Sophia Ortiz está longe de ser uma garota inocente. É uma loba em pele de cordeiro. A sua aparente fragilidade é a sua arma. Ela engana, ilude e encanta. Afinal esse é o seu trabalho. Fingir ser quem não é.
Miguel Ferraz tem duas faces, e pode ser...
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Lado a lado.
Era assim que passavam as noites agora. Sophia tinha abandonado definitivamente o quarto de hóspedes, e se instalado no de Miguel. A distância havia se tornado um problema que eles correram para resolver.
Ela dormia com a cabeça em seu tronco e abraçada a ele, como em todas as noites, era tão natural que pareciam ter feito isso a vida inteira. E não somente há duas noites. Poderia ser que essa necessidade de estar tão perto com o tempo passasse, mas no momento eles só queriam aproveitar.
O toque insistente do celular veio para atrapalhar o momento de paz do casal. Miguel até tentou ignorar, mas quem quer que fosse não desistiu, e tornou a ligar. A cada vibração o celular andava um pouco mais para frente, quase caindo da mesa de cabeceira. E ele resolveu atender, antes que o barulho irritante acordasse Sophia.
Só foi colocar o olhos no visor para que seu coração acelerasse. Alguma coisa estava errada ou ficaria. Ele não receberia aquela ligação atoa. Respirou fundo, e apressou-se para atender.
Sophia despertou com uma movimentação na cama, e rolou os olhos para a inquietação de Miguel. Estava pronta para resmungar que ele ficasse quieto, quando se deu conta que ele falava com alguém. Mas não foi isso que chamou-lhe a atenção, e sim o tom usado por ele. Parecia... Submisso. Alertou-se, e passou a prestar atenção na conversa.
—Sim senhor. Eu já estou cuidando desse assunto. Não se preocupe. —Franziu o cenho para a fala toda respeitosa dele, bem diferente das ordens que costumava distribuir. —Estou indo agora mesmo.
Sentou-se na cama, e trouxe consigo o lençol para esconder a própria nudez. O ato fez Miguel perceber que ela havia acordado, mas o mesmo nem olhou duas vezes em sua direção. Mais preocupado em colocar as suas peças de roupas jogadas no chão.
—Vai sair? —Resolveu perguntar, já que ele não fez nenhuma menção de explicar o que estava acontecendo.
—Sim.
—Pra onde? Ainda é cedo... —Questionou, enquanto buscava o relógio de cabeceira. Só para constatar que estava certa, não passava das seis da manhã.
—Tenho assuntos para resolver. —Limitou-se a dizer, e Sophia cerrou os olhos. Não foi aquilo que ela perguntou. Mas antes que ela pudesse exigir mais respostas, ele saiu batendo a porta.
A curiosidade tomou conta dela. O que ele poderia ter para fazer a essa hora da manhã? E porque não lhe deu nenhuma satisfação? Tentou evitar, mas seus pensamentos vagaram para uma única pessoa. Mais precisamente outra mulher.
Será? Se questionou, mas a dúvida durou pouco, e ela logo balançou a cabeça. Não, definitivamente não. Todos eram inocentes até que se provasse o contrário, e o Miguel prometeu não decepciona-la. Confiava nele.
Sem escolha, deitou-se de novo. No entanto, não conseguiu dormir mais. Alguma coisa ele estava escondendo, ela não ficaria no escuro de jeito nenhum. Somente esperaria algumas horas para ir atrás de respostas. Conhecia a fonte de informações perfeita