada, seus olhos encontraram os meus.
—Céus, menina! —A mulher deu um pulo, e levou a mão até o coração. —Que susto!
Mesmo sem querer, sorrir.
—Desculpe, não foi a minha intenção!
—Tudo bem, tudo bem! Velhas tomam sustos atoa mesmo... —Balançou uma das mãos no ar, num gesto de claro desdém. —A propósito, sou Dorothy. A governanta.
O sorriso que abri ainda não havia saído do meu rosto. A presença daquela senhora trouxe-me lembranças boas, a ponto de eu não me importar em ter o quarto invadido tão cedo.
—Eu sou...
—Sophia, eu sei. O menino Miguel deixou-me a par de toda a situação.
—Menino Miguel? —Perguntei, sentando-me direito na cama e demonstrando toda minha curiosidade. Dorothy sorriu pra mim, e sentou do meu lado, como se fôssemos grandes amigas colocando o assunto em dia. Gostei disso.
—Há, sim! É como o chamo desde que era uma criança pequenina, mas não o deixe saber que você sabe disso. Ele detesta. —Ela riu e eu a acompanhei. Os olhos daquela senhora brilhavam nostálgicos, e uma vontade incontrolável de saber mais do Miguel criança me assolou, quis saber se era muito diferente do homem de hoje.
—Como ele era? —Perguntei, e logo arregalei os olhos, me arrependendo no mesmo instante que as palavras foram proferidas pelos meus lábios. —Quer dizer...